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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Segura- 14° Capítulo



Romance antes das férias



Eu respirei fundo antes de entrar na sala de aula. Eu não tinha ido a escola havia muito tempo e agora eu chegaria atrasada. O Sr. Castro estava explicando uma matéria que eu sabia de letra. Futura bióloga tinha que saber as coisas de letra. Eu bati na porta ele me olhou como um olhar de reprovação pelo o meu atraso e me disse para entrar. Eu fui até a minha classe fitando o chão, e fiz de meu cabelo uma parede para não ter que olhar para Pedro. O sinal bate depois de quarenta e cinco minutos ouvindo o Sr. Castro com mesma voz de sempre.
Meg e Valentina vieram correndo em minha direção e pude ver Pedro colocando a mochila nas costas e me olhar. Meg e Valentina me tiraram a atenção dele e começar a tagarelar sem parar. Primeiro elas começaram a falar do desaparecimento da Lisa e depois sobre Matt e Victor. Só pude notar o que elas queriam-me dizer quando estava na metade da aula de matemática. Elas estavam namorando.
Eu fiquei feliz, mas por outro lado eu fiquei triste, porque eu ficaria sozinha de algum modo. As aulas ficaram chatas. Até mesmo a hora do almoço. As meninas ficaram na mesma mesa que Matt e Victor. Eu me isolei em uma mesa que ficava num canto do refeitório. Eu fiquei sem tocar na comida, eu fiquei pensando. Até ouvir uma voz melodiosa.
Ele olhava-me como se estivesse implorando. Eu não era uma pessoa má e sei que de algum jeito nos iriamos ter que conversar, já que teríamos que fazer um trabalho de sociologia juntos. “Maldito professor de sociologia”pensei eu na hora que foram escolhidos as duplas. Eu assenti para ele que se sentou na minha frente. Meg e Valentina viram de longe e se entreolharam porque elas sabiam o que havia acontecido com nós dois naquela noite. Ele ficou me olhando como se esperasse que eu falasse algo, mas eu sabia que não era sobre o trabalho e foi sobre o que eu falei:
-Sobre o que vamos falar do trabalho? – perguntei e ele deu um suspiro de decepção.
-Hã... Eu não sei. Sobre o que você quer falar? – ele estava tímido ou era impressão minha.
-Eu não sei, mas vou pesquisar e eu te aviso. – ele assentiu com a cabeça. Eu dei um sorriso torto e me levantei não queria ficar perto dele quando o assunto não fosse trabalhos.
Eu fui direto para a biblioteca, querendo algum livro que eu podia ler e ver já alguns livros de sociologia para tentar encontrara algum assunto interessante. Eu olhei para um série de livros da Sarah Shepard, uma série que foi também parar na tevê. A série Pretty Little Liars. Eu não conhecia muito bem. Eu chamei Alice que estava bem próxima. Ela estava com o rosto inchado porque chorara, devido ao desaparecimento de Lisa que ainda não foi solucionado. Ela veio com um olhar que mataria qualquer um:
- O que você quer? – perguntou ela ríspida.
-Você conhece essa série?
-Conheço por quê?
-Poderia me dar um mini resumo sobre esta série?
-Por que eu te ajudaria?
-Por favor.
-Quatro garotas são assombradas por uma pessoa que manda mensagens com o nome de A, dizendo que ira revelar seus maiores segredos. E elas tentam saber quem é a A. Satisfeita?
-Obrigada. – Eu lembro de estar correndo em busca de Valentina e Meg.
Elas estavam na frente de seus armários com Matt e Victor. Eu puxei as duas que estavam me olhando com os olhos arregalados. Eu as puxei até o banheiro das meninas e delça saíram umas três garotas. Incluindo Mariah que estava chorando. Será que Lisa era tão importante assim para elas? Por que ela não aparece que nem ela havia feito antes:
-O que houve Lola? – perguntou Meg. Quando eu as soltei no banheiro e fui em busca se tinha alguém lá.
-Descobri algo sobre a pessoa que fica nos mandando as mensagens. – Elas agora estavam interessadas.
-E o que é? – perguntou Valentina.
-Essa pessoa está fazendo a mesma coisa que em uma série de livros. Como se esta pessoa queria fazer aquilo, só que ela não tinha as pessoas certas.
-OK. Mas o que isso tem a ver com a morte da Victoria?
-No inicio da série a abelha rainha delas foi assassinada por esta pessoa a quem se declara ser A. isso é pelo menos o que eu acho.
-Você acha? – Meg falou com os olhos castanhos esverdeados com lágrimas. – o que acha que nos temos que fazer agora?
-Fazer como elas fizeram nos livros. Ir em busca da A. Já que a pessoa que nos manda as mensagens não tem nome.




Eu chego em casa e dou de cara com Carl na sala de minha casa. No momento eu não sabia se ficava com medo ou apavorada, mas ele estava sentado no meu sofá que ficava na frente da minha lareira e com um olhar que diria como ele se sentia. Com ódio. Eu caminho em direção a ele, e descubro que minha mãe não estava em casa. E sim, agora eu estava com medo. Medo de um cara que por minha culpa perdeu a namorada e que agora poderia muito bem querer me matar. Mas ele estava tão bem comigo um dia desses. E ainda conversamos sobre a Leona e do porque ela não ter contado a ele sobre mim. Uma coisa que eu não sabia bem ao certo. Minha irmã nunca gostou de dar informações sobre a nossa família.
O perfume que ele usava dava-se para sentir de longe assim como ver o cabelo escuro que precisava de um cabelereiro. A camiseta roxa e a bermuda jeans o deixavam mais bonito do que eu já tinha visto. Ele se virou para mim e eu olhei para um dos lados a procura de uma saída. Ele fez menção de correr atrás de mim e eu corri sem parar pela casa. Até ser pega.
Ele me colocou contra a parede e pude dar um gemido de dor quando a minha cabeça bateu com a parede. Ele ria enquanto via a dor que subia em meu rosto. Ele me atirou no sofá e quando ele foi subir em cima de mim, lhe dei um chute entre as pernas. Eu saio correndo pelos fundos de casa a procura de alguém. Até que me lembrei de alguém:
-PEDRO... SOCORRO... PEDROO. – lembro-me de gritar o seu nome sem parar, antes de ser jogada para longe por Carl.
-O que pensa que esta fazendo? – perguntou ele furioso.
-O que você esta fazendo na minha casa?
-Só quero conversar, sobre a Leona.
-Acha que se me machucar, vai machucar ela.
-Você foi a culpada pela nossa separação não lembra.
Se eu pudesse eu rezaria para que nada acontecesse para mim. Mas a única coisa que eu fiz foi fechar os olhos. Até ouvir a voz grossa de um homem.
-Saia de perto da moça e ponha as mãos onde eu possa ver. - escutei o Sr. Damon falar. E atrás dele Pedro.
Quando Carl se afastou ele veio diretamente a mim. Seus olhos estavam demonstrando carinho. Minha cabeça latejava por causa da batida, mas eu ainda pude o ouvir dizer. “Eu não vou deixar nada acontecer com você”. Eu sorri quando o ouvi.
Depois disso o Sr. Damon levou Carl para a delegacia e lá dizem que ele ficou preso.


Duas semanas haviam se passado e minha amizade com Pedro aumentava cada dia, quando ele vinha em casa para fazer trabalhos da escola. Até que ele um dia me levou para o parque que tinha no centro da cidade. Eu estava com o cabelo amarrado em um rabo de cavalo e de óculos. O vestido amarelo e as sapatilhas pretas que me lembravam de Lisa, me deixavam com um ar de criança. Enquanto Pedro usava camiseta e bermuda pretas e seu Nike branco. Ele estava radiante naquele dia e eu estava com um olhar de triste já que o corpo de Lisa fora encontrado havia dois dias.
O corpo foi encontrado numa casa abandonada. Ele estava do jeito que Pedro havia dito e do jeito que eu havia visto. Os pais e amigos haviam ido ao funeral dela. Apenas eu, Meg e Valentina que não fomos ao funeral. O bom era que eu não havia recebido nenhuma mensagem, o que me fazia pensar que era Carl e depois que ele foi preso eu nunca mais recebi.
Eu me sentei num dos bancos que tinham a aparência de velho com uma pintura verde que estava se descascando. Pedro se sentou ao meu lado e estava respirando muito rápido. Eu perguntei se tinha algo errado. Ele apenas me disse que era com ele:
-O que é então? – perguntei curiosa.
- Hã... – adorava quando ele fazia isso. – Vou ser direto.
- Tá.
-Quer namorar comigo? – eu sabia que eu não podia aceitar. Eu fiz que não com a cabeça. Seu olhar mudou com a minha negação, o que o deixou triste. – Por que não?
-Por que... Hã... É complicado. – Ele era a pessoa que poderia ter matado Victoria, ele havia me perguntado sobre a camiseta do time de hóquei e ela havia sido encontrada onde Victoria havia sido assassinada. Eu me levantei e sai correndo sem mesmo olhar para trás.


Durante o meu percurso, eu encontrei alguém que eu não era muito fã, muito menos conhecia direito. Ele estava com uma camiseta xadrez marrom com branco e calça jeans negra e os óculos de tartaruga o deixavam com o rosto de um NERD. Eu me aproximei com os olhos cheios de lágrimas, por causa do não que dei a Pedro quando tudo que eu queria era dizer que sim.
Ele me viu se aproximando e me deu lugar o seu lado:
-O que você quer? – Perguntou Edmundo com o rosto vermelho.
-Saber por que esta triste. – falei triste. Ele me olhou como se não confiasse em mim. Mas logo cedeu.
- Eu sinto falta... Da vadia da Victoria. – sua voz saiu com raiva.
-Eu também sinto. – eu consegui tirar um sorriso de seu rosto e pude ver um aparelho na cor verde.
-Ela nunca tinha sido daquele jeito comigo, Ela sempre foi doce, linda, carinhosa e romântica. Ela nunca havia me tratado daquela maneira.
-O que foi que a tomou para fazer aquilo?
-Eu não sei.
Seu olhar caiu por sobre a tarde que caia lentamente. Eu adorava ver o pôr de sol, principalmente quando se estava chegando o verão. Lembro-me de Meg, Valentina, Victoria e eu brincando naquela mesma praça enquanto a noite surgia. Brincando de varias coisas até nossos pais virem nos buscar e irmos para casa contar tudo que havíamos feito durante o dia inteiro.
-Lola, posso te contar uma coisa que eu vi? – Edmundo perguntou tirando-me dos meus pensamentos.
-Claro. – eu sempre fui curiosa.
-Eu sempre quis ser seu amigo.
-Obrigado, Edmundo por ter me contado isso. E agora somo amigos. –Eu o beijei no rosto. Mas eu não havia percebido que Pedro havia visto o beijo.


