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sábado, 26 de maio de 2012

Segura - 12° Capítulo


Festa Macabra


Eu acordo com o despertador em formato de coração e com uma mensagem de Valentina me dizendo que era o dia de sua festa de dezessete anos. A família Gonzáles era conhecida pelas festas enormes que davam, principalmente quando eram os próprios membros da família que estejam de aniversario. Eu não sabia bem ao certo como me vestir porque eu não tinha roupas e provavelmente minha mãe não iria estar em casa para me ajudar e, aliás, eu não queria a ajuda dela. Depois do que ela fez aquilo me deixou insegura no modo de perguntar se ela ainda me amava, uma coisa que eu comecei a perceber que não. Tinha medo de falar com ela agora, tinha medo de sua reação quando eu perguntasse, mas eu não daria esse gosto principalmente depois do tapa que eu levei dela. Eu me levantei e fui ao banheiro para ver se eu ainda tinha a marca dos dedos dela em meu rosto. Se estivesse eu não iria à festa. No outro dia eu ligaria para ela e diria que eu não pude ir por causa de uma forte gripe que eu peguei, certamente ela não iria acreditar e não me perdoaria.
Eu liguei para a Meg para que ela me ajudasse, mas o seu telefone estava ocupado. Eu não sabia o que fazer. Eu desci para a cozinha para preparar o café da manhã para mim. Quando desci senti o cheiro de pão caseiro e quente o que fez a minha barriga roncar de fome. Eu desci rapidamente para ver a minha mãe preparando e escrevendo um bilhete, o que me deixou assustada. Ela me viu e pude perceber que ela não conseguiu dormir e seu rosto estava sem a maquiagem de sempre e vermelho de tanto chorar. Eu só a vi levantar e pegar a minha mão e depositar nela a carta que ela esteve escrevendo. Ela passou por mim e foi em rumo ao seu quarto. Eu abri a carta e me sentei na cadeira da mesa de jantar que tinha na nossa cozinha. A letra de minha mãe era impossível de decifrar, por ser pequena e muito junta, mas eu consegui ler:


Lola sei que você não quer nem mesmo me olhar depois do que fiz com você. Mas eu quero que saiba que você é uma das coisas que me motiva a continuar a viver. Se o que dizem de mim é verdade saiba que eu faço o possível para que a nossa família continue em pé e do mesmo jeito que se pai deixou. E eu quero que você saiba que eu a amo demais e que tente entender os sacrifícios que eu faço pela nossa família.
Sei que você deve estar louca para ir na festa de sua melhor amiga Valentina, por isso acordei bem cedo para ir a uma loja. Espero que goste do presente, minha filha.


Com Amor Joana MaCleyn Halyn (mamãe).




Eu queria poder acreditar nas suas palavras, mas preferia que elas fossem ditas. Eu me deliciei com o pão que ela fez e com o suco natural que ela sabia que eu gostava. Não entendi com o que ela disse com sacrifícios. O que me deixou com mais medo foi em perdê-la principalmente porque ela era a minha mãe um ser que eu não teria outra, foi ela que me deu a vida que tenho agora e não vou desperdiçar só porque tem um monte de invejosos que falam besteiras, porque a odeiam. Enquanto isso me faz ama-la cada vez mais.
Eu me levantei e fui direto para a sala onde vi uma caixa branca com letras douradas com o nome de umas das mais caras lojas de vestidos que tinha em Frankfurt. Eu a abro e dou de cara com um vestido vermelho tomara que caia que ia mais ou menos até os meus joelhos. Eu queria poder abraçar a minha mãe e pedir desculpa pelo o que eu disse, sei que fui muito ríspida com ela. Mas quando cheguei ao seu quarto ela dormia em um sono profundo. Eu olhei para o relógio redondo que tinha na cozinha, percebi que tinha umas quatro horas ainda e eu não sabia o que fazer com o meu cabelo, que cor pintar as minhas unhas, nada.
Eu escuto o som da campainha de casa, não leva dois segundos e eu já estou lá. Meg sorria com um monte de sacolas na mão:
-Pronta para arrasar, Sr. MaCleyn? – disse ela
-Um pouco nervosa. – sorri envergonhada.


