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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Segura- 13° Capítulo



Meu querido Diário



Eu estava segurando a mão de Valentina. Eu apertava a cada vez que o Sr. Damon se aproximava, Pedro estava ao meu lado em um modo de defesa, como se ele tivesse certo medo de seu pai. Meu coração estava cada vez mais acelerado. De alguma forma Meg me tranquilizou colocando suas mãos sobre os meus ombros. O Sr. Damon se aproximou de nós, ele por outro lado ficou olhando para Pedro e fez um sinal a ele, Pedro assentiu e me deu um beijo leve em meus lábios e disse um adeus mudo aos outros. Eu estava arrepiada, eu não sabia o que fazer, mas meus olhos estavam se enchendo de lágrimas, por alguém que sempre me machucou.
Eu fiquei assustada quando um policial disse que não havia nada atrás do carro. Eu não acreditava nas palavras que o homem havia dito. Eu não podia ter ligado para a policia, mas Pedro falou com o seu pai, com certeza Pedro deve estar encrencado com o seu pai, por mentir. Mas ele não estava mentindo, eu também havia visto.
Eu podia ver a conversa que Pedro tinha com o seu pai, ele vinha em minha direção. Começou a faltar o ar em meus pulmões, eu não conseguia respirara direito, tudo estava girando. Valentina percebe o que estava acontecendo comigo e me segura, Matt me pega no colo e me levam até a cozinha e me fazem cheirar algo para que eu despertasse. Mas tudo foi em vão.
-Eu acordo dentro de um carro, o cheiro era de novo. Os bancos eram na cor creme e feito de coro. As coisas ainda estavam fora de foco, mas a voz que me despertou, fez eu me encolher com medo que algo acontecesse comigo:
-Você está bem? - perguntou Pedro. Eu assenti com a cabeça. Ele estava com a camisa quase toda aberta, dando para ver os músculos bem definidos que ele tinha.
-O que aconteceu?
-Meu pai brigou comigo, porque achou que eu estava mentindo. Lola como um corpo pode desaparecer?
-Eu não sei. – a minha cabeça latejava.
-Mas você viu o corpo da Lisa. Eu pelo menos pensei que fosse ela. – ele estava com raiva. Eu pude perceber em seus olhos.
Quando o carro parou na frente de minha casa, eu desci do carro, mas quase fui ao chão se não fosse por Pedro, o vestido que minha mãe gastara caro para mim teria sido destruído.
Eu continuava a não me sentir bem, principalmente agora que Pedro era um dos principais suspeitos da morte de Victoria. Pelo menos para mim e as meninas. Pedro me pegou no colo e me carregou até o meu quarto. Minha mãe não estava como sempre, mas eu temia que ela aparecesse.
Pedro me pousou lentamente em minha cama e se sentou na ponta me fitando com aqueles olhos que ainda me fascinam. E pensar que podia ser eles a última coisa que Victoria podia ter visto. Ele continuava a me olhar e eu sem querer falei meio brusca com ele:
-O que você esta olhando?
-Você. – respondeu ele sereno.
-Desculpa, eu não intendi.
-Eu estou vendo como você ficou depois que Meg veio até aqui.
-Como sabe que Meg veio até aqui?
-Victor. – respondemos ao mesmo tempo e rimos juntos.
-Me permite fazer uma pergunta? – perguntou ele.
-Claro.
-Quem era Victoria? – eu não sabia como responder aquela pergunta, então olhei para o criado mudo que ficava ao meu lado e abri a primeira gaveta e de lá eu retirei uma foto que eu entreguei a ele. – É a do meio.
Ele ficou em choque quando viu a foto. Aquela foto foi tirada quando Victoria havia chegado a Frankfurt, Era um dia chuvoso, ela sempre foi linda e me perguntava se as garotas mais velhas tinham inveja dela. Ela estava com um guarda chuva amarelo assim como o vestido curto e rodado que ela usava. O cabelo liso caia até a metade de suas costas e os olhos azuis pintados com uma cor escura que eu de longe não pude enxergar. Minha mãe passava por ali naquele dia, e foi assim que eu conheci Victoria Louise Trentham.
O rosto de Pedro estava mias branco eu me aproximei dele, para ver o que estava acontecendo. Era como se só o seu corpo estivesse ali e sem alma:
-Pedro, Pedro. Oi. – chamei por ele. Ele engoliu em seco.
-Vicki. – foi tudo que ele falou.
-Quem?
-É a minha Vicki. Se ela morreu, quem me mandou as mensagens. – ele falou como se eu não estivesse ali no meu próprio quarto.
-Que mensagens? - eu agora estava assustada. Ele também recebia as mensagens.
-Lola quando te conheci eu comecei a receber umas mensagens, elas pediam para que eu me aproximasse de você, que eu fizesse você se apaixonar por mim... – meu rosto mostrou que eu não queria mais ouvir. Tudo o que eu, nós passamos, foi o maníaco que o mandou fazer.
Senti meus olhos queimarem e as lágrimas começarem a cair destruindo a maquiagem que Meg fizera para que eu pudesse ficar bonita. Mas ninguém sabia que eu queria ficar bonita para ele. E no final eu descubro que nada disso era verdade. Ele era um misero boneco sendo manipulado.
-Saia da minha casa. – eu falei para ele.
-Lola, espera me deixa explicar...
-Saia da minha casa. – eu repeti. Ele ficou com a cabeça baixa e saiu do meu quarto.
Eu esperei ouvir o barulho da porta da frente ser fechada, para que eu começasse a chorar e manchar os meus travesseiros que eram imaculadamente brancos.




