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domingo, 6 de maio de 2012

Segura-1° Capitulo


                                                                        A morte                    

Era inverno, e como sempre esperamos estar muito frio. Valentina minha melhor amiga estava dormindo enrolada em um cobertor xadrez na cor amarelo e azul, enquanto eu dirigia o carro que pedi emprestado da minha mãe sem ela saber. Que a cor nem parecia ter sido um dia vermelho de tão velho que era o carro parecia ter vindo da época da segunda guerra mundial. Enquanto Victoria A loira estonteante, sedutora com seus lábios cheios, corpo voluptuoso e olhos azuis que por isso era considerada a perfeita da escola Bonfim onde todas estudamos estava cochichando no ouvido de Meg outra garota loira, com um corpo fino e magro, lábios não muito grandes e seu rosto era o que mais chamava a atenção com seus olhos castanhos esverdeados dava um toque de princesinha nela, mas ela não faz tanto sucesso quanto Victoria. Valentina é meio morena meio loira, porque ela tem umas partes loiras de nascença no cabelo liso e comprido tem olhos castanhos claros e se parece muito com uma modelo, pena que ela não se valoriza diante dessa questão. E eu, eu sou digamos a feinha do grupo, tenho lábios carnudos, sou morena, meu cabelo é liso na raiz e ondulado nas pontas, tenho olhos escuros que Valentina na maioria das vezes diz ser sexy ainda uso óculos e aparelho nos dentes e também sou a inteligente do grupo, e eu sou como a Valentina, não consigo me valorizar, quando as três garotas que sempre estão em minha volta são as beldades da escola e eu como se fosse à sombra delas indo sempre aonde elas vão até nas mesmas festas, mas sempre fico num canto apenas olhando, cuidando. Não sei por que sempre estou assim, sempre cuidando tudo que está em minha volta, é como se estivesse em perigo o tempo todo, se eu me distraísse nem que fosse por um segundo algo muito ruim aconteceria:
-O que a desgraça de Deus está pensando? – Odiava quando ela me chamava assim, principalmente com a voz enjoada que ela tem.
-Victoria, não a chama assim. – Disse Meg com a voz rouca, devido à gripe que pegara na noite passada.
-Se Você fica defendendo essa coisa, ou devo melhor dizendo a Beth A Feia, vou contar seus pequenos segredinhos para a escola inteira, principalmente as das suas amiguinhas que garanto que será um prato cheio...
- CHEGA!  Será que vocês  nem  me deixam dirigir, vocês não param de brigar. E você Victoria nem uma de nós é as suas marionetes em que você usa pra se divertir e divertir os outros. - Respondi olhando pelo espelho retrovisor.
-Ai!  Beth não pega pesado comigo eu só tento ser amiga das minhas amigas. – disse ela com a voz enjoada.
-Desse jeito você só vai conseguir é inimigas e não amigas. – Fiquei encarando Victoria Pelo Espelho Retrovisor a sua face rosada ficar vermelha e seus olhos azuis se tornarem escuros como se a maldade fosse de sua natureza. - E alias, o meu nome é Lola e não Beth, ou quer que nos também saiamos contando os seus segredos, principalmente aquele lá na festa... Hein? – respondi novamente em um tom de desafio.
-O que vocês estão pensando, fui eu quem fez de vocês as garotas que são se não fosse por mim vocês ainda continuariam as invisíveis que eram. – nisso ela tinha razão, apenas na parte de Valentina e Meg. Eu continuava invisível.
-Quem você pensa que é pra falar assim com nós.  – Disse Valentina se acordando. – Que eu saiba nenhuma de nós deve nada a você pra estar falando desse jeito. Victoria estava com raiva, com muita raiva.
- Quer saber pare o carro agora. – Ordenou Victoria.
