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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Segura-11° Capítulo



Verdades, brigas e lágrimas


Não sei como esse maníaco conseguiu saber, que naquela noite apenas eu tinha tirado fotos escondido das meninas. Que só eu poderia mandar para a mídia aquelas fotos e tudo estaria bem novamente. E nenhuma seria presa.
Meg estava nervosa demais para dizer se estava tudo bem com ela pelo telefone. Valentina também. Eu só tinha que pegar o fax que mamãe tinha na sua sala e mandar clandestinamente ou poderia dar a um repórter e manda-lo ir a algum lugar onde eu mesma posso colocar e ele ir pegar.
É eu achei melhor a segunda opção. E lá fui eu ligar para o repórter Maurício que era do canal 12. Ele seguiu as minhas instruções como eu havia dito. Naquela tarde eu havia imprimido as fotos no computador velho que tinha em meu quarto e colocado numa pasta negra e escrevi Maurício na capa da frente.
No outro dia era manchete, tanto em jornais e revistas quanto na tevê. Pude ouvir o Sr. Damon gritando na sua casa, vendo o noticiário. Acho que ele não gostou nada sabendo que informações haviam saído de dentro da delegacia. Principalmente sobre o assassinato de Victoria.
Não deixei de me lembrar dela, principalmente, quando ela foi eleita à garota mais bonita da escola, e eu a mais feia. Não me sentia feia, e Victoria me dizia isso também. Ela apenas me dizia que o que valia era a beleza de dentro. Isso até ela começar a se virar contra mim, por causa de Carl e minha irmã. O garoto era namorado da minha irmã. E ela, só por ter sido eleita a mais bonita, não significaria que ela tinha que ficar com um dos garotos da faculdade, principalmente quando ele tem namorada.
Isso me deixou com raiva e ela também, por que ao invés de defendê-la, eu defendia a minha irmã. Durante dias Victoria dizia-me que Carl a fazia se sentir como uma linda garota louca para ser uma princesa. E eu sentia que queria vomitar.
Estávamos ainda no final do ano letivo e ainda tinha mais um ano para o ensino médio acabar e logo ir para a faculdade dos meus sonhos “Harvard”. Meg dia que queria fazer medicina e Valentina queria fazer artes, o que me deixou boquiaberta. Nunca percebi que Valentina tinha algo a mais pela arte, até eu descobrir que era por causa de Matt, um garoto alto, moreno e lindo.
Durante o percurso, eu ouvia uns sons meio que estranhos. Eu olhei em volta para ver se tinha alguém por perto, mas eu não via ninguém. Meu coração começou a acelerar de um modo que eu não sabia explicar, tudo que eu sentia parou quando eu o vi de cabeça baixa.
Eu o conhecia de alguma maneira, pude ver quem era e como estava e tudo por minha causa. Os cabelos negros estavam escondidos sobre um boné da Nike, o jeans que ele usava mostrava as pernas másculas que ele tinha e a camiseta laranja não combinava com ele. Eu me aproximei e me sentei ao seu lado, pude ver os olhos que eram como eu me lembrava. Negros. E o rosto esculpido por anjos continuava o mesmo. Ele sabia quem eu era agora e poderia ter os seus motivos para me odiar, mas eu apenas vi um sorriso em seu rosto e eu não pude deixar de sorrir também:
- Ela não tinha me dito que tinha uma irmã. - falou ele.
-Sinto muito, mas ela tinha que saber. – falei eu com o meu tom normal de voz.
- Eu sei, só que... Quando era eu e ela, era uma coisa mágica. – ele suspira. - E quando era com a Victoria era uma coisa selvagem. – ele dá um sorriso malicioso, que eu não gosto nada.
- Minha irmã, sempre me falou bem de você. – mudei de assunto.
- Nós não conversávamos muito, éramos mais com beijos as nossas conversas. – percebo que ele fica triste de um modo que me lembrava de alguém. Alguém como eu.
- Você a amava? – perguntei direto.
- Ama-la, foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. – e dessa vez, eu vi que ele estava sendo sincero.


Eu sai de um jeito que nem eu pude entender e muito menos ele. Carl nunca quis trair a minha irmã, mas com certeza Victoria não conseguiu conquistar o garoto. Eu estava indo fazer o meu ato de caridade com os desabrigados, carregando a sacola cheia de sanduiches quando o Sr. Damon para em minha frente e me faz levar um susto. O homem me olha como se fosse me atacar, de um modo que não seria com a arma e sim com os punhos. Eu fechei os meus olhos para não ter que ver a cena, mas tudo que pude sentir foi um abraço, um abraço reconfortante. Era um abraço de pai.
Meus olhos logo se encheram de lagrimas e eu mordi o lábio inferior para que elas não caíssem. Eu senti o Sr. Damon se afastar, eu abri os meus olhos e o ouvi dizer um “bom dia”. Eu fiquei meio estranha, mas continuei a ir pelo o meu caminho. Mas no meio dele eu resolvi ir para outro lugar.
Depois que o meu pai havia morrido o cemitério era um lugar bastante bom para mim. Bom para pensar, para me concentrar em assuntos que não eram da importância de ninguém, lá eu me sentia melhor porque eu poderia ser eu.
Valentina me chamou de doida quando disse que gostava de ficar no cemitério para pensar. E ainda falou que isso era coisa dos góticos. Victoria ficou quieta, pois temia a morte, mas adorava dizer que queria ficar jovem para sempre, e se ela fosse morrer gostaria que estivesse linda como era agora. Eu suspirei diante desse pensamento porque ela conseguira morrer linda e jovem. Eu passei por seu túmulo, eu havia roubado flores numa casa branca que havia ali perto, elas estavam perto da calçada e poderia ser pegas facilmente. Deixei uma no tumulo dela e nem uma gota cai em minha face. Quando cheguei na de meu pai, pude perceber que seu nome estava quase desaparecendo. Eu limpei pensando que fosse sujeira. E assim pude ler as letras que tanto faziam o meu coração doer.