Minha mãe estava fazendo a janta. Ei dou um oi mudo a ela que retribui com um sorriso e volta a fazer o jantar. Eu subo até o meu quarto e pego o diário que minha mãe me deu que eu havia colocado atrás de um dos meus bichos de pelúcia. Eu pego uma caneta preta e escrevo em meu diário:


Querido diário


Tudo que eu havia preparado hoje, foi por agua a baixo. Pedro me pediu em namoro, mas eu recusei por causa das provas encontradas pela policia e que uma delas era uma camiseta que ele mesmo havia perdido. Meu coração sempre fica acelerado quando estou perto dele. Diferente de quando eu havia ficado quando eu era apaixonada por Will e que hoje deve estar em outro planeta. Tudo que eu queria era dizer “sim”, mas meus lábios disseram ao contrario. Eu acho que amo Pedro, por ele ser atencioso, carinhoso, seguro e forte não apenas fisicamente.


-Sua mãe disse que eu podia entrar. – A voz melodiosa falou. Eu o vi pelo canto dos olhos. Eu não queria que visse o que eu havia escrito no diário. Mas eu acho que ele tinha que saber.
-Entre então.
-Podemos conversar. – eu assenti e ele se sentou na beira da minha cama. – Lola se você gosta de outra pessoa, você deveria ter me contado.
-O que?
-Eu vi você beijando um outro garoto. – ele falou com a cabeça baixa o que me fez rir. Ele estava com ciúme.
-Edmundo é um amigo. – Eu peguei o meu diário, eu sabia que não podia mostrara tudo aquilo que estava escrito nele para Pedro, mas ele tinha que saber o que eu havia escrito para ele durante todas aquelas semanas, desde que eu ganhei o diário. Até que chegou na hora em que ele leu o que eu havia escrito antes dele chegar.
-Por que acha que eu mataria a sua amiga?
-Eu... – eu fiquei de boca aberta porque eu pensei que ele falaria do que eu havia escrito sobre ele, sobre nós. – Por causa da sua camiseta desaparecida.
-Minha mãe a achou nas roupas de minha irmãs.
-Por que ela era tão importante para você?
-Por que, foi o meu irmão que havia me dado. – ele estava triste desta vez.
-O que houve?
Ele me contou tudo, desde que seu irmão morreu até a parte em que eu comecei a chorar. Eu sabia como era perder alguém que era próximo, alguém que era de extrema importância. Ele me abraçou forte e eu deixei. Pude ouvir os batimentos de seu coração que estavam muito rápidos. Os meus também estavam. Eu podia sentir que nossos corpos eram um só quando estavam juntos e era assim que eu queria, sermos um só. Nada podia nos separar. Nem mesmo mensagens de uma pessoas que não me conhecia bem.
Ele me afastou e ficou de cabeça baixa. Eu sabia que ele queria me contar mais alguma coisa mais que não sabia o que era. Meu coração começou a acelerar mais rápido do que já estava quando ele disse:
-Lola, eu usei drogas quando o meu irmão morreu.
Eu sabia que ele não usava mais, por que eu via como era o seu comportamento e sabia como era o comportamento de alguém drogado. Ele se levantou da minha cama e eu fiz o mesmo. Meus olhos estavam diretamente nele. Eu estava procurando algo nele que nem mesmo ele sabia o que era. Só eu sabia o que era. Compaixão.
-Você não usa mais? – Ele fez sinal que não usava. Eu estava aliviada agora.
-Eu não sei como você consegue me amar. – então ele sabia.
-Eu amo quem você é.
-E quem eu sou?
-Um garoto inteligente, carinhoso, amoroso. – cada palavra eu me aproximava dele.- Diferente, lindo. – nós dois sorrimos. - e é o garoto mais sincero que eu já conheci. – neste momento nossos lábios se colaram.


By: Paola Araújo

Segura- 13° Capítulo



Meu querido Diário



Eu estava segurando a mão de Valentina. Eu apertava a cada vez que o Sr. Damon se aproximava, Pedro estava ao meu lado em um modo de defesa, como se ele tivesse certo medo de seu pai. Meu coração estava cada vez mais acelerado. De alguma forma Meg me tranquilizou colocando suas mãos sobre os meus ombros. O Sr. Damon se aproximou de nós, ele por outro lado ficou olhando para Pedro e fez um sinal a ele, Pedro assentiu e me deu um beijo leve em meus lábios e disse um adeus mudo aos outros. Eu estava arrepiada, eu não sabia o que fazer, mas meus olhos estavam se enchendo de lágrimas, por alguém que sempre me machucou.
Eu fiquei assustada quando um policial disse que não havia nada atrás do carro. Eu não acreditava nas palavras que o homem havia dito. Eu não podia ter ligado para a policia, mas Pedro falou com o seu pai, com certeza Pedro deve estar encrencado com o seu pai, por mentir. Mas ele não estava mentindo, eu também havia visto.
Eu podia ver a conversa que Pedro tinha com o seu pai, ele vinha em minha direção. Começou a faltar o ar em meus pulmões, eu não conseguia respirara direito, tudo estava girando. Valentina percebe o que estava acontecendo comigo e me segura, Matt me pega no colo e me levam até a cozinha e me fazem cheirar algo para que eu despertasse. Mas tudo foi em vão.
-Eu acordo dentro de um carro, o cheiro era de novo. Os bancos eram na cor creme e feito de coro. As coisas ainda estavam fora de foco, mas a voz que me despertou, fez eu me encolher com medo que algo acontecesse comigo:
-Você está bem? - perguntou Pedro. Eu assenti com a cabeça. Ele estava com a camisa quase toda aberta, dando para ver os músculos bem definidos que ele tinha.
-O que aconteceu?
-Meu pai brigou comigo, porque achou que eu estava mentindo. Lola como um corpo pode desaparecer?
-Eu não sei. – a minha cabeça latejava.
-Mas você viu o corpo da Lisa. Eu pelo menos pensei que fosse ela. – ele estava com raiva. Eu pude perceber em seus olhos.
Quando o carro parou na frente de minha casa, eu desci do carro, mas quase fui ao chão se não fosse por Pedro, o vestido que minha mãe gastara caro para mim teria sido destruído.
Eu continuava a não me sentir bem, principalmente agora que Pedro era um dos principais suspeitos da morte de Victoria. Pelo menos para mim e as meninas. Pedro me pegou no colo e me carregou até o meu quarto. Minha mãe não estava como sempre, mas eu temia que ela aparecesse.
Pedro me pousou lentamente em minha cama e se sentou na ponta me fitando com aqueles olhos que ainda me fascinam. E pensar que podia ser eles a última coisa que Victoria podia ter visto. Ele continuava a me olhar e eu sem querer falei meio brusca com ele:
-O que você esta olhando?
-Você. – respondeu ele sereno.
-Desculpa, eu não intendi.
-Eu estou vendo como você ficou depois que Meg veio até aqui.
-Como sabe que Meg veio até aqui?
-Victor. – respondemos ao mesmo tempo e rimos juntos.
-Me permite fazer uma pergunta? – perguntou ele.
-Claro.
-Quem era Victoria? – eu não sabia como responder aquela pergunta, então olhei para o criado mudo que ficava ao meu lado e abri a primeira gaveta e de lá eu retirei uma foto que eu entreguei a ele. – É a do meio.
Ele ficou em choque quando viu a foto. Aquela foto foi tirada quando Victoria havia chegado a Frankfurt, Era um dia chuvoso, ela sempre foi linda e me perguntava se as garotas mais velhas tinham inveja dela. Ela estava com um guarda chuva amarelo assim como o vestido curto e rodado que ela usava. O cabelo liso caia até a metade de suas costas e os olhos azuis pintados com uma cor escura que eu de longe não pude enxergar. Minha mãe passava por ali naquele dia, e foi assim que eu conheci Victoria Louise Trentham.
O rosto de Pedro estava mias branco eu me aproximei dele, para ver o que estava acontecendo. Era como se só o seu corpo estivesse ali e sem alma:
-Pedro, Pedro. Oi. – chamei por ele. Ele engoliu em seco.
-Vicki. – foi tudo que ele falou.
-Quem?
-É a minha Vicki. Se ela morreu, quem me mandou as mensagens. – ele falou como se eu não estivesse ali no meu próprio quarto.
-Que mensagens? - eu agora estava assustada. Ele também recebia as mensagens.
-Lola quando te conheci eu comecei a receber umas mensagens, elas pediam para que eu me aproximasse de você, que eu fizesse você se apaixonar por mim... – meu rosto mostrou que eu não queria mais ouvir. Tudo o que eu, nós passamos, foi o maníaco que o mandou fazer.
Senti meus olhos queimarem e as lágrimas começarem a cair destruindo a maquiagem que Meg fizera para que eu pudesse ficar bonita. Mas ninguém sabia que eu queria ficar bonita para ele. E no final eu descubro que nada disso era verdade. Ele era um misero boneco sendo manipulado.
-Saia da minha casa. – eu falei para ele.
-Lola, espera me deixa explicar...
-Saia da minha casa. – eu repeti. Ele ficou com a cabeça baixa e saiu do meu quarto.
Eu esperei ouvir o barulho da porta da frente ser fechada, para que eu começasse a chorar e manchar os meus travesseiros que eram imaculadamente brancos.