 Eu parei o carro imediatamente, não queria mais ter aquela Eva-venenosa ao meu lado. Quando ela desceu pressenti algo ruim, algo terrível iria acontecer, uma coisa em que eu iria me arrepender pra sempre. Dei a partida no carro e não ousei olhar para trás, pra mim seria melhor que ela desaparecesse, Mas não estava me sentindo bem, principalmente porque as coisas que Victoria falava eram verdades e o pior de tudo isso, eu ainda tinha que me levantar daqui a três horas para ir ao dentista:
- Lola você está bem. – Perguntou Valentina, interrompendo meus pensamentos.
-Porque eu ando com vocês, olha pra mim olha como sou... Eu não intendo como vocês podem querer andar comigo. – Disse eu com lagrimas nos olhos.
-Lola nos te amamos, por quem você é, e não pelo o que a Victoria fala de você. – disse Meg tentando me acalmar.
-Espera ai! Quando você vai tirar o Aparelho?  – Perguntou Valentina
-Daqui a três horas, por quê? – respondi olhando para relógio e voltando a minha atenção para a rua.
-e você não vai ganhar lentes de contato? – perguntou Meg
-Eu pedi, mas...  Que vocês estão querendo com isso. – perguntei eu nervosa, já sabendo da resposta.
-Amiga você vai ver. – Disse Valentina com um sorriso no rosto.

Eu chego com passos muito silenciosos, acho que a minha mãe se cansou de esperar por mim e foi dormir. Eu Olho pelo relógio que a na sala com lareira que a minha própria mãe decorou. A quentíssima Lareira tinha a sua frente um sofá com três lugares na cor branca e a sua frente uma mesa de centro de madeira branca. Minha mãe era louca por branco. Eu teria que acordar daqui à uma hora, se pelo menos eu conseguisse dormir, seria uma boa, mas não consegui. Victoria estava lá o tempo todo. A única coisa que sei é que o meu domingo que mal começara, já terminara.
Eu saio lambendo os dentes do dentista, aliviada de ter tirado aqueles ferros em meus dentes. A primeira vez em que os coloquei eu pensava que eles haviam feito algo muito ruim e foram presos. Quando voltei para casa notei que  minha mãe não estava em casa, e que a casa ao lado da nossa havia sido vendida depois de três longos anos de pois que a Sra. Shells havia ido embora. Quando eu estava subindo para meu quarto a fim de dormir a tarde inteira, o telefone toca. Era a mãe de Victoria, ela estava muito preocupada porque Victoria não voltara para casa naquele dia. Eu argumentei alguma coisa como se ela estivesse na casa de outra pessoa, mas ela me disse que já havia ligado para todos os telefones que haviam na lista de Victoria. Eu apenas suspirei e disse um “sinto muito, mas eu não tenho a mínima ideia de onde ela deve estar”. Senti que ela estava quase chorando ao telefone e então pediu desculpas e desligou o telefone.
 Eu pensei que ela estivesse em algum lugar com uma das outras amigas dela, simplesmente porque ela conseguiu entrar no grupo das lideres de torcida. Isso era o sonho de Meg. Mas Victoria gostava de mostrar que ela era superior a tudo, até mesmo conseguia realizar os sonhos das outras garotas, só que ela devia estar no lugar delas. A única coisa que eu contei a ela foi um segredo absurdo meu, que nem mesmo o meu próprio diário sabia. E também eu queria só saber de uma coisa, como Victoria conhecia nós tão bem, sabia de nossos maiores segredos e nunca os contou, por que Ela sabia disso tudo, mas nós não sabíamos nada dela. Essa era a minha angustia. Nem uma de nós ousou dizer um NÃO a ela, da nossa boca saia apenas SIM, enquanto isso éramos manipuladas por ela e fazíamos as coisas mais absurdas uma pela outra.
Cheguei ao meu quarto, e me deitei na cama e quando fechei os olhos, eu dormi, até o outro dia.

-Aquelas ingratas, depois de tudo que eu fiz por elas, e ainda me expulsam do grupo. Ah! Que beleza. -  Dizia Victoria enquanto caminhava na neve fria.
