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terça-feira, 22 de maio de 2012

Segura - 10° Capítulo





                              Um dia de Investigadoras


-Lola, acorda. _ dizia uma voz enjoada que eu conhecia. – Anda Beth, acorda.
“Beth”. Eu não estava creditando no que eu estava escutando. Eu levantei meio desconcertada com o que estava acontecendo, ela estava li parada em minha frente, como se nada tivesse acontecido. Ela continuava impecável o cabelo loira indo até a metade de sua coluna, os olhos azuis escondidos atrás de uma grande camada de maquiagem, e os lábios rosados levemente inchados abertos em um sorriso malicioso. Ela estava vestindo a roupa que eu Meg e Valentina havíamos colocado nela no dia de seu funeral.
Meu corpo estava perplexo e nervoso. Meu coração estava mais acelerado do que nunca:
-Não vai me dar um abraço? – perguntou ela
-Como posso, se v... Você esta m... Morta. – gaguejei
-Eu posso estar morta, mas não do jeito que pensa.
Dito aquilo eu acordo com um som vindo da sala, como se fosse uma pancada. Eram quase dez da manhã. Eu me levanto sem os meus óculos e vou direto à sala. Minha mãe estava com o seu robe preto que ia até a metade de seus joelhos finos. Ela estava tentando cozinhar, mas a panela quente não a deixou levar até a mesa. Pude escutar ela falando um nome feio.
Eu estava rindo vendo aquela cena, ela me olhou com um olhar de você-não-vai-me-ajudar-com-o-que-eu-fiz, não conseguia segurar o riso. Depois de lavar tudo e limpar, ajudei a minha mãe a fazer waffles e de ensina-la a como usar uma frigideira. Não fazíamos a coisas como estas  a muito tempo, principalmente fazer coisas juntas.
Minha mãe ligou a tevê no noticiário e estava passando uma reportagem sobre a morte de Victoria:
- Hoje foi esclarecido como Victoria Louise Trentham morreu. Ela morreu sufocada, provavelmente a pessoa que a matou a sufocou com um pano até que a vítima não conseguisse mais respirar. – dizia um homem alto e bonito. – Aparentemente a policia municipal de Frankfurt conseguiu pistas sobre o assassinato da menina... – minha mãe desliga.
Minha mãe viu como eu fiquei vendo o noticiário. Ela percebeu que eu estava em estado de choque. Só que nessa hora eu me lembrei do sonho que tive com Victoria. “Eu posso estar morta, mas não do jeito que pensa”. Foi nisso que eu pensei. Victoria me falara que ela morreu de outro jeito. Se a policia sabe, porque disse a mídia outra coisa, provavelmente falara a mesma coisa para os pais dela. Porque a policia esta mentindo?
Eu ligo para Valentina que atendo no segundo toque:
-Lola eu tive um sonho muito esquisito. – falou ela primeiro
-Eu também, mas como era o seu?
-Tinha a Victoria, dizendo que ela não morreu do jeito que eu penso. – fiquei muda. – Não me diga que você teve o mesmo sonho.
-Temos que ligar para a Meg. – A campainha da minha casa toca. –Espera eu vou ver quem é na porta. Não se passou dois minutos eu falo com Valentina novamente. – Val, vem aqui em casa, Meg teve o mesmo sonho que nós.