Eu esperei os dias passarem, para ver se o meu coração melhorasse. Eu estava terrivelmente magoada, não apenas com o que estava acontecendo. Naquela manhã, eu não queria ir a escola, como eu havia feito durante as duas semanas que passaram. Meu coração estava amachucado novamente.
Ele estava pior, do que quando meu labrador amarelo que se chamava Spot havia morrido. Pior que a dor de ver a minha vó morta em minha frente, pior que a dor que eu senti quando meu pai morreu, pior do que quando Victoria morreu, ou melhor, Vicki.
Por que eu agora me importava quando tudo que eu mais queria era estar com ele, poder ver seu rosto se iluminar como o sol quando ele sorria, poder ver os olhos que tanto me fascinavam, tanto que meu coração começou a pertencer a ele.
Ouvi a porta da frente se abrir, minha mãe estava com os seus trajes tradicionais de professora. Percebi que ela viria direto para o meu quarto eu me virei para o outro lado da cama, para que quando ela entrasse veria que eu não queria ouvir nada. Ela bateu na porta, eu apenas a olhei por sobre o ombro e voltei a minha cabeça para a parede. Sinto o peso dela afundar por sobre a cama e passar a mão em meu cabelo. Em outra época, eu poderia até gostar desse afago, mas naquele momento eu não precisava ser tratada como uma cadelinha sem dono, sem rumo e sem amor. Ela murmura alguma coisa e sai do quarto, eu me viro de barriga para cima e percebo que já estava tarde. A lua encantava a noite estrelada que dava para ver pela enorme janela que tinha em meu quarto. Levanto-me para me ver no espelho. Os olhos inchados de tanto chorar, o rosto redondo vermelho e triste, os cabelos embaraçados e as minhas vestes gastas. Eu passo a mão por entre os meus cabelos e olho para as fotos que tem colados no espelho. Todos eles me tinham no meio ou em um canto escondida, Victoria linda como sempre assim como Meg e Valentina. Foi nesse dia em que eu prometi para mim mesma que eu não ficaria por baixo, o ódio tomou conta de mim agora todos iriam se curvar diante de mim assim como faziam com Victoria. Eu seria a abelha rainha dessa vez e ninguém iria me tirar do meu trono. Foi ai que vi pelo espelho uma caixa.
Eu fui direto a ela. Minha mãe havia posto um bilhete ali, ela adorava fazer bilhetes, foi assim que ela conquistou o meu pai:


Minha mãe me deu um, ela disse que assim me sentiria melhor. Escreva tudo, não deixe que o ódio tome conta de você e faça com que você sofra depois. Descubra que as suas palavras tem poder.
Comece escrevendo “Meu Querido Diário”.


Eu rasguei toda a caixa e dei de cara com um caderno, com detalhes feitos a mão, nas cores roxo e preto. As paginas não tinham linhas e muito menos datas. Eu fui até a minha escrivaninha que tinha o meu computador velho. Eu peguei uma caneta qualquer e comecei a escrever com a minha letra grande:


Querido Diário.
Hoje eu menti novamente, para não ter que vê-lo. Para não ter que escutar as suas desculpas, como se fosse daquilo que eu precisasse. O meu coração esta doendo mais do que no dia em que perdi o meu pai. Doendo mais... Não sei como o meu coração esta doendo, mas uma parte de mim queria poder ir a casa dele e falar tudo aquilo que por horas eu fiquei imaginando na minha cabeça. Mas a outra parte queria poder sair daqui. Queria poder esquecer uma coisa que um dia já foi meu e que se foi, mas isso é como vento. Ele se vai, mas depois volta.


Eu paro de escrever, e fecho o caderno. Minha mãe tinha razão, isso funcionava muito bem, a minha raiva passou e o motivo da minha mudança também. Agora eu estava feliz, feliz por ter alguém que não fala não se mexe e que pode ser bem guardado para desabafar. Sinceramente era daquilo que eu precisava. Desabafar.
Eu me levantei, respirei fundo e desci sem os meus sapatos, as escadas da minha casa. Minha mãe estava fazendo algum sanduiche para ela comer. Ela estava magnifica como sempre, os olhos castanhos e os cabelos cacheados que estavam arrumados e a roupa que ela usava a deixava bonita. Ela olhou para mim e eu sorri e corri para agradecê-la. Ela me abraçou forte e beijou o topo da minha cabeça.
Durante a noite fizemos coisas de garotas, pintamos as nossas unhas e brincamos muito. Na verdade era um pouco de felicidade que eu precisava, um pouco da minha mãe. E foi assim que eu passei a primeira noite com a minha mãe desdá morte do meu pai.

By: Paola Araújo

sábado, 26 de maio de 2012

Segura - 12° Capítulo


Festa Macabra


Eu acordo com o despertador em formato de coração e com uma mensagem de Valentina me dizendo que era o dia de sua festa de dezessete anos. A família Gonzáles era conhecida pelas festas enormes que davam, principalmente quando eram os próprios membros da família que estejam de aniversario. Eu não sabia bem ao certo como me vestir porque eu não tinha roupas e provavelmente minha mãe não iria estar em casa para me ajudar e, aliás, eu não queria a ajuda dela. Depois do que ela fez aquilo me deixou insegura no modo de perguntar se ela ainda me amava, uma coisa que eu comecei a perceber que não. Tinha medo de falar com ela agora, tinha medo de sua reação quando eu perguntasse, mas eu não daria esse gosto principalmente depois do tapa que eu levei dela. Eu me levantei e fui ao banheiro para ver se eu ainda tinha a marca dos dedos dela em meu rosto. Se estivesse eu não iria à festa. No outro dia eu ligaria para ela e diria que eu não pude ir por causa de uma forte gripe que eu peguei, certamente ela não iria acreditar e não me perdoaria.
Eu liguei para a Meg para que ela me ajudasse, mas o seu telefone estava ocupado. Eu não sabia o que fazer. Eu desci para a cozinha para preparar o café da manhã para mim. Quando desci senti o cheiro de pão caseiro e quente o que fez a minha barriga roncar de fome. Eu desci rapidamente para ver a minha mãe preparando e escrevendo um bilhete, o que me deixou assustada. Ela me viu e pude perceber que ela não conseguiu dormir e seu rosto estava sem a maquiagem de sempre e vermelho de tanto chorar. Eu só a vi levantar e pegar a minha mão e depositar nela a carta que ela esteve escrevendo. Ela passou por mim e foi em rumo ao seu quarto. Eu abri a carta e me sentei na cadeira da mesa de jantar que tinha na nossa cozinha. A letra de minha mãe era impossível de decifrar, por ser pequena e muito junta, mas eu consegui ler:


Lola sei que você não quer nem mesmo me olhar depois do que fiz com você. Mas eu quero que saiba que você é uma das coisas que me motiva a continuar a viver. Se o que dizem de mim é verdade saiba que eu faço o possível para que a nossa família continue em pé e do mesmo jeito que se pai deixou. E eu quero que você saiba que eu a amo demais e que tente entender os sacrifícios que eu faço pela nossa família.
Sei que você deve estar louca para ir na festa de sua melhor amiga Valentina, por isso acordei bem cedo para ir a uma loja. Espero que goste do presente, minha filha.


Com Amor Joana MaCleyn Halyn (mamãe).




Eu queria poder acreditar nas suas palavras, mas preferia que elas fossem ditas. Eu me deliciei com o pão que ela fez e com o suco natural que ela sabia que eu gostava. Não entendi com o que ela disse com sacrifícios. O que me deixou com mais medo foi em perdê-la principalmente porque ela era a minha mãe um ser que eu não teria outra, foi ela que me deu a vida que tenho agora e não vou desperdiçar só porque tem um monte de invejosos que falam besteiras, porque a odeiam. Enquanto isso me faz ama-la cada vez mais.
Eu me levantei e fui direto para a sala onde vi uma caixa branca com letras douradas com o nome de umas das mais caras lojas de vestidos que tinha em Frankfurt. Eu a abro e dou de cara com um vestido vermelho tomara que caia que ia mais ou menos até os meus joelhos. Eu queria poder abraçar a minha mãe e pedir desculpa pelo o que eu disse, sei que fui muito ríspida com ela. Mas quando cheguei ao seu quarto ela dormia em um sono profundo. Eu olhei para o relógio redondo que tinha na cozinha, percebi que tinha umas quatro horas ainda e eu não sabia o que fazer com o meu cabelo, que cor pintar as minhas unhas, nada.
Eu escuto o som da campainha de casa, não leva dois segundos e eu já estou lá. Meg sorria com um monte de sacolas na mão:
-Pronta para arrasar, Sr. MaCleyn? – disse ela
-Um pouco nervosa. – sorri envergonhada.