  Era noite ainda, mas o sol poderia aparecer a qualquer momento. Havia uma mata ao lado de Victoria, ela era escura e esquisita era como se bruxas haviam vivido ali. Ouve-se sons de dentro da floresta, Victoria olhou, mas continuou andando não queria ver nada apenas queria voltar para casa, e quando chegasse à escola contaria tudo que sabe sobre Valentina, Meg e da Beth:
- Meu nome é Lola e não Beth. Vocês vão me pagar. – Mais sons, mas desta vez Victoria começa a ficar com medo. – Q... Quem está ai? – pergunta ela gaguejando. E de trás de uns arbustos voam pássaros. Victoria suspira aliviada e ela se vira e leva um susto. – Você. – diz ela assustada, o desconhecido mostra algo a ela e então ela grita.

Eu me acordo suando frio, estava assustada, era como se eu estivesse lá, era como se eu estivesse matando ela:
- Que bizarro. – eu  digo em voz baixa. Batem na minha porta e minha mãe entra.
-Lola você estava com a sua amiga Victoria sábado à noite? – Perguntou a Sr.  MaCleyn minha mãe que estava nervosa e tremula. Seus olhos castanhos estavam escuros naquela manhã e o cabelo rebelde estava despenteado que mostrava que acordará a pouco. E o robe laranja com rendas brancas que fora um presente de sua Afilhada e que usava, já estava velho demais.
- O que aconteceu? – perguntei eu, já pensando numa resposta que minha mãe poderia me dar. “Victoria falou coisas sobre você”. – Mãe eu posso explicar...
-A sua amiga foi encontrada morta perto de um salão onde havia uma festa. – Disse ela nervosa, quase chorando em minha frente, as rugas já estavam a mostra. - Diz pra mim que você não foi a essa festa.
-Mãe, eu fui, mas eu não intendo ela estava indo para casa. – nesse momento me lembrei da sensação ruim que tive e vi que o meu sonho era real, Victoria foi assassinada e a minha própria mãe deve estar tirando as suas próprias conclusões. - Não acha que fui eu que a matei.
-Não, não, não querida eu sei que não foi você, mas é que a policia esta aqui e eu não sei o que fazer.
-Diga a eles que não fui eu mãe. – eu já estava me alterando e o meu telefone toca. – Alô.
- A policia está na sua casa? - perguntou Meg
-Esta e na sua?
 -Também, ai Lola eu não acredito que ela morreu. – A voz de Meg dizia que ela estava muito nervosa e como se ela conseguisse segurar o choro na garganta.
- Espera. - me viro para minha mãe. –Mãe vai, eu quero ficar um pouco sozinha.
-Tudo bem querida? – disse ela se aproximando a mão para passar em mim e eu desviei.
-mãe, por favor. - minha mãe assentiu e saiu e eu voltei ao telefone.
- A pergunta agora é... Quem a matou?
-Você sabe que ela pode ter sido morta por varias pessoas.
-Sim, mas por quem?
- Eu não sei. Eu vou liga pra Valentina e ver o que ela diz.
-Faz isso, depois nós conversamos.  – eu desligo o telefone. E volto aos meus pensamentos.
Victoria esta morta e parte de mim queria festejar, mas a outra queria chorar, por mais que a odiasse ela fazia parte das garotas que se importavam comigo, pelo menos ela me ajudava em certas coisas como na festa da noite passada, que ela me salvou do meu primo Bodie. Que se precipitou ao tentar ter algo comigo e ela... Ela veio me socorrer quando gritei. Nós estávamos perto do lago e ela o empurrou e ele caiu, todos pensaram que ele estava bêbado quando não estava todos estavam rindo dele. Eu vi quando ele olhou para Victoria com raiva, uma raiva que poderia até matar. Não pode ser só porque ela o empurrou não queira dizer que ele a matou. Victoria era odiada por muitos qualquer um poderia tê-la matado, mas será que o assassino continua aqui, acho que ele está longe já. Eu só quero que descubram logo, porque acho que se ele matou uma pessoa pode querer matar mais. Mas algo dentro de mim dizia que o assassino poderia ter estado na festa  que fomos na noite anterior.