Todas nós estávamos em meu quarto, sozinhas. Mamãe disse que teria uma reunião com os professores e se foi. Achei estranho que quando ela disse isso, Meg e Valentina se entreolharam de um jeito estranho e pareciam que sabiam o que ela iria fazer.
Meg estava com uma calça jeans escura e uma camiseta preta e longa e de tênis cor de rosa. Valentina estava de vestido curto, mostrando as pernas de modelo que ela tinha. Já estava me sentindo esquisita vendo que ambas eram lindas:
-Antes de começarmos a falar sobre o nosso sonho. Por que não falamos sobre o Pedro. -  disse Meg com um sorriso malicioso nos lábios. Eu suspirei rindo.
-Agora conta. – falou Valentina
-Nós...
-Nós – disse as duas ao mesmo tempo.
-Nos beijamos. – Mal terminei a frase as duas estavam gritando e eu rindo.
Depois de muitos gritos e risadas. Começamos a falar sobre o sonho que ambas tivemos. Todas concordaram que tinha algo errado, e que queríamos saber por que policia mentira sobre a morte de Victoria. Todas queriam respostas, todas queriam saber o que realmente aconteceu naquela festa e o que aconteceu com Victoria. Eram quase onze horas e Valentina que tinha um cérebro que só pensava em fazer besteiras. Falou para que nós fossemos a delegacia de policia a fim de ver  ficha da morte de Victoria. No momento fiquei com medo e fiquei falando que podíamos ser pegas, mas Meg falara que nada poderia acontecer à noite.
E lá fui eu, vestida de preto da cabeça aos pés, assim como Valentina e Meg. Valentina conseguiu abrir a porta da delegacia com muita facilidade. Eu sussurrei um como-foi-que-você-fez-aquilo. Ela me mandou um torpedo, dizendo que aprendera com o irmão.
O irmão mais velho de Valentina, o Judie, era alto, muito magro e tinha cara de brabo, cabelos negros e olhos escuros. Minha mãe não queria que eu fosse amiga de Valentina porque ela tinha medo que o irmão dela fizesse alguma coisa para mim.
Quando chegamos num corredor, que tinha varias placas. Nos fomos para uma que dizia “Sala de arquivos”. Meg foi à frente a fim de ver se tinha alguém, e para nossa alegria o Sr. Damon estava à sala ao lado. “Droga” pensei eu. Agora eu estava com mais medo de ser pega. Mas o que me deixou calma, foi saber que ele estava dormindo. Passamos com passos muitos silenciosos por ele e entramos na sala.
Ela era pequena e fedia a mofo. Havia muitos armários de ferros com nomes de A a Z e com respectivos anos de mortes, acusações, roubos e etc. Meg procurou o nome de Victoria na ala do ano de 2012 enquanto eu e Valentina ficávamos cuidando para ver se o Sr. Damon iria acordar:
-Achei. – sussurrou Meg. – todas fomos a uma canto com nossa lanternas a fim de ver o que estava no papel.
-Ela não foi sufocada. – disse Valentina
- Quebraram o pescoço dela e... – falei eu
-Lhe arrancaram os olhos. – falou Meg. Meg e eu estávamos pasmas com o que estava escrito, Valentina continuou lendo o papel.
- Aqui diz, que outro corpo foi encontrado, mas não foi identificado. - Falou Valentina.
-Por que? –perguntei eu
-O rosto estava desfigurado. Como se alguém batesse mil vezes no rosto da pessoa.
-Ou usasse uma faca, para fazer o estrago. – falei eu.
-Como assim? – perguntou Meg. Eu respirei fundo.
-No dia que eu recebi a noticia que Victoria tinha morrido, eu havia sonhado, que alguém que ela conhecia a matou. Mas antes disso acontecer, essa pessoa lhe mostrou algo. Eu não pude saber o que era, mas eu tenho certeza que foi uma faca.
-Então essa outra pessoa que morreu, pode ter visto o assassino. – Falou Meg novamente.
-E como essa pessoa o viu, ele pode muito bem tê-lo visto também. – falou Valentina
-E por isso o matou. – falei eu.
Eu pego o papel e o leio e o releio umas duas  vezes. Meg e Valentina me olhavam com cara de suspeitas eu olho para elas e digo:
- No lugar que a Victoria morreu foi encontrada, uma camiseta dos Detroit Red Wings. Com sangue das vítimas.
- Quem são os Detroit Red Wings? Uma banda nova? – perguntou Meg. Eu revirei os olhos e Valentina riu.
-É um time de hóquei. – falei por fim.
-Então essa pessoa é fã desse time, não é? – perguntou Valentina.
-Acho que sim. – falei eu.