Durante as quatro horas que estávamos em meu quarto, eu não vi minha mãe se mexer ou se levantar, eu queria agradece-la, mas não tive tempo. Meg usou muitas coisas em mim, baby-liss para enrolar mais as minhas ondas, maquiagem e um sapato alto e da cor de meu vestido. Meg estava fabulosa em um vestido com decote em V na cor preta que chegava aos tornozelos finos que ela tinha, com uma maquiagem clara em seu rosto claro ficou uma coisa meio estranho. Eu não sabia como eu estava porque Meg falou para mim não me olhar no espelho até que eu chegasse à festa e ir a uns dos banheiros. Meg falou que na entrada da Festa erámos anunciadas como se fazia nas antigas festas, o que me fez corar mais ainda.
Meg pegou o Corsa branco que seu pai lhe deu e ainda fez uma manobra muito perigosa que ainda me deixou com medo que sofrêssemos algum acidente. Eu estava usando as lentes de contato que Meg e Valentina me deram, como eu nunca as usei, sentia que meus olhos estavam se enchendo de agua cada vez que eu ficava uns trinta segundos sem piscar. Logo Meg estacionou na frente do salão em que a festa de Valentina estava acontecendo. Vi que Meg ligou para o telefone de Valentina que logo apareceu em um vestido bege com detalhes em preto, ela estava bonita. Eu e Meg saímos do carro e Valentina ficou de boca aberta:
- Cadê a minha melhor amiga? – perguntou ela ainda com a boca aberta.
- Eu estou tão diferente assim? – perguntei também.
-Você não se olhou no espelho?
- Eu fui culpada nisso, queria que ela tivesse uma surpresa. – respondeu Meg
Entramos uma do lado da outra e tinha um homem ao lado das portas de entrada do salão. Meg foi a primeira dizer o seu nome e Valentina pediu para que ele pedisse a atenção e dissesse que as próximas a entrar eram muito importantes para a aniversariante e assim ele fez:
-Por favor, peço a atenção de todos nessa hora. – dizia voz grossa do homem. – Senhorita Meg Elizabeth Lauren. – Meg entrou como se fosse uma princesa e percebi que Victor estava de boca aberta e ao seu lado Pedro rindo da reação do amigo.
- Lola MaCleyn Halyn. – falei o meu nome no ouvido do homem.
- E Lola MaCleyn Halyn. – Eu estava atrás do homem que saiu de minha frente e eu apareci. Se pudesse o meu coração estaria em minhas mãos. Eu olhei para todos que estavam na festa e percebi que todos estavam me olhando incredulamente. “Acho que eles estão acostumados a me ver diferente” pensei eu.
Eu desci devagar os degraus que eram brancos, as paredes com mascaras grudadas de varias cores e panos cobrindo as enormes janelas na cor dourada. Valentina e Meg sorriam para mim de modo que estivessem orgulhosas. Pedro se aproximou de mim, de modo que meu coração começou a dar saltos. Percebi que estava vermelha como o meu vestido. Ele sorriu quando chegou perto de mim, de modo que ele também estava nervoso:
-Oi. – falou ele sem respirar.
- Esta tudo bem. – perguntei.
-É que eu, já te achava linda e agora esta mais ainda. – corei.
-Obrigada. – Dei um sorriso tímido e sai de sua frente indo em direção ao banheiro enorme que tinha no salão. Eu respirei fundo e passei pela porta marrom e fechei os meus olhos e quando os abri eu já estava na frente de um grande espelho. No momento em que me vi, não sabia que eu era. Os meus cabelos estavam mais enrolados nas pontas, as maçãs do meu rosto estavam com um blush que era quase da minha cor destacando os meus olhos pintados de uma cor clara e escura com lápis de olho delineando-os, meu lábios estavam mais vermelhos do que já eram. Eu percebi que estava bonita como no conto da cinderela. Eu carregava uma bolsa de mão pequena, que cabia um batom e o meu celular que acabou tocando, era uma mensagem:


Espero que goste da festa, porque no final dela, quem vai acabar com a sua alegria serei eu ou irei acabar com a festa e com o dia de sua melhor amiga.


-Maníaco desgraçado, ele não ter... – parei quando percebi que entrava pessoas no banheiro.
Meg e Valentina entraram sorrindo, me perguntando se eu havia gostado do resultado das quatro horas. Eu dei sorriso tímido que elas logo perceberam o que era. Eu fiz sinal para que elas procurassem no banheiro se tinha alguém. Dois minutos depois elas estavam de volta, eu em silencio mostrei a mensagem a ambas. Valentina queria mandar revistar todos que estavam lá, mas eu disse que seria melhor deixar para quieto. Saímos do banheiro com sorrisos falsos estampados nos nossos rostos, o que me deixou mais nervosa.
A musica que tocavam era um tipo de eletro que eu não soube dizer de quem era, mas estava mais para David Gueta. Matt se aproximava e Valentina não tinha visto então eu a cutuquei que viu o que eu queria dizer. Ambos sorriram e foram dançar juntos. Meg estava esperando que Victor a convidasse, eu vi de longe que ele estava nervoso. Eu fiz sinal para Pedro que entendeu. Ele deu um tapa no ombro de Victor e falou algo que não pude ouvir por causa da musica alta e barulhenta. Mas percebi que tinha dado certo.
Todos estavam rindo e dançando. Meg ria alto e cochichava algumas coisa no ouvido de Victor que o fazia ficar vermelho. Matt e Valentina riam baixos e ficavam vermelhos quando ambos falavam a mesma coisa. Eu estava sentada num canto vendo minhas amigas felizes. E algo passou pela minha cabeça me perguntando se um dia eu ficaria assim: Feliz. Eu sorri vendo todas felizes, mas o meu sorriso desapareceu quando Pedro se sentou ao meu lado:
-Está gostando da festa? – perguntou ele.
-S... Sim. – gaguejei. Ficamos quietos durante um bom tempo. Até que ele mesmo quebrou esse silencio.
-Quer dançar? – ele perguntou olhando no fundo dos meus olhos.
-Quero. – respondi sorrindo.
Ele pegou a minha mão e me conduziu até onde todos estavam dançando. Ele pôs uma das minhas mãos em seu ombro e depositou a sua em minha cintura, e uma musica lenta começou a tocar. Começamos a conversar sobre varias coisas. Sobre a minha família, sobre a dele, problemas... Outra musica lenta começou a tocar e agora nossos corpos estavam mais pertos agora. Eu podia sentir o hálito quente que ele tinha e o perfume amadeirado que ele tinha. Os olhos azuis não saiam dos meus olhos, sua boca fina estava perigosamente perto da minha, eu não queria beija-lo não ali com todos me vendo. Até que a musica parou e eu voltei ao normal.
Meg se aproximou e me ofereceu uma cerveja. Eu nunca bebi no minha vida, mas era uma festa e acabei cedendo. O liquido que estava gelado e era amargo desceu pela a minha garganta, eu queria tê-lo cuspido, mas eu não iria fazer isso na frente de todos.
E pela segunda vez eu fiquei bêbada, eu mal conseguia ficar de pé. Pedro estava ao meu lado me ajudando em tudo, em não tropeçar, em não vomitar, em caminhar direito. Eu até pensei que era paranoia minha, mas eu ouvi um grito que eu conhecia.
-Você escutou isso? – perguntei para Pedro.
-Não. O que foi? – eu não pude responder, por que eu sai correndo, em busca do grito que eu havia escutado.
E em por um breve tempo eu pensei que algo havia acontecido com Valentina ou com a Meg, mas eu não deixaria que nada acontecesse com elas por que o nosso principal suspeito era aquele com que eu dancei durante uma musica que nem eu mesma tive tempo de escutar ou de saber de quem era, por que as safiras azuis que Pedro tinha me tiravam toda a atenção e de alguma forma eram elas que deixavam o meu dia feliz.
Eu corria pelos fundos do salão quase tropeçando, no banheiro, na cozinha e até mesmo no banheiro dos meninos. Até que eu cheguei ao estacionamento, Pedro estava comigo eu engoli em seco quando vi uma mão caída no chão e que o corpo de sua dona estava atrás de um carro na cor vinho. Ela era pálida e estava com as unhas bem feitas. Eu quase caio quando vi de quem era àquela mão. O cabelo vermelho estava despenteado como se ela tivesse tentando se salvar. O vestido branco estava sujo devido ao sangue que escorria pela a sua barriga, eu tentei gritar, mas nenhum som saia da minha boca. Eu olhei para Pedro que estava ligando para o pai, que parecia que não estava acreditando. Por que com a Lisa, o que foi que ela fez. Valentina. Lembrei-me da mensagem: irei acabar com a festa e com o dia de sua melhor amiga. Ele não podia fazer isso, matar a Lisa e dizer que a culpada foi a Valentina. Eu me aproximo mais do corpo de Lisa e percebo que seu rosto estava um pouco desfigurado com se tivessem arrastado ele. Eu vou ter o prazer de arrastar esse seu nariz. Não, ele não pode fazer com que prendam a minha amiga, eu não vou deixar. Eu tinha que contar a Valentina de alguma forma, de alguma forma ela tinha que sair de lá.
Eu voltei correndo para dentro do salão e fui em busca de Valentina a fim de avisa-la. Pedro vinha correndo atrás de mim. Eu avisei a ele que estava procurando Valentina e me falou que ajudaria, eu a encontrei dentro do armário com Matt. Eu a puxei que gritou em protesto. Eu a levei para o banheiro e lhe informei o que aconteceu e falei para ela ir pra bem longe de Frankfurt. Ela riu e achou que eu estava brincado só então percebeu que era verdade, depois que a policia chegou, mas já era tarde de mais para fugir.