A festa era de alunos da faculdade, e nós ainda estamos no ensino médio. Victoria havia feito identidades falsas para podermos entrar no salão, o guarda que havia lá era maior que o meu pai um dia pudesse ser, eu passei com muito medo de ser pega e mostrei a identidade ele só acenou com a cabeça e eu passei com um alivio no peito, a mesma coisa aconteceu com Valentina, Meg e Victoria. Havia muitas pessoas lá, até mesmo conhecidas. Meu primo Bodie estava lá e o irmão mais velho de Valentina. O que mais chamou a atenção de Victoria era, digamos o astro da escola, o melhor jogador de Hóquei da Faculdade estadual de Frankfurt. Ele era mesmo muito atraente, mas ele tinha uma namorada a minha irmã mais velha que havia ido embora fazia duas semanas pra poder cursar a faculdade de seus sonhos e trabalhar no grande restaurante que havia em Paris. Eu sentia muita falta de Leona, Principalmente nos dias de chuva em que fazíamos corrida até o celeiro que havia atrás da nossa casa e depois ela fazia um dos seus maravilhosos chocolate quente. Vi que Victoria ia em direção a ele e a parei:
-O que vai fazer? – perguntei eu.
-Ver se ele precisa de um carinho, já que a sua irmã se esqueceu dele aqui, pra ir até Nova York pra fazer uma estupida faculdade, pra depois ir para a França. - disse ela seca e com um ar de ironia.
-São os sonhos dela, e ele concordou, eles ainda conversam pelo telefone e namoram ainda. – disse eu incrédula com o que Victoria Havia falado.
-Mas isso não me impede de fazer certas coisas, não é. – disse ela me desafiando.
Eu fiquei quieta diante dessa questão e então ela foi. Eles ficaram conversando, eu não o conhecia, não sabia nem o seu nome. Apenas não conseguia tirar os olhos dele, Era alto, moreno com o cabelo não tão curto nem comprido e negro, os traços que haviam em seu rosto eram fascinantes, era como se anjos haviam esculpido ele e o seu corpo demostrava mesmo ser um grande atleta. Mas nesse momento o corpo dele demonstrava interesse em Victória. Mas o que podíamos fazer diante dessa questão... Nada. Ela era a dona do seu nariz e nada podíamos fazer. Ela já o conhecia de outros lugar, me lembro bem da noite em que ela foi na minha casa me contar que ela não era mais virgem.
 Levantei da cama para poder me arrumar pra ir a escola, olhei pela janela estava nevando naquela manhã em Frankfurt, a cidade mais estranha que se pode viver, depois que eu fui embora, senti que nunca mais voltaria, mas depois de um ano, eu mal cheguei e já estou encrencada com a policia, em ter falado em policia , dava pra se ver as viaturas lá em baixo, um dos policias estava falando com a minha mãe, até que ele era bonitinho. “Se Victoria estivesse aqui com certeza começaria a se esfregar nele”. Que pensamento idiota eu tive agora. Eu estava com medo, estava com frio e estava nervosa, eu só queria que pelo menos na escola, não começassem a me encher o saco como em casa que a minha mãe nem conseguiu comer ao meu lado na mesa. Será que estão pensando que eu a assassinei, como eu poderia eu estava em casa, na minha cama dormindo na hora do crime. Eu desci para poder tomar café, mas a comida parecia não querer descer pela minha garganta, muito  menos o liquido quente que minha mãe preparara para mim levar para escola sempre que podia.