Eu esperei os dias passarem, para ver se o meu coração melhorasse. Eu estava terrivelmente magoada, não apenas com o que estava acontecendo. Naquela manhã, eu não queria ir a escola, como eu havia feito durante as duas semanas que passaram. Meu coração estava amachucado novamente.
Ele estava pior, do que quando meu labrador amarelo que se chamava Spot havia morrido. Pior que a dor de ver a minha vó morta em minha frente, pior que a dor que eu senti quando meu pai morreu, pior do que quando Victoria morreu, ou melhor, Vicki.
Por que eu agora me importava quando tudo que eu mais queria era estar com ele, poder ver seu rosto se iluminar como o sol quando ele sorria, poder ver os olhos que tanto me fascinavam, tanto que meu coração começou a pertencer a ele.
Ouvi a porta da frente se abrir, minha mãe estava com os seus trajes tradicionais de professora. Percebi que ela viria direto para o meu quarto eu me virei para o outro lado da cama, para que quando ela entrasse veria que eu não queria ouvir nada. Ela bateu na porta, eu apenas a olhei por sobre o ombro e voltei a minha cabeça para a parede. Sinto o peso dela afundar por sobre a cama e passar a mão em meu cabelo. Em outra época, eu poderia até gostar desse afago, mas naquele momento eu não precisava ser tratada como uma cadelinha sem dono, sem rumo e sem amor. Ela murmura alguma coisa e sai do quarto, eu me viro de barriga para cima e percebo que já estava tarde. A lua encantava a noite estrelada que dava para ver pela enorme janela que tinha em meu quarto. Levanto-me para me ver no espelho. Os olhos inchados de tanto chorar, o rosto redondo vermelho e triste, os cabelos embaraçados e as minhas vestes gastas. Eu passo a mão por entre os meus cabelos e olho para as fotos que tem colados no espelho. Todos eles me tinham no meio ou em um canto escondida, Victoria linda como sempre assim como Meg e Valentina. Foi nesse dia em que eu prometi para mim mesma que eu não ficaria por baixo, o ódio tomou conta de mim agora todos iriam se curvar diante de mim assim como faziam com Victoria. Eu seria a abelha rainha dessa vez e ninguém iria me tirar do meu trono. Foi ai que vi pelo espelho uma caixa.
Eu fui direto a ela. Minha mãe havia posto um bilhete ali, ela adorava fazer bilhetes, foi assim que ela conquistou o meu pai:


Minha mãe me deu um, ela disse que assim me sentiria melhor. Escreva tudo, não deixe que o ódio tome conta de você e faça com que você sofra depois. Descubra que as suas palavras tem poder.
Comece escrevendo “Meu Querido Diário”.


Eu rasguei toda a caixa e dei de cara com um caderno, com detalhes feitos a mão, nas cores roxo e preto. As paginas não tinham linhas e muito menos datas. Eu fui até a minha escrivaninha que tinha o meu computador velho. Eu peguei uma caneta qualquer e comecei a escrever com a minha letra grande:


Querido Diário.
Hoje eu menti novamente, para não ter que vê-lo. Para não ter que escutar as suas desculpas, como se fosse daquilo que eu precisasse. O meu coração esta doendo mais do que no dia em que perdi o meu pai. Doendo mais... Não sei como o meu coração esta doendo, mas uma parte de mim queria poder ir a casa dele e falar tudo aquilo que por horas eu fiquei imaginando na minha cabeça. Mas a outra parte queria poder sair daqui. Queria poder esquecer uma coisa que um dia já foi meu e que se foi, mas isso é como vento. Ele se vai, mas depois volta.


Eu paro de escrever, e fecho o caderno. Minha mãe tinha razão, isso funcionava muito bem, a minha raiva passou e o motivo da minha mudança também. Agora eu estava feliz, feliz por ter alguém que não fala não se mexe e que pode ser bem guardado para desabafar. Sinceramente era daquilo que eu precisava. Desabafar.
Eu me levantei, respirei fundo e desci sem os meus sapatos, as escadas da minha casa. Minha mãe estava fazendo algum sanduiche para ela comer. Ela estava magnifica como sempre, os olhos castanhos e os cabelos cacheados que estavam arrumados e a roupa que ela usava a deixava bonita. Ela olhou para mim e eu sorri e corri para agradecê-la. Ela me abraçou forte e beijou o topo da minha cabeça.
Durante a noite fizemos coisas de garotas, pintamos as nossas unhas e brincamos muito. Na verdade era um pouco de felicidade que eu precisava, um pouco da minha mãe. E foi assim que eu passei a primeira noite com a minha mãe desdá morte do meu pai.

By: Paola Araújo

2 comentários:

  1. Girl amei esse capítulo. Continue assim. Ah quase esqueci, você não tem mais twitter? De repente quando fui te mandar um tweet, você não estava mais lá.

    Enfim, beijos.

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  2. O meu twitter está "suspenso" e eu tô quase louca aqui! Não sou nada sem o meu twitter!! D:

    Que bom q vc ta gostando!! *--*

    Bjs

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