By: Paola Araújo

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Segura-11° Capítulo



Verdades, brigas e lágrimas


Não sei como esse maníaco conseguiu saber, que naquela noite apenas eu tinha tirado fotos escondido das meninas. Que só eu poderia mandar para a mídia aquelas fotos e tudo estaria bem novamente. E nenhuma seria presa.
Meg estava nervosa demais para dizer se estava tudo bem com ela pelo telefone. Valentina também. Eu só tinha que pegar o fax que mamãe tinha na sua sala e mandar clandestinamente ou poderia dar a um repórter e manda-lo ir a algum lugar onde eu mesma posso colocar e ele ir pegar.
É eu achei melhor a segunda opção. E lá fui eu ligar para o repórter Maurício que era do canal 12. Ele seguiu as minhas instruções como eu havia dito. Naquela tarde eu havia imprimido as fotos no computador velho que tinha em meu quarto e colocado numa pasta negra e escrevi Maurício na capa da frente.
No outro dia era manchete, tanto em jornais e revistas quanto na tevê. Pude ouvir o Sr. Damon gritando na sua casa, vendo o noticiário. Acho que ele não gostou nada sabendo que informações haviam saído de dentro da delegacia. Principalmente sobre o assassinato de Victoria.
Não deixei de me lembrar dela, principalmente, quando ela foi eleita à garota mais bonita da escola, e eu a mais feia. Não me sentia feia, e Victoria me dizia isso também. Ela apenas me dizia que o que valia era a beleza de dentro. Isso até ela começar a se virar contra mim, por causa de Carl e minha irmã. O garoto era namorado da minha irmã. E ela, só por ter sido eleita a mais bonita, não significaria que ela tinha que ficar com um dos garotos da faculdade, principalmente quando ele tem namorada.
Isso me deixou com raiva e ela também, por que ao invés de defendê-la, eu defendia a minha irmã. Durante dias Victoria dizia-me que Carl a fazia se sentir como uma linda garota louca para ser uma princesa. E eu sentia que queria vomitar.
Estávamos ainda no final do ano letivo e ainda tinha mais um ano para o ensino médio acabar e logo ir para a faculdade dos meus sonhos “Harvard”. Meg dia que queria fazer medicina e Valentina queria fazer artes, o que me deixou boquiaberta. Nunca percebi que Valentina tinha algo a mais pela arte, até eu descobrir que era por causa de Matt, um garoto alto, moreno e lindo.
Durante o percurso, eu ouvia uns sons meio que estranhos. Eu olhei em volta para ver se tinha alguém por perto, mas eu não via ninguém. Meu coração começou a acelerar de um modo que eu não sabia explicar, tudo que eu sentia parou quando eu o vi de cabeça baixa.
Eu o conhecia de alguma maneira, pude ver quem era e como estava e tudo por minha causa. Os cabelos negros estavam escondidos sobre um boné da Nike, o jeans que ele usava mostrava as pernas másculas que ele tinha e a camiseta laranja não combinava com ele. Eu me aproximei e me sentei ao seu lado, pude ver os olhos que eram como eu me lembrava. Negros. E o rosto esculpido por anjos continuava o mesmo. Ele sabia quem eu era agora e poderia ter os seus motivos para me odiar, mas eu apenas vi um sorriso em seu rosto e eu não pude deixar de sorrir também:
- Ela não tinha me dito que tinha uma irmã. - falou ele.
-Sinto muito, mas ela tinha que saber. – falei eu com o meu tom normal de voz.
- Eu sei, só que... Quando era eu e ela, era uma coisa mágica. – ele suspira. - E quando era com a Victoria era uma coisa selvagem. – ele dá um sorriso malicioso, que eu não gosto nada.
- Minha irmã, sempre me falou bem de você. – mudei de assunto.
- Nós não conversávamos muito, éramos mais com beijos as nossas conversas. – percebo que ele fica triste de um modo que me lembrava de alguém. Alguém como eu.
- Você a amava? – perguntei direto.
- Ama-la, foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. – e dessa vez, eu vi que ele estava sendo sincero.


Eu sai de um jeito que nem eu pude entender e muito menos ele. Carl nunca quis trair a minha irmã, mas com certeza Victoria não conseguiu conquistar o garoto. Eu estava indo fazer o meu ato de caridade com os desabrigados, carregando a sacola cheia de sanduiches quando o Sr. Damon para em minha frente e me faz levar um susto. O homem me olha como se fosse me atacar, de um modo que não seria com a arma e sim com os punhos. Eu fechei os meus olhos para não ter que ver a cena, mas tudo que pude sentir foi um abraço, um abraço reconfortante. Era um abraço de pai.
Meus olhos logo se encheram de lagrimas e eu mordi o lábio inferior para que elas não caíssem. Eu senti o Sr. Damon se afastar, eu abri os meus olhos e o ouvi dizer um “bom dia”. Eu fiquei meio estranha, mas continuei a ir pelo o meu caminho. Mas no meio dele eu resolvi ir para outro lugar.
Depois que o meu pai havia morrido o cemitério era um lugar bastante bom para mim. Bom para pensar, para me concentrar em assuntos que não eram da importância de ninguém, lá eu me sentia melhor porque eu poderia ser eu.
Valentina me chamou de doida quando disse que gostava de ficar no cemitério para pensar. E ainda falou que isso era coisa dos góticos. Victoria ficou quieta, pois temia a morte, mas adorava dizer que queria ficar jovem para sempre, e se ela fosse morrer gostaria que estivesse linda como era agora. Eu suspirei diante desse pensamento porque ela conseguira morrer linda e jovem. Eu passei por seu túmulo, eu havia roubado flores numa casa branca que havia ali perto, elas estavam perto da calçada e poderia ser pegas facilmente. Deixei uma no tumulo dela e nem uma gota cai em minha face. Quando cheguei na de meu pai, pude perceber que seu nome estava quase desaparecendo. Eu limpei pensando que fosse sujeira. E assim pude ler as letras que tanto faziam o meu coração doer.


César Augusto MaCleyn Júnior
Amado amigo, irmão, marido e pai.
Que descanse em paz.


Sinceramente, pude ver que meu pai ainda estava ali, que eu podia senti-lo. Eu gritei ao vento ou para quem quisesse ouvir que eu o amava e que nunca o esqueceria. Uma brisa surgiu do nada balançando os meu cabelos e tive quase certeza que podia ouvir um “eu também” eu engoli o choro e continuei pelo caminho que eu tinha que ter ido a muito tempo, eu já estava atrasada e muitos desabrigados deveriam estar com muita fome.


Mal cheguei em casa, pude perceber que minha mãe não estava. Eu não queria ficar sozinha em casa, então liguei para Valentina e perguntei se ela podia vir dormir na minha casa. Ela não podia, A Sra. González a colocou de castigo depois de uma nota baixa, eu disse para ela que eu poderia ajuda-la, mas não adiantou. Resolvi ligar para a Meg que também não pode vir porque ficara doente. Eu nunca soube porque Meg ficava doente muito fácil, até saber que o que era imunidade baixa, ai sim pude saber como ela ficava doente.
Cansada de fazer nada, fui até meu quarto peguei um elástico e amarrei o meu cabelo, peguei um livro e fui para a área da minha casa m sentei num dos bancos que havia e comecei a ler. O romance era como sempre ao meu gosto, mais ação do que beijos, muitos carinhos do que despedidas e sempre um final feliz. Eu estava lendo a decima pagina quando percebi que tinha alguém na minha frente. A camiseta preta e a calça caqui marrom deixei seus olhos mais a mostra e o cabelo cor de ouro molhado o deixava mais bonito. Me senti envergonhada de bermuda e uma camiseta escrita “Salve o mundo” na cor verde, e de chinelos. Ele se sentou ao meu lado, eu fingia que estava lendo, mas eu prestava atenção no movimento que seu peito fazia enquanto respirava, no cheiro do perfume, e nos olhos que olhavam para o nada. Com raiva de que ela não falava nada, fechei o livro bruscamente e olhei para ele:
-Oi,. – sorri falsa.
-Oi. – ele olhou para baixo.
-O que foi. – agora eu estava preocupada.
- Você viu uma camisa minha por ai, é que ela é muito importante para mim.
-Você veio até aqui, pra me perguntar sobre uma camiseta? – agora eu estava braba.
- Sim.
-Como é a sua camiseta?
- É uma do Detroit Red Wings.
- Eu... – A pista do assassinato de Victoria. – Não, eu não vi.


Levantei-me e entrei casa à adentro e tranquei a porta para que assim eu soubesse que ele não entraria.


-O que? – perguntou Valentina ao telefone.
-É eu sei, ele veio e me perguntou sobre a camiseta.
-Lola acho que você devia contar a ele, que nos fomos para a delegacia e descobrimos tudo aquilo.
- Se contarmos o Sr. Damon me mata.
- Por que ele te mataria?
-Eu não sei, ele foi muito estranho hoje comigo. Eu estava indo levar os sanduiches para os desabrigados quando ele parou na minha frente e me abraçou.
- Bizarro amiga.
- É eu sei.
-Tenho que desligar, quem sabe na escola nos conversamos melhor.
- Ok, tchau.
Eu estava com muito medo e com muita dor no coração. Saber que a pessoa que você está gostando pode ser o assassina da sua amiga-inimiga é algo muito cruel, não consigo mesma, mas com o seu coração também.




Na escola as coisas estavam bem, principalmente quando Lisa esta de volta com a sua tripulação e quando ela se torna sua amiga. Lisa se sentou do meu lado durante toda a semana, ela ficava no meu pé vinte e quatro horas. Pelo que percebi, ela gostava de fofocar. Alice sempre me olhava e me mandava mensagens dizendo para eu dizer para Lisa que ela estava com saudades de sua melhor miga, mas nada mudou.
Durante duas semanas inteiras eu não conseguia falar com Meg ou com Valentina que olhava para a Lisa com vontade de mata-la. Na aula de historia eu pedi para ir ao banheiro ante s de ter manda uma mensagem para Valentina e Meg para que elas pudessem pedir para ir a algum lugar que não fosse ao banheiro.
Logo vi que elas estavam me esperando no corredor com a cabeça baixa. Eu não pude dizer, mas eu sentia falta delas, o que as deixariam felizes, mas nada saiu da minha boca. Meg estava louca para contar uma coisa e Valentina louca para pular no pescoço de Lisa. Quando chegamos no banheiro Meg foi a primeira a falar:
- estou apaixonada. – disse ela rindo.
- Ah era isso. – falei sarcástica.
-Pensei que fosse algo mais interessante. – falou Valentina entrando na brincadeira. Meg riu.
-Muito engraçado. – disse ela.
- Quem é o sortudo? – perguntei eu, sorrindo para ela.
-Victor Alexander Conrad. – o nome dele saia com se fosse mel da boca de Meg.
-Ele é interessante e inteligente. – falou Valentina.
- E é a amigo do Pedro. – Meg viu que a minha reação não foi muito boa, porque depois da minha conversa com Valentina. Ela ligara e eu contei o que eu havia descobrido. – desculpa Lola eu me esqueci desse pequeno detalhe.
- Tudo bem. – falei eu. – devemos voltar para a sala, garanto que o Sr. Thomas não vai gostar de saber que nós demoramos a voltar.
Na hora do almoço pude sorrir com as minhas amigas, gargalhamos muito. Até Pedro passar com Victor e Matt, o que me deixou sem ar. Valentina e Meg perceberam e começar a fazer piadinhas para que eu me distraísse. Logo vi que Valentina ficara com o rosto vermelho de raiva e percebi que Lisa estava atrás de mim. Com o seu nariz empinado e o cabelo ruivo solto e liso a deixava bonita, o que me despertou a mesma inveja que eu tinha de Victoria. Lisa se sentou ao meu lado e começou a fofocar, eu recuei um pouco para o lado de Valentina, a fim de fazer com que ela parasse, mas isso não foi possível.
Lisa tagarelava toda a hora, não dava nem um minuto para que pudéssemos responder as suas perguntas, até Valentina se levantar e começar a xinga-la:
-O que pensa que você esta fazendo? – gritou Valentina. – Durante anos você menosprezava a Lola e agora que ela esta bem, você vem e fica amiguinha dela.
-Que eu saiba já éramos amigas há muito tempo, sua recalcada. –Não deu dois minutos Valentina estava em cima de Lisa. Matt segurou Valentina para que ela parasse de bater em Lisa. Lisa estava toda suja devido ao banho de molho que caiu sobre as duas.
-Ela me chamou de recalcada. – falou Valentina.
-O que o ciúme não faz. – Dizia Lisa com o nariz empinado.
-Eu vou ter o prazer de arrastar esse nariz empinado que você tem Lisa. – retrucou Valentina. – Alias não sou eu que estou com um arranhão no meio da cara que esta marcada com os meus dedos. – Lisa estava mais vermelha do que já estava, ela nunca foi humilhada.