César Augusto MaCleyn Júnior
Amado amigo, irmão, marido e pai.
Que descanse em paz.


Sinceramente, pude ver que meu pai ainda estava ali, que eu podia senti-lo. Eu gritei ao vento ou para quem quisesse ouvir que eu o amava e que nunca o esqueceria. Uma brisa surgiu do nada balançando os meu cabelos e tive quase certeza que podia ouvir um “eu também” eu engoli o choro e continuei pelo caminho que eu tinha que ter ido a muito tempo, eu já estava atrasada e muitos desabrigados deveriam estar com muita fome.


Mal cheguei em casa, pude perceber que minha mãe não estava. Eu não queria ficar sozinha em casa, então liguei para Valentina e perguntei se ela podia vir dormir na minha casa. Ela não podia, A Sra. González a colocou de castigo depois de uma nota baixa, eu disse para ela que eu poderia ajuda-la, mas não adiantou. Resolvi ligar para a Meg que também não pode vir porque ficara doente. Eu nunca soube porque Meg ficava doente muito fácil, até saber que o que era imunidade baixa, ai sim pude saber como ela ficava doente.
Cansada de fazer nada, fui até meu quarto peguei um elástico e amarrei o meu cabelo, peguei um livro e fui para a área da minha casa m sentei num dos bancos que havia e comecei a ler. O romance era como sempre ao meu gosto, mais ação do que beijos, muitos carinhos do que despedidas e sempre um final feliz. Eu estava lendo a decima pagina quando percebi que tinha alguém na minha frente. A camiseta preta e a calça caqui marrom deixei seus olhos mais a mostra e o cabelo cor de ouro molhado o deixava mais bonito. Me senti envergonhada de bermuda e uma camiseta escrita “Salve o mundo” na cor verde, e de chinelos. Ele se sentou ao meu lado, eu fingia que estava lendo, mas eu prestava atenção no movimento que seu peito fazia enquanto respirava, no cheiro do perfume, e nos olhos que olhavam para o nada. Com raiva de que ela não falava nada, fechei o livro bruscamente e olhei para ele:
-Oi,. – sorri falsa.
-Oi. – ele olhou para baixo.
-O que foi. – agora eu estava preocupada.
- Você viu uma camisa minha por ai, é que ela é muito importante para mim.
-Você veio até aqui, pra me perguntar sobre uma camiseta? – agora eu estava braba.
- Sim.
-Como é a sua camiseta?
- É uma do Detroit Red Wings.
- Eu... – A pista do assassinato de Victoria. – Não, eu não vi.


Levantei-me e entrei casa à adentro e tranquei a porta para que assim eu soubesse que ele não entraria.


-O que? – perguntou Valentina ao telefone.
-É eu sei, ele veio e me perguntou sobre a camiseta.
-Lola acho que você devia contar a ele, que nos fomos para a delegacia e descobrimos tudo aquilo.
- Se contarmos o Sr. Damon me mata.
- Por que ele te mataria?
-Eu não sei, ele foi muito estranho hoje comigo. Eu estava indo levar os sanduiches para os desabrigados quando ele parou na minha frente e me abraçou.
- Bizarro amiga.
- É eu sei.
-Tenho que desligar, quem sabe na escola nos conversamos melhor.
- Ok, tchau.
Eu estava com muito medo e com muita dor no coração. Saber que a pessoa que você está gostando pode ser o assassina da sua amiga-inimiga é algo muito cruel, não consigo mesma, mas com o seu coração também.