Eram quase duas horas da manhã e ainda estávamos dentro da pequena sala de arquivos da delegacia municipal de Frankfurt. Meg avisou aos pais que ficaria em minha casa, assim como Valentina. Valentina colocou o arquivo no seu lugar enquanto Meg e eu ficamos sentadas esperando ela nos avisar se poderíamos ir. Todas estavam com medo da sair e encontrar o Sr. Damon desperto. Já como nem a Meg e nem a Valentina tiveram coragem para ir ver se o homem estava dormindo ainda. Eu suspirei e respirei o ar e o tranquei dentro de mim para ver se ele continuava a dormir. E ele estava do mesmo jeito que antes. Eu fiz sinal para que elas me seguissem e foi o que fizeram. Quando estávamos na metade do caminho. O telefone do Sr. Damon toca. Abaixamo-nos rapidamente e ficamos abaixo de sua escrivaninha. Ambas com a mão na boca, segurando o ar que ousava sair:
Delegacia de policia de Frankfurt. – falou ele. – Como alguém iria conseguir entrar na delegacia há essa hora? – todas ficaram com os olhos arregalados. Eu soltei o ar com dificuldade, mas bem lentamente. Valentina e Meg fizeram o mesmo. –Eu vou verificar a sala dos arquivos. – com aquilo dito o Sr. Damon saiu e eu vi que era a oportunidade perfeita de sair dali correndo e foi o que fizemos.
Uma hora depois estávamos em casa, todas arfando com felicidade. Por que conseguimos sair de lá sem sermos pegas. Meg foi fazer um chocolate quente para nós enquanto eu e Valentina fomo arrumar as camas em meu quarto. Conversamos um pouco mais sobre o que estava acontecendo com nós. E eu resolvi contar a elas que Lisa apareceu na minha casa durante a noite, dizendo estar arrependida das coisas que fazia comigo. Meg e Valentina ficaram boquiabertas com o que eu disse. Mas elas sabiam que eu iria perdoar, por que eu era uma boa pessoa (só com aqueles que merecem). Depois Valentina disse que estava afim do seu instrutor de ciências, Meg e eu fizemos caretas. O instrutor de ciências de Valentina, era o Carlos Knoxville. Ele era um moreno que tinha descendência de índios, tinha uma boca grande ( não no termo de ser fofoqueiro) e os olhos meio puxados.
Logo fomos dormir, porque no outro dia teria aula.
Eu me deito e durmo direto e sonho novamente com Victoria.
Eu escuto uma batida na cozinha, eu me levanto e vejo Victoria com uma pá na mão e o seu sorriso malicioso nos lábios rosados. Ela olha para mim triste, por que me vê com lagrimas nos olhos:
-Lola, acho que se você mudasse o seu visual, mudaria o seu humor. – disse ela coma voz enjoada com humor negro.
- Não lembro o que eu falei. Eu não vou mudar o que sou.
-Querida, isso só vai melhorar a sua vida.
-Melhorou a sua? – perguntei olhando ela de cima para baixo.
-Você não sabe o que esta falado. – falou ela com a voz mais grossa e em tom de ameaça. – Você não vai mudar agora, mas logo vai.
-Mas não vai ser por você. – digo no mesmo tom que ela. Victori começa a se descascar, mostrando a sua carne viva e sangrando pelos olhos, nariz e olhos. -  o que esta acontecendo?  -pergunto olhando para ela.
-Nada, apenas estou morrendo, desaparecendo. Vai sentir a minha falta Beth. – falou ela coma sua voz normal.
 -Você foi a melhor amiga que eu já pude ter Victoria, mas foi a pior inimiga que eu já tive também. Então eu não sei se vou sentir a sua falta, por que eu sei muito bem, que se eu estivesse no seu lugar, você não iria sentir a minha. – o olhar dela passou de nariz empinado a um olhar de tristeza.
-Adeus. – disse ela antes de pegar em fogo.
Eu acordo assustada, assim como Valentina e Meg. Todas estávamos com o coração partido e doendo por causa de Victoria. Levantamo-nos e nos abraçamos e começamos a chorar. Um chora de alivio, por que aquela que nos deixava com medo, com vergonha de nós mesmas de sermos quem somos, havia partido e nos deixado algo que nunca iriamos esquecer. A morte. Eu me levantei e fui até a cozinha e vi que minha mãe deixara um bilhete escrito, que voltaria apenas à noite, me deixou solitária novamente. Meg e Valentina arrumaram o quarto, enquanto eu preparava sanduíches para comermos de café da manhã. Logo nos arrumamos tudo e nos arrumamos.
Meg com Uma camiseta rosa clara escrita com um tom mais forte “Eu Amo Rosa” e uma bermuda clara com tênis rosa. Valentina estava usando uma camiseta verde com um casaco preto e fino com botões grandes e uma calça jeans escura com sapatilhas pretas. E eu como sempre me visto, quando as duas me viram daquele jeito fizeram caretas, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa os nosso telefones tocam. Era uma mensagem, era a mesma mensagem:

Pena que o policial não viu vocês, mas como eu tenho provas, posso mostrar e vocês serão pegas. Ou se as quiserem para si, contem para a mídia o que vocês descobriram.

Todas nos olhamos, ou era fazer o que ela nos pediu ou era todas nós presas. Meg se tremia ao lado de Valentina que me olhava com cara de que queria uma resposta. Eu não me lembro bem o que foi que eu disse, mas sei que nos arrependemos depois.

By: Paola Araújo

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