Durante as quatro horas que estávamos em meu quarto, eu não vi minha mãe se mexer ou se levantar, eu queria agradece-la, mas não tive tempo. Meg usou muitas coisas em mim, baby-liss para enrolar mais as minhas ondas, maquiagem e um sapato alto e da cor de meu vestido. Meg estava fabulosa em um vestido com decote em V na cor preta que chegava aos tornozelos finos que ela tinha, com uma maquiagem clara em seu rosto claro ficou uma coisa meio estranho. Eu não sabia como eu estava porque Meg falou para mim não me olhar no espelho até que eu chegasse à festa e ir a uns dos banheiros. Meg falou que na entrada da Festa erámos anunciadas como se fazia nas antigas festas, o que me fez corar mais ainda.
Meg pegou o Corsa branco que seu pai lhe deu e ainda fez uma manobra muito perigosa que ainda me deixou com medo que sofrêssemos algum acidente. Eu estava usando as lentes de contato que Meg e Valentina me deram, como eu nunca as usei, sentia que meus olhos estavam se enchendo de agua cada vez que eu ficava uns trinta segundos sem piscar. Logo Meg estacionou na frente do salão em que a festa de Valentina estava acontecendo. Vi que Meg ligou para o telefone de Valentina que logo apareceu em um vestido bege com detalhes em preto, ela estava bonita. Eu e Meg saímos do carro e Valentina ficou de boca aberta:
- Cadê a minha melhor amiga? – perguntou ela ainda com a boca aberta.
- Eu estou tão diferente assim? – perguntei também.
-Você não se olhou no espelho?
- Eu fui culpada nisso, queria que ela tivesse uma surpresa. – respondeu Meg
Entramos uma do lado da outra e tinha um homem ao lado das portas de entrada do salão. Meg foi a primeira dizer o seu nome e Valentina pediu para que ele pedisse a atenção e dissesse que as próximas a entrar eram muito importantes para a aniversariante e assim ele fez:
-Por favor, peço a atenção de todos nessa hora. – dizia voz grossa do homem. – Senhorita Meg Elizabeth Lauren. – Meg entrou como se fosse uma princesa e percebi que Victor estava de boca aberta e ao seu lado Pedro rindo da reação do amigo.
- Lola MaCleyn Halyn. – falei o meu nome no ouvido do homem.
- E Lola MaCleyn Halyn. – Eu estava atrás do homem que saiu de minha frente e eu apareci. Se pudesse o meu coração estaria em minhas mãos. Eu olhei para todos que estavam na festa e percebi que todos estavam me olhando incredulamente. “Acho que eles estão acostumados a me ver diferente” pensei eu.
Eu desci devagar os degraus que eram brancos, as paredes com mascaras grudadas de varias cores e panos cobrindo as enormes janelas na cor dourada. Valentina e Meg sorriam para mim de modo que estivessem orgulhosas. Pedro se aproximou de mim, de modo que meu coração começou a dar saltos. Percebi que estava vermelha como o meu vestido. Ele sorriu quando chegou perto de mim, de modo que ele também estava nervoso:
-Oi. – falou ele sem respirar.
- Esta tudo bem. – perguntei.
-É que eu, já te achava linda e agora esta mais ainda. – corei.
-Obrigada. – Dei um sorriso tímido e sai de sua frente indo em direção ao banheiro enorme que tinha no salão. Eu respirei fundo e passei pela porta marrom e fechei os meus olhos e quando os abri eu já estava na frente de um grande espelho. No momento em que me vi, não sabia que eu era. Os meus cabelos estavam mais enrolados nas pontas, as maçãs do meu rosto estavam com um blush que era quase da minha cor destacando os meus olhos pintados de uma cor clara e escura com lápis de olho delineando-os, meu lábios estavam mais vermelhos do que já eram. Eu percebi que estava bonita como no conto da cinderela. Eu carregava uma bolsa de mão pequena, que cabia um batom e o meu celular que acabou tocando, era uma mensagem:


Espero que goste da festa, porque no final dela, quem vai acabar com a sua alegria serei eu ou irei acabar com a festa e com o dia de sua melhor amiga.