Na escola as coisas estavam bem, principalmente quando Lisa esta de volta com a sua tripulação e quando ela se torna sua amiga. Lisa se sentou do meu lado durante toda a semana, ela ficava no meu pé vinte e quatro horas. Pelo que percebi, ela gostava de fofocar. Alice sempre me olhava e me mandava mensagens dizendo para eu dizer para Lisa que ela estava com saudades de sua melhor miga, mas nada mudou.
Durante duas semanas inteiras eu não conseguia falar com Meg ou com Valentina que olhava para a Lisa com vontade de mata-la. Na aula de historia eu pedi para ir ao banheiro ante s de ter manda uma mensagem para Valentina e Meg para que elas pudessem pedir para ir a algum lugar que não fosse ao banheiro.
Logo vi que elas estavam me esperando no corredor com a cabeça baixa. Eu não pude dizer, mas eu sentia falta delas, o que as deixariam felizes, mas nada saiu da minha boca. Meg estava louca para contar uma coisa e Valentina louca para pular no pescoço de Lisa. Quando chegamos no banheiro Meg foi a primeira a falar:
- estou apaixonada. – disse ela rindo.
- Ah era isso. – falei sarcástica.
-Pensei que fosse algo mais interessante. – falou Valentina entrando na brincadeira. Meg riu.
-Muito engraçado. – disse ela.
- Quem é o sortudo? – perguntei eu, sorrindo para ela.
-Victor Alexander Conrad. – o nome dele saia com se fosse mel da boca de Meg.
-Ele é interessante e inteligente. – falou Valentina.
- E é a amigo do Pedro. – Meg viu que a minha reação não foi muito boa, porque depois da minha conversa com Valentina. Ela ligara e eu contei o que eu havia descobrido. – desculpa Lola eu me esqueci desse pequeno detalhe.
- Tudo bem. – falei eu. – devemos voltar para a sala, garanto que o Sr. Thomas não vai gostar de saber que nós demoramos a voltar.
Na hora do almoço pude sorrir com as minhas amigas, gargalhamos muito. Até Pedro passar com Victor e Matt, o que me deixou sem ar. Valentina e Meg perceberam e começar a fazer piadinhas para que eu me distraísse. Logo vi que Valentina ficara com o rosto vermelho de raiva e percebi que Lisa estava atrás de mim. Com o seu nariz empinado e o cabelo ruivo solto e liso a deixava bonita, o que me despertou a mesma inveja que eu tinha de Victoria. Lisa se sentou ao meu lado e começou a fofocar, eu recuei um pouco para o lado de Valentina, a fim de fazer com que ela parasse, mas isso não foi possível.
Lisa tagarelava toda a hora, não dava nem um minuto para que pudéssemos responder as suas perguntas, até Valentina se levantar e começar a xinga-la:
-O que pensa que você esta fazendo? – gritou Valentina. – Durante anos você menosprezava a Lola e agora que ela esta bem, você vem e fica amiguinha dela.
-Que eu saiba já éramos amigas há muito tempo, sua recalcada. –Não deu dois minutos Valentina estava em cima de Lisa. Matt segurou Valentina para que ela parasse de bater em Lisa. Lisa estava toda suja devido ao banho de molho que caiu sobre as duas.
-Ela me chamou de recalcada. – falou Valentina.
-O que o ciúme não faz. – Dizia Lisa com o nariz empinado.
-Eu vou ter o prazer de arrastar esse nariz empinado que você tem Lisa. – retrucou Valentina. – Alias não sou eu que estou com um arranhão no meio da cara que esta marcada com os meus dedos. – Lisa estava mais vermelha do que já estava, ela nunca foi humilhada.


Elas ficaram na sala da orientadora, até a hora de voltar para casa. Eu corri para Valentina e a abracei forte. Queria saber tudo que aconteceu lá dentro da sala e o que haviam feito com ela. Se a mandaram para o reformatório ou fazer atos de caridade. Ela riu depois que eu me afastei dela, eu fiz cara de por-que-você-esta-rindo? E ela me respondeu que Lisa teria que cuidar de crianças negras e que ela começou a fazer um fiasco porque não queria e a professora a acusou de racismo e ela disse bem alto que era racista. Depois percebi que Lisa não sabia o que era racismo.
Em casa eu tentei falar com minha mãe que estava sentada de frente para a lareira. Eu me sentei ao seu lado para que conseguíssemos conversar. Ela olhou para mim com as rugas a mostra, o que e deixou com nojo.
Mamãe foi uma bonita mulher, mas depois de tanto usar maquiagem acabou com cara de velha aos trinta e sete anos. A única coisa que continuava bonito nela eram os olhos e os cabelos que eram de um castanho claro que estava mais para bronze. Ela fez menção de falar algo mais eu a interrompi:
-Mãe eu sei que sou a filha, mas você esta se comportando como uma e eu como a mãe.
-O que? – flou a voz grave de minha mãe.
-Mãe sabe o que falam de você? O que eu tenho que ouvir escondido dos outros por que eles não querem me ver sofrer mais do que já sofro com a morte do papai. – Agora meus olhos estavam cheios de lágrimas.
-Lola, eu nunca quis isso para você. Eu não sei nem o que dizer, e eu sou a mãe e são minhas escolhas então... – interrompi minha mãe novamente.
-Você quer que continuem te chamando de rodada. – eu mal terminei a frase e recebi um tapa em meu rosto, eu pousei a mão no lugar que estava quente e dolorido. Agora eu estava não apenas com raiva de mim, mas de minha mãe também. Eu subi para o meu quarto sem olha-la. E fiquei lá o resto da noite, até o outro dia. Em que eu a esperei sair para que depois eu fosse para baixo tomar o meu café da manhã e ir para a escola.

By: Paola Araújo

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