Eu me levantei para começar a me arrumar para poder ir à escola.  Subi a pequena escada que havia numa parte inferior da casa que ia para os quartos, chegando lá entrei no meu quarto. O meu quarto era pequeno havia um computador velho numa escrivaninha velha num canto onde a madeira da casa estava velha, um guarda-roupa grande e velho na parede mais limpa que tinha no meu quarto e a minha cama ficava de baixo da enorme janela que a minha mãe pediu para por, assim economizaria com a luz. Peguei uma regata preta e a coloquei e uma calça jeans clara, e olhei para o relógio do meu telefone velho e vi que daqui a quinze minutos o ônibus iria passar, pus o mais rápido possível o meu All Star e o meu casaco enorme que combinava comigo e escovei os dentes e sai de casa. Quando sai para pegar o ônibus escolar, havia uma viatura perto de casa, o policial dentro dele ficava me observando o tempo todo, caso um passo em falso eu seria pega e levada a delegacia:
- menina, não vai entrar eu tenho horário. – o motorista me chamou. Corri em direção ao ônibus e subi.
-desculpe. – pedi eu nervosa
Não havia ninguém dentro do escolar, havia apenas eu. Começava a imaginar as coisas como ficariam na escola depois que soubessem que Victoria havia morrido, estava pensando em coisas ruins. Mal começou a andar o motorista parou o ônibus:
-o que houve? – perguntei eu
-Nada apenas me esqueci de outro aluno. – disse ele com rispidez
-outro aluno. -  Falei eu baixinho.
-Desculpe pelo atraso. – disse o aluno
-tudo bem, mas não se atrase amanhã. – respondeu o motorista que sempre estava mal-humorado.
Aquela cabeleira loira me fascinou, principalmente os olhos que eram azuis como safiras, e o sorriso torto fez com que me alegrasse naquela manhã. Ele olhou para mim e eu coloquei os olhos para baixo fingindo que eu não havia olhado para ele. Ele começou a se aproximar, enquanto eu começava a enrolar os dedos. Fechei os olhos por um segundo e senti o cheiro de perfume barato que ele tinha, suas roupas não eram de se chamar tanta atenção, uma regata e uma bermuda e o tênis mais branco que eu já vi. Ele se sentou no ultimo assento que havia no ônibus. E acordei com o som do ônibus indo em direção à escola.
Ao chegar à escola vi que o desconhecido foi direto a diretoria, mas pouco me importa o que ele foi fazer lá. Notei que algumas pessoas passavam por mim me encarando, como se eu fosse à criminosa, Eu fiquei de cabeça baixa por muito tempo até ouvir a voz de Valentina:
-Amiga. – disse ela vindo correndo em minha direção. Valentina estava linda, com um tomara-que-caia branco e por cima dele uma jaqueta jeans da cor de sua  saia jeans rodada e de tênis All star branco. Nós duas éramos loucas por tênis All star.
-O que houve? – perguntei assustada
-Nada, me deixa  ver você sem aparelho. - Havia me esquecido desse pequeno detalhe, ontem, antes da tormenta começar eu havia ido ao dentista remover os ferros da minha boca. E então eu sorri.
-Você ta linda, espera e os óculos, por que ainda os usa?
-Eu não ganhei as lentes. – disse eu triste, tentando não lembrar as coisas que aconteceram pela manhã.
-Bom, mas eu tenho um presente de aniversária para lhe dar. –disse Valentina com o seu sorriso mais bonito.
-Hei, eu ajudei a comprar tá. -  disse Meg vindo com um sorriso também. Meg estava linda com um vestido cor-de-rosa. Com bolinhas vermelhas e uma sapatilha da cor do vestido
- Não precisava meninas. – disse eu envergonhada. E então elas me entregam uma caixa preta e pequena. Com um laço roxo em volta. Eu abro a caixa, e vejo que é uma capinha de lentes de contato. – Como sabiam o grau que devia ser das lentes?
-5 no esquerdo. – disse Meg
- E 5,5 no direito. – Disse Valentina
-Nós te conhecemos desde pequena. Por que não saberíamos o grau dos seus óculos. – respondeu Meg novamente.