Elas ficaram na sala da orientadora, até a hora de voltar para casa. Eu corri para Valentina e a abracei forte. Queria saber tudo que aconteceu lá dentro da sala e o que haviam feito com ela. Se a mandaram para o reformatório ou fazer atos de caridade. Ela riu depois que eu me afastei dela, eu fiz cara de por-que-você-esta-rindo? E ela me respondeu que Lisa teria que cuidar de crianças negras e que ela começou a fazer um fiasco porque não queria e a professora a acusou de racismo e ela disse bem alto que era racista. Depois percebi que Lisa não sabia o que era racismo.
Em casa eu tentei falar com minha mãe que estava sentada de frente para a lareira. Eu me sentei ao seu lado para que conseguíssemos conversar. Ela olhou para mim com as rugas a mostra, o que e deixou com nojo.
Mamãe foi uma bonita mulher, mas depois de tanto usar maquiagem acabou com cara de velha aos trinta e sete anos. A única coisa que continuava bonito nela eram os olhos e os cabelos que eram de um castanho claro que estava mais para bronze. Ela fez menção de falar algo mais eu a interrompi:
-Mãe eu sei que sou a filha, mas você esta se comportando como uma e eu como a mãe.
-O que? – flou a voz grave de minha mãe.
-Mãe sabe o que falam de você? O que eu tenho que ouvir escondido dos outros por que eles não querem me ver sofrer mais do que já sofro com a morte do papai. – Agora meus olhos estavam cheios de lágrimas.
-Lola, eu nunca quis isso para você. Eu não sei nem o que dizer, e eu sou a mãe e são minhas escolhas então... – interrompi minha mãe novamente.
-Você quer que continuem te chamando de rodada. – eu mal terminei a frase e recebi um tapa em meu rosto, eu pousei a mão no lugar que estava quente e dolorido. Agora eu estava não apenas com raiva de mim, mas de minha mãe também. Eu subi para o meu quarto sem olha-la. E fiquei lá o resto da noite, até o outro dia. Em que eu a esperei sair para que depois eu fosse para baixo tomar o meu café da manhã e ir para a escola.

By: Paola Araújo

terça-feira, 22 de maio de 2012

Segura - 10° Capítulo





                              Um dia de Investigadoras


-Lola, acorda. _ dizia uma voz enjoada que eu conhecia. – Anda Beth, acorda.
“Beth”. Eu não estava creditando no que eu estava escutando. Eu levantei meio desconcertada com o que estava acontecendo, ela estava li parada em minha frente, como se nada tivesse acontecido. Ela continuava impecável o cabelo loira indo até a metade de sua coluna, os olhos azuis escondidos atrás de uma grande camada de maquiagem, e os lábios rosados levemente inchados abertos em um sorriso malicioso. Ela estava vestindo a roupa que eu Meg e Valentina havíamos colocado nela no dia de seu funeral.
Meu corpo estava perplexo e nervoso. Meu coração estava mais acelerado do que nunca:
-Não vai me dar um abraço? – perguntou ela
-Como posso, se v... Você esta m... Morta. – gaguejei
-Eu posso estar morta, mas não do jeito que pensa.
Dito aquilo eu acordo com um som vindo da sala, como se fosse uma pancada. Eram quase dez da manhã. Eu me levanto sem os meus óculos e vou direto à sala. Minha mãe estava com o seu robe preto que ia até a metade de seus joelhos finos. Ela estava tentando cozinhar, mas a panela quente não a deixou levar até a mesa. Pude escutar ela falando um nome feio.
Eu estava rindo vendo aquela cena, ela me olhou com um olhar de você-não-vai-me-ajudar-com-o-que-eu-fiz, não conseguia segurar o riso. Depois de lavar tudo e limpar, ajudei a minha mãe a fazer waffles e de ensina-la a como usar uma frigideira. Não fazíamos a coisas como estas  a muito tempo, principalmente fazer coisas juntas.
Minha mãe ligou a tevê no noticiário e estava passando uma reportagem sobre a morte de Victoria:
- Hoje foi esclarecido como Victoria Louise Trentham morreu. Ela morreu sufocada, provavelmente a pessoa que a matou a sufocou com um pano até que a vítima não conseguisse mais respirar. – dizia um homem alto e bonito. – Aparentemente a policia municipal de Frankfurt conseguiu pistas sobre o assassinato da menina... – minha mãe desliga.
Minha mãe viu como eu fiquei vendo o noticiário. Ela percebeu que eu estava em estado de choque. Só que nessa hora eu me lembrei do sonho que tive com Victoria. “Eu posso estar morta, mas não do jeito que pensa”. Foi nisso que eu pensei. Victoria me falara que ela morreu de outro jeito. Se a policia sabe, porque disse a mídia outra coisa, provavelmente falara a mesma coisa para os pais dela. Porque a policia esta mentindo?
Eu ligo para Valentina que atendo no segundo toque:
-Lola eu tive um sonho muito esquisito. – falou ela primeiro
-Eu também, mas como era o seu?
-Tinha a Victoria, dizendo que ela não morreu do jeito que eu penso. – fiquei muda. – Não me diga que você teve o mesmo sonho.
-Temos que ligar para a Meg. – A campainha da minha casa toca. –Espera eu vou ver quem é na porta. Não se passou dois minutos eu falo com Valentina novamente. – Val, vem aqui em casa, Meg teve o mesmo sonho que nós.

Todas nós estávamos em meu quarto, sozinhas. Mamãe disse que teria uma reunião com os professores e se foi. Achei estranho que quando ela disse isso, Meg e Valentina se entreolharam de um jeito estranho e pareciam que sabiam o que ela iria fazer.
Meg estava com uma calça jeans escura e uma camiseta preta e longa e de tênis cor de rosa. Valentina estava de vestido curto, mostrando as pernas de modelo que ela tinha. Já estava me sentindo esquisita vendo que ambas eram lindas:
-Antes de começarmos a falar sobre o nosso sonho. Por que não falamos sobre o Pedro. -  disse Meg com um sorriso malicioso nos lábios. Eu suspirei rindo.
-Agora conta. – falou Valentina
-Nós...
-Nós – disse as duas ao mesmo tempo.
-Nos beijamos. – Mal terminei a frase as duas estavam gritando e eu rindo.
Depois de muitos gritos e risadas. Começamos a falar sobre o sonho que ambas tivemos. Todas concordaram que tinha algo errado, e que queríamos saber por que policia mentira sobre a morte de Victoria. Todas queriam respostas, todas queriam saber o que realmente aconteceu naquela festa e o que aconteceu com Victoria. Eram quase onze horas e Valentina que tinha um cérebro que só pensava em fazer besteiras. Falou para que nós fossemos a delegacia de policia a fim de ver  ficha da morte de Victoria. No momento fiquei com medo e fiquei falando que podíamos ser pegas, mas Meg falara que nada poderia acontecer à noite.
E lá fui eu, vestida de preto da cabeça aos pés, assim como Valentina e Meg. Valentina conseguiu abrir a porta da delegacia com muita facilidade. Eu sussurrei um como-foi-que-você-fez-aquilo. Ela me mandou um torpedo, dizendo que aprendera com o irmão.
O irmão mais velho de Valentina, o Judie, era alto, muito magro e tinha cara de brabo, cabelos negros e olhos escuros. Minha mãe não queria que eu fosse amiga de Valentina porque ela tinha medo que o irmão dela fizesse alguma coisa para mim.
Quando chegamos num corredor, que tinha varias placas. Nos fomos para uma que dizia “Sala de arquivos”. Meg foi à frente a fim de ver se tinha alguém, e para nossa alegria o Sr. Damon estava à sala ao lado. “Droga” pensei eu. Agora eu estava com mais medo de ser pega. Mas o que me deixou calma, foi saber que ele estava dormindo. Passamos com passos muitos silenciosos por ele e entramos na sala.
Ela era pequena e fedia a mofo. Havia muitos armários de ferros com nomes de A a Z e com respectivos anos de mortes, acusações, roubos e etc. Meg procurou o nome de Victoria na ala do ano de 2012 enquanto eu e Valentina ficávamos cuidando para ver se o Sr. Damon iria acordar:
-Achei. – sussurrou Meg. – todas fomos a uma canto com nossa lanternas a fim de ver o que estava no papel.
-Ela não foi sufocada. – disse Valentina
- Quebraram o pescoço dela e... – falei eu
-Lhe arrancaram os olhos. – falou Meg. Meg e eu estávamos pasmas com o que estava escrito, Valentina continuou lendo o papel.
- Aqui diz, que outro corpo foi encontrado, mas não foi identificado. - Falou Valentina.
-Por que? –perguntei eu
-O rosto estava desfigurado. Como se alguém batesse mil vezes no rosto da pessoa.
-Ou usasse uma faca, para fazer o estrago. – falei eu.
-Como assim? – perguntou Meg. Eu respirei fundo.
-No dia que eu recebi a noticia que Victoria tinha morrido, eu havia sonhado, que alguém que ela conhecia a matou. Mas antes disso acontecer, essa pessoa lhe mostrou algo. Eu não pude saber o que era, mas eu tenho certeza que foi uma faca.
-Então essa outra pessoa que morreu, pode ter visto o assassino. – Falou Meg novamente.
-E como essa pessoa o viu, ele pode muito bem tê-lo visto também. – falou Valentina
-E por isso o matou. – falei eu.
Eu pego o papel e o leio e o releio umas duas  vezes. Meg e Valentina me olhavam com cara de suspeitas eu olho para elas e digo:
- No lugar que a Victoria morreu foi encontrada, uma camiseta dos Detroit Red Wings. Com sangue das vítimas.
- Quem são os Detroit Red Wings? Uma banda nova? – perguntou Meg. Eu revirei os olhos e Valentina riu.
-É um time de hóquei. – falei por fim.
-Então essa pessoa é fã desse time, não é? – perguntou Valentina.
-Acho que sim. – falei eu.