-Maníaco desgraçado, ele não ter... – parei quando percebi que entrava pessoas no banheiro.
Meg e Valentina entraram sorrindo, me perguntando se eu havia gostado do resultado das quatro horas. Eu dei sorriso tímido que elas logo perceberam o que era. Eu fiz sinal para que elas procurassem no banheiro se tinha alguém. Dois minutos depois elas estavam de volta, eu em silencio mostrei a mensagem a ambas. Valentina queria mandar revistar todos que estavam lá, mas eu disse que seria melhor deixar para quieto. Saímos do banheiro com sorrisos falsos estampados nos nossos rostos, o que me deixou mais nervosa.
A musica que tocavam era um tipo de eletro que eu não soube dizer de quem era, mas estava mais para David Gueta. Matt se aproximava e Valentina não tinha visto então eu a cutuquei que viu o que eu queria dizer. Ambos sorriram e foram dançar juntos. Meg estava esperando que Victor a convidasse, eu vi de longe que ele estava nervoso. Eu fiz sinal para Pedro que entendeu. Ele deu um tapa no ombro de Victor e falou algo que não pude ouvir por causa da musica alta e barulhenta. Mas percebi que tinha dado certo.
Todos estavam rindo e dançando. Meg ria alto e cochichava algumas coisa no ouvido de Victor que o fazia ficar vermelho. Matt e Valentina riam baixos e ficavam vermelhos quando ambos falavam a mesma coisa. Eu estava sentada num canto vendo minhas amigas felizes. E algo passou pela minha cabeça me perguntando se um dia eu ficaria assim: Feliz. Eu sorri vendo todas felizes, mas o meu sorriso desapareceu quando Pedro se sentou ao meu lado:
-Está gostando da festa? – perguntou ele.
-S... Sim. – gaguejei. Ficamos quietos durante um bom tempo. Até que ele mesmo quebrou esse silencio.
-Quer dançar? – ele perguntou olhando no fundo dos meus olhos.
-Quero. – respondi sorrindo.
Ele pegou a minha mão e me conduziu até onde todos estavam dançando. Ele pôs uma das minhas mãos em seu ombro e depositou a sua em minha cintura, e uma musica lenta começou a tocar. Começamos a conversar sobre varias coisas. Sobre a minha família, sobre a dele, problemas... Outra musica lenta começou a tocar e agora nossos corpos estavam mais pertos agora. Eu podia sentir o hálito quente que ele tinha e o perfume amadeirado que ele tinha. Os olhos azuis não saiam dos meus olhos, sua boca fina estava perigosamente perto da minha, eu não queria beija-lo não ali com todos me vendo. Até que a musica parou e eu voltei ao normal.
Meg se aproximou e me ofereceu uma cerveja. Eu nunca bebi no minha vida, mas era uma festa e acabei cedendo. O liquido que estava gelado e era amargo desceu pela a minha garganta, eu queria tê-lo cuspido, mas eu não iria fazer isso na frente de todos.
E pela segunda vez eu fiquei bêbada, eu mal conseguia ficar de pé. Pedro estava ao meu lado me ajudando em tudo, em não tropeçar, em não vomitar, em caminhar direito. Eu até pensei que era paranoia minha, mas eu ouvi um grito que eu conhecia.
-Você escutou isso? – perguntei para Pedro.
-Não. O que foi? – eu não pude responder, por que eu sai correndo, em busca do grito que eu havia escutado.
E em por um breve tempo eu pensei que algo havia acontecido com Valentina ou com a Meg, mas eu não deixaria que nada acontecesse com elas por que o nosso principal suspeito era aquele com que eu dancei durante uma musica que nem eu mesma tive tempo de escutar ou de saber de quem era, por que as safiras azuis que Pedro tinha me tiravam toda a atenção e de alguma forma eram elas que deixavam o meu dia feliz.
Eu corria pelos fundos do salão quase tropeçando, no banheiro, na cozinha e até mesmo no banheiro dos meninos. Até que eu cheguei ao estacionamento, Pedro estava comigo eu engoli em seco quando vi uma mão caída no chão e que o corpo de sua dona estava atrás de um carro na cor vinho. Ela era pálida e estava com as unhas bem feitas. Eu quase caio quando vi de quem era àquela mão. O cabelo vermelho estava despenteado como se ela tivesse tentando se salvar. O vestido branco estava sujo devido ao sangue que escorria pela a sua barriga, eu tentei gritar, mas nenhum som saia da minha boca. Eu olhei para Pedro que estava ligando para o pai, que parecia que não estava acreditando. Por que com a Lisa, o que foi que ela fez. Valentina. Lembrei-me da mensagem: irei acabar com a festa e com o dia de sua melhor amiga. Ele não podia fazer isso, matar a Lisa e dizer que a culpada foi a Valentina. Eu me aproximo mais do corpo de Lisa e percebo que seu rosto estava um pouco desfigurado com se tivessem arrastado ele. Eu vou ter o prazer de arrastar esse seu nariz. Não, ele não pode fazer com que prendam a minha amiga, eu não vou deixar. Eu tinha que contar a Valentina de alguma forma, de alguma forma ela tinha que sair de lá.
Eu voltei correndo para dentro do salão e fui em busca de Valentina a fim de avisa-la. Pedro vinha correndo atrás de mim. Eu avisei a ele que estava procurando Valentina e me falou que ajudaria, eu a encontrei dentro do armário com Matt. Eu a puxei que gritou em protesto. Eu a levei para o banheiro e lhe informei o que aconteceu e falei para ela ir pra bem longe de Frankfurt. Ela riu e achou que eu estava brincado só então percebeu que era verdade, depois que a policia chegou, mas já era tarde de mais para fugir.

By: Paola Araújo

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