-Eu amo vocês . – disse eu muito feliz
-nós também te amamos. – e nos abraçamos. Quando nos soltamos vi o ar ficar tenso de repente, a morte de Victoria ainda passava pela minha cabeça. Podia ser um homem, uma mulher ou até mesmo o cara que gostava dela, que por incrível que pareça ele podia ter seus motivos.
- Sou a culpada, eu a deixei lá... Eu podia muito bem ter voltado e pego ela... E, eu...
- xii. Não se preocupe vão encontrar o assassino. -  disse Meg tentado me animar, ou tentando nos animar.
- Como alguém consegue matar, e ainda tentar viver. -  disse Valentina de um jeito  meio esquisito. O som do alarme que avisava quando a aula começaria tocou e um frio na barriga tomou conta de mim.
Dentro da sala de aula fiquei quieta sem fazer nada, não conseguia prestar atenção ao que o Sr. Castro falava. Minha mente estava voltada ao sonho que eu tive enquanto cochilava depois que havia voltado do dentista. Victoria conhecia o assassino, e ele sabia onde ela estava, mas porque agora, porque ele a mataria. Meus pensamentos foram interrompidos quando o Sr. Castro me perguntou algo e eu respondi corretamente. A aula de biologia do Sr. Castro era fácil, mas não sei como muitos conseguiam sobreviver as suas provas, que diziam ser muito difíceis. Meus pensamentos foram interrompidos novamente, uma parte de mim ficou inquieta e sentiu uma grande atração pela figura que entrará no meu ônibus escolar estava lá, Na porta da sala de aula com a Vice-diretora que as vezes esquecia do seu lugar e de fazer uma dieta balanceada devido a sua gordura imensa que parecia que não podia passa pelas pequenas portas que haviam na escola. Não pude sequer querer escutar o que a Vice-diretora Zilá falava, o meu foco era o garoto que me atraia de um modo inexplicável, seus olhos encontraram os meus e eu não consegui desviar daquelas safiras azuis que ele tinha. Seus lábios se contraíram de um modo que eu tentei decifrar, infelizmente eu não consegui. Queria poder saber o que se passava naquela cabeça, o que ele queria, queria saber quem era ele e como e porque consegue tirar a minha atenção tão fácil. Desviei os olhos do garoto desconhecido porque meus óculos começavam a embaçar, tirei-os e os limpei de um modo meio brusco, por pouco não quebro as hastes do meu óculos. Mas a minha atenção foi desviada novamente porque escutei o meu nome sendo adicionado em uma conversa que eu sabia que não iria ser coisa boa:
- Lola, querida poderia ser a ajudante de Pedro, durante um mês, ou até ele se adaptar na nossa escola. – disse a gorda da vice-diretora com a voz meio sarcástica. Quem era Pedro? Virei-me para o lado esquerdo e vi que o assento ao meu lado estava vazio e percebi que Pedro era o garoto que tanto me cativara durante o dia inteiro.
- A... Acho que não tem problema. – gaguejei eu.
-Que maravilha, você não vai se dar mal, garoto. – falou extasiante a vice-diretora dando um tapa no garoto, que chegou a me assustar. “Não tinha outra pessoa para cuidar desse garoto” pensei eu.
-Lola é a melhor aluna da turma, espero que se tornem bons amigos. – Disse o Sr. Castro de uma maneira que não soube classificar, se era para nojo ou ironia. “Amigos?”. Lembrei-me das vezes em que eu sabia as respostas e respondia corretamente as que o Sr. Castro não sabia. “Só pode ser castigo”.
Vi o garoto atravessar todas as classes que havia naquela sala de aula extremamente pequena. Tudo era pequeno para mim especialmente os cérebros da outras pessoas. Ele se sentou silenciosamente ao assento que havia no meu lado. Deixei o meu cabelo cair para o lado dele para que meio existisse uma parede em que só eu podia ver o que ele fazia. E a aula continuou do mesmo jeito que ela nunca deveria ter começado, e a minha cabeça do mesmo modo voltou a fingir que prestava atenção à aula de biologia.

By: Paola Araújo

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