Eram quase duas horas da manhã e ainda estávamos dentro da pequena sala de arquivos da delegacia municipal de Frankfurt. Meg avisou aos pais que ficaria em minha casa, assim como Valentina. Valentina colocou o arquivo no seu lugar enquanto Meg e eu ficamos sentadas esperando ela nos avisar se poderíamos ir. Todas estavam com medo da sair e encontrar o Sr. Damon desperto. Já como nem a Meg e nem a Valentina tiveram coragem para ir ver se o homem estava dormindo ainda. Eu suspirei e respirei o ar e o tranquei dentro de mim para ver se ele continuava a dormir. E ele estava do mesmo jeito que antes. Eu fiz sinal para que elas me seguissem e foi o que fizeram. Quando estávamos na metade do caminho. O telefone do Sr. Damon toca. Abaixamo-nos rapidamente e ficamos abaixo de sua escrivaninha. Ambas com a mão na boca, segurando o ar que ousava sair:
Delegacia de policia de Frankfurt. – falou ele. – Como alguém iria conseguir entrar na delegacia há essa hora? – todas ficaram com os olhos arregalados. Eu soltei o ar com dificuldade, mas bem lentamente. Valentina e Meg fizeram o mesmo. –Eu vou verificar a sala dos arquivos. – com aquilo dito o Sr. Damon saiu e eu vi que era a oportunidade perfeita de sair dali correndo e foi o que fizemos.
Uma hora depois estávamos em casa, todas arfando com felicidade. Por que conseguimos sair de lá sem sermos pegas. Meg foi fazer um chocolate quente para nós enquanto eu e Valentina fomo arrumar as camas em meu quarto. Conversamos um pouco mais sobre o que estava acontecendo com nós. E eu resolvi contar a elas que Lisa apareceu na minha casa durante a noite, dizendo estar arrependida das coisas que fazia comigo. Meg e Valentina ficaram boquiabertas com o que eu disse. Mas elas sabiam que eu iria perdoar, por que eu era uma boa pessoa (só com aqueles que merecem). Depois Valentina disse que estava afim do seu instrutor de ciências, Meg e eu fizemos caretas. O instrutor de ciências de Valentina, era o Carlos Knoxville. Ele era um moreno que tinha descendência de índios, tinha uma boca grande ( não no termo de ser fofoqueiro) e os olhos meio puxados.
Logo fomos dormir, porque no outro dia teria aula.
Eu me deito e durmo direto e sonho novamente com Victoria.
Eu escuto uma batida na cozinha, eu me levanto e vejo Victoria com uma pá na mão e o seu sorriso malicioso nos lábios rosados. Ela olha para mim triste, por que me vê com lagrimas nos olhos:
-Lola, acho que se você mudasse o seu visual, mudaria o seu humor. – disse ela coma voz enjoada com humor negro.
- Não lembro o que eu falei. Eu não vou mudar o que sou.
-Querida, isso só vai melhorar a sua vida.
-Melhorou a sua? – perguntei olhando ela de cima para baixo.
-Você não sabe o que esta falado. – falou ela com a voz mais grossa e em tom de ameaça. – Você não vai mudar agora, mas logo vai.
-Mas não vai ser por você. – digo no mesmo tom que ela. Victori começa a se descascar, mostrando a sua carne viva e sangrando pelos olhos, nariz e olhos. -  o que esta acontecendo?  -pergunto olhando para ela.
-Nada, apenas estou morrendo, desaparecendo. Vai sentir a minha falta Beth. – falou ela coma sua voz normal.
 -Você foi a melhor amiga que eu já pude ter Victoria, mas foi a pior inimiga que eu já tive também. Então eu não sei se vou sentir a sua falta, por que eu sei muito bem, que se eu estivesse no seu lugar, você não iria sentir a minha. – o olhar dela passou de nariz empinado a um olhar de tristeza.
-Adeus. – disse ela antes de pegar em fogo.
Eu acordo assustada, assim como Valentina e Meg. Todas estávamos com o coração partido e doendo por causa de Victoria. Levantamo-nos e nos abraçamos e começamos a chorar. Um chora de alivio, por que aquela que nos deixava com medo, com vergonha de nós mesmas de sermos quem somos, havia partido e nos deixado algo que nunca iriamos esquecer. A morte. Eu me levantei e fui até a cozinha e vi que minha mãe deixara um bilhete escrito, que voltaria apenas à noite, me deixou solitária novamente. Meg e Valentina arrumaram o quarto, enquanto eu preparava sanduíches para comermos de café da manhã. Logo nos arrumamos tudo e nos arrumamos.
Meg com Uma camiseta rosa clara escrita com um tom mais forte “Eu Amo Rosa” e uma bermuda clara com tênis rosa. Valentina estava usando uma camiseta verde com um casaco preto e fino com botões grandes e uma calça jeans escura com sapatilhas pretas. E eu como sempre me visto, quando as duas me viram daquele jeito fizeram caretas, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa os nosso telefones tocam. Era uma mensagem, era a mesma mensagem:

Pena que o policial não viu vocês, mas como eu tenho provas, posso mostrar e vocês serão pegas. Ou se as quiserem para si, contem para a mídia o que vocês descobriram.

Todas nos olhamos, ou era fazer o que ela nos pediu ou era todas nós presas. Meg se tremia ao lado de Valentina que me olhava com cara de que queria uma resposta. Eu não me lembro bem o que foi que eu disse, mas sei que nos arrependemos depois.

By: Paola Araújo

Segura-9° Capítulo.




                             Beijos e melodias

Lola

Eu acordo no chão frio do meu quarto. Acho que as imagens foram de mais para mim, a ponto de me fazerem desmaiar. Eu olhei par o meu telefone que estava ao meu lado. Eu tentei liga-lo, mas ele não ligou. Algo estava diferente comigo.  Algo que nem mesmo eu sei o que era.
Minha cabeça estava doendo. O meu quarto estava girando. Eu me sentia enjoada. Tentei descer para a cozinha, mas acabei quase rolando escada a baixo. Olho pelo relógio circular que tem na parede cor de creme da cozinha. Meia-noite e vinte e sete. Não era para eu estar sozinha em casa a essa hora. Mamãe já devia ter voltado há muito tempo. A campainha da minha casa toca.“Quem deve ser a essa hora?” pensei eu. Eu caminho lentamente, com medo que sege alguém, que não seja amigável. Eu chego à porta ainda com a visão embaralhada. Pego a maçaneta e a faço girar devagar. Eu estava exausta demais para perguntar quem estava na porta, mas quando aporta se abriu e a minha visão estava clara, pude imaginar que eu estava sonhando.
O cabelo ruivo estava despenteado e muito alto, a pele clara escondida por camadas de sujeira assim como a unhas que eram sempre bem feitas, a maquiagem estava por todos os cantos do rosto que tinha forma de coração e os olhos verdes, loucos para chorarem desesperadamente. Lisa estava a minha frente, e eu com a boca aberta espantada com a visita inesperada:
- Me perdoa. – Começou ela soluçando. – Por favor, me perdoa. Eu não sabia o que estava fazendo, por favor, me perdoa. – ela agora chorava. Eu não sabia o que dizer.
-Entra, esta muito frio ai fora. – disse por fim. Ela entrou se encolhendo todo e tentando engolir o choro.
Eu subi ao meu quarto, peguei as imagens macabras de Valentina e Meg e as coloquei de baixo do colchão. Peguei umas roupas minhas e uma toalha e fiz Lisa ir tomar um banho.
Quando ela terminou, eu já tinha preparado um chocolate quente. Nós nos sentamos nos sofás da sala. Lisa se sentou no sofá que ficava bem a frente da lareira e eu  me sentei na poltrona de meu pai  assim poderia olhar ela nos olhos. Um silencio começou entre nos, acho que podia ouvir, a respiração dela. O nosso silencio foi quebrado quando Lisa começa a chorar de novo:
- Sabe por que eu te odeio tanto? – falou ela.
- Não. – respondi. Eu estava tão calma.
-Por que você o matou. Matou a pessoa que eu mais amava no mundo inteiro. – me assustei quando ela falou aquilo. Aquilo era uma coisa muito estranha, ela o amava.
-Lisa, você estava chorando quando ele começou a tirar as suas roupas, eu vi...
-Eu sei o que você viu. Eu era nova de mais pra entender que ele era um pedófilo. Aquele filho da puta vivia dizendo que um dia nos iriamos nos casar e sermos felizes para sempre.
-Lisa eu sinto muito. – me sentei em seu lado. – Eu não tinha a mínima ideia. E foi um acidente, eu não queria que ele caísse. Eu sinto muito mesmo.
Lisa começa a chorar de novo. Eu a abraço e ficamos assim durante alguns segundos. Eu ligo para os pais de Lisa, para avisar que ela estava em minha casa. Os pais delas não acreditam, mas eu a ponho no telefone que fala para eles que tudo estava bem. Enquanto os pais dela não chegam, Lisa me conta que ficou na casa de arvore de Otavio. Como ela comia, ela usava o cartão de credito que o pai havia lhe dado há muito tempo, roupas, usava a mesma desde que sumira. Ela se banhava no lago durante a noite.
Eu perguntei para ela como era ser bonita. Quando eu fiz essa pergunta ela ficou quase da cor do seu cabelo, ela deu uma risadinha e depois falou que tinha seu lado positivo e seu lado negativo. Eu fiz uma careta o que a fez rir mais ainda. O lado positivo era que você podia ser popular e aquele garota com quem você sempre quis, poderia até ficar do seu lado e muitas outras coisas, na qual eu achei absurdas. O lado negativo era que a maioria das meninas iriam te chamar de vaca, vadia, cadela, patricinha mimada, puta... E um monte de coisas também.
Quando ela terminou de falar vi que o seu humor desapareceu. Acho que ser bonita naquele instante para ela não importava. Eu coloquei a minha mão sobre o seu ombro e declarei que ser bonita, pode ter os seus lados positivos e negativos, mas se começarmos a dar valor a beleza interior, podia conseguir, coisas melhores e encontrar pessoas maravilhosas que podem muito bem nos completar. Quando terminei aquela frase percebi que estava pensando em Pedro o que me deixou com raiva.
Logo percebi que eu estava escutando uma sirene de carro de policia, e a campainha da minha casa foi tocada. Eu fui até a porta e a abri o pai da Lisa quase me derrubou quando abri a porta. Ele e a esposa entraram correndo em busca de Lisa. Logo a encontraram e abraçaram-se. O Sr. Green começou a me xingar, eu não havia entendido por que. O Sr. Damon logo entrou e segurou o homem para que assim conseguíssemos conversar:
-Você prendeu a minha filha aqui! – gritava o homem.
-Acalmasse Sr. Green, ou terei que prende-lo. – ameaçou o Sr. Damon. – Lola conte o que aconteceu.
-A Lisa tocou a minha campainha e eu a abri. Foi isso que aconteceu.
-Isso é verdade. – falou Lisa.

Depois de toda conversa, todos foram embora e eu fiquei sozinha em casa novamente. 
Eu me sentia triste, quando a minha mãe não está em casa, principalmente sinto falta de Leona e suas maluquices. Mas sinto mais falta de meu pai. Eu olho para uma coisa que esta sendo escondido sobre um lençol. Minha mãe disse para eu nunca mais tirar, porque aquilo lhe traria más lembranças. Isso pode ser pra ela. Lembro-me de meu pai sentado na frente de seu Calda Longa. Seu piano. Tocando as mais belas melodias que um compositor poderia tocar. Meu pai me ensinou a tocar uma musica de Bob Acri. Sleep Away. Ela não era tão difícil.
Quando meu pai morreu, acho que foi o meu melhor momento para compor. Porque eu me inspirava nele, na sua morte e nas minhas dores. Vi que já era muito tarde, o sol já estava nascendo. Eu subi para o meu quarto e dormi.
De manhã quando minha mãe chegou, pude ouvir seus passos indo direto para o seu quarto. Eu senti que era a hora de perguntar o que estava acontecendo e o que estavam falando. Minha mãe era daquelas que não se interessavam pelo o que as pessoas pensassem de você, mas ela iria me escutar.
Quando levantei, com olheiras debaixo dos olhos e a barriga roncando de fome, liguei a tevê no noticiário.
Logo um homem com parecia ter uns cinquenta anos. Mostrava uma reportagem sobre o aquecimento global, outro mostrava sobre a campanha para ajudar desabrigados, levando comidas a eles e roupas. Eu me interessei nisso. Eu gostava de ajudar as pessoas, gostava mesmo. Lembro de uma vez em que eu dei quase toda a minha mesada a uma desabrigada que estava com um bebê no colo. Quase toda a minha mesada, por que naquele dia eu comprei um sorvete de casquinha.
Minha mãe estava descendo e eu gritei que iria sair. Ela não deu bola como sempre. Fui até esse lugar que estavam se reunindo para a campanha. Escrevi-me e logo peguei uma sacola com um monte de sanduiches e sai pela rua, com Estefani, uma menina um pouco gordinha com cabelos loiros que eram enrolados nas pontas, olhos verdes e usava óculos como eu. Ambas estávamos de calça jeans e com uma camiseta escrita “Salve O Mundo”. Começamos pelo centro da cidade, conheci muitas pessoas e muitas historias. Estefani se mostrou ser uma grande pessoa e amiga. Amiga. Por que eu sentia que estava me esquecendo de alguma coisa. Eu pego o meu telefone e ligo para a minha melhor amiga:
- Feliz aniversário, Valentina. – disse eu sorrindo
- Você lembrou. Por isso que eu te amo.
- Eu amo mais. Val posso te perguntar uma coisa?
- Espera, eu vou ir para o meu quarto ta. – eu espero durante um minuto. – Pronto, fala.
- Você recebeu alguma coisa estranha esses dias?
-Tipo?
- Fotos macabras de suas amigas mortas
- Não, mas eu recebi uma coisa.
- O que?
- Uma bolsa a faculdade de Frankfurt. – disse ela gritando
-Parabéns. – eu estava sorrindo novamente.
- E ai, o que anda fazendo?
- Serviço comunitário.
-De que?
- Estou dando alimentos para desabrigados.
- Hum. E o que o Sr. Mosselley anda aprontando?
-Quem?
- O Pedro, Lola. Nós o apelidamos assim, por que ele se parece com esse ator.
-Hum.
- Vou ter que desligar outra hora nós conversamos. Ou você não vai vir para a minha super grande festa no sábado.
- Mas é claro que eu vou ir, Val.
- Vem de vestido.
- Ta. Tchau. - Valentina desliga o telefone primeiro.
Chego em casa umas quatro e meia da tarde. A casa estava novamente sozinha. E eu também. Eu olho para o lençol branco em minha frente, com vontade de tira-lo dali:
-Mamãe não esta em casa. – falei eu. – Então ela não pode me escutar. - digo com um sorriso nos lábios.
O lençol é jogado longe, e a madeira do piano continua como se fosse nova. Eu me sento no banco amadeirado e levanto a trava do piano. Eu toco nas teclas relembrando de melodias maravilhosas que eu tocava com o meu pai.
Logo meus dedos começaram a tocar, umas musicas de minhas bandas favoritas, passando de Avril Lavigne, a Evanescence e entre muitos outros, até chegar ao funeral de Victoria. Lembrei das melodias que as minhas lagrimas faziam enquanto caiam nas minhas pernas. Eu comecei tocando para ver se me lembrava, até sair de lá, uma canção melódica. Essa canção parecia meio obscura, enquanto eu formava as palavras na minha boca e os meus dedos formarem os sons. Eu fechei os meus olhos sentido a dor que me penetrava. Lembrando-me da dor de perder o meu pai e a minha amiga, da dor das palavras de Lisa e me enchendo com o carinho que eu tive com as minhas amigas e minha irmã, e um sentimento desconhecido que começava a florescer dentro de mim, uma coisa que uma pessoa trouxe não sei de onde, mas sei que essa pessoa era o Pedro e esse sentimento se chamava amor.
Quando abro os meus olhos levo um susto. Parado a minha frente estava Pedro com um sorriso entre os lábios finos. Eu fiquei nervosa e não sabia o que fazer, acabei caindo no chão.
Ele Logo veio e me ajudou a levantar, eu me afastei de seus braços, parando na frente do piano com as bochechas quentes e vermelhas. Nunca cantei pra ninguém, ou nunca ninguém me ouviu cantar. Me viro para ele com cara de poucos amigos:
- O que você esta fazendo aqui? – pergunto
-Eu ouvi o piano, e então eu bati na porta, mas como não tive resposta eu entrei. – respondeu ele ainda sorrindo. – Alias, você canta bem.
-Obrigada. – respondi não o olhando. – Bom, o show já acabou. – disse ríspida.
-Por que você é assim?- Perguntou ele se aproximando
-Assim? – perguntei de volta. Eu ficava mais ruborizada cada passo que ele dava em direção a mim.
-Um dia você esta bem e no outro não.
-Conhece a palavra bipolar. – respondi grossa
- Por que é assim comigo? – ele estava praticamente a três passos de mim.
-Por que e... – não consegui terminar a frase. Por que ele calou a minha boca com a dele.
Os lábios dele tinha gosto de frutas vermelhas. Minhas favoritas, morango, cereja e amora. Eu deixei que meus lábios se abrirem para que eu sentisse novamente a sua língua quente e macia. Ele me levantou me sentou no piano. Eu enrolei as minhas pernas em volta de sua cintura. Ele começou a beijar o meu pescoço, eu não consegui segurar, mas deixei escapar um gemido baixo. Ele voltou para os meus lábios. Ele beijava-me como se fosse daquilo que ele precisasse para sobreviver, ele agora passava a mão por sobre a minha camiseta, que eu logo retirei. Paramos quando estávamos sem folego para continuar. Estávamos com as nossas testas encostadas uma na outra, ambos estávamos sorrindo. Mas ele logo desapareceu.
Minha mãe ficou nos encarando por um bom tempo, eu e Pedro estávamos sentados no sofá que ficava de frente para a lareira e minha mãe caminhando de um lado para o outro nos encarando:
-Sra. MaCleyn, se eu puder explicar... – Começou Pedro que logo foi interrompido pela minha mãe.
-Eu não sei o que vocês estavam fazendo, mas se forem fazer, fazem bem longe daqui. Estamos entendidos? – Eu e Pedro fizemos que sim com a cabeça. – Ótimo. Pedro pode ir para a sua casa. – Ele se levantou e beijou o topo da minha cabeça, que me confortou muito.
- Boa noite, Sra. MaCleyn. – minha mãe virou o rosto para o menino.
Quando ele saiu, eu olhei para a minha mãe com cara de o-que-foi-que-você-fez para ela, que agora seu olhar dizia que estava muito feliz. Mamãe começou a falar um monte de coisas para mim, de quando ela e papai namoravam, e de como se usava uma camisinha. Eu sabia que aquela noite seria longa.

By: Paola Araújo