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domingo, 6 de maio de 2012

Segura-2° Capitulo


                                                             O Desconhecido

Ele me lembrava de certo modo alguém que conhecia não alguém com quem eu deva ter conversado, mas apenas eu tenha visto. Pra mim ele era estranho, o ar que ficava entre nós era estranho, tudo que o envolvia era estranho. Pela parede que pus de cabelo entre nós, percebi que ele fitava algo que tinha em suas mãos. Um papel. Algo interessante devia estar escrito lá, mas não dei muita bola à única coisa que eu queria saber era mais sobre esse garoto, porque eu me sentia tão atraída por ele? Eu mal o conhecia. Ele se chamava Pedro e eu o devia ajudar durante um período na escola ate que ele se adaptasse a ela. “Mas ele tinha cara de não querer se adaptar a ela” pensei eu ainda olhando pelo cabelo. De algum modo havia algo misterioso nele que parte de mim queria saber e a outra queria poder estar beijando a boca fina e rosada que ele tinha. A atração que eu tinha sobre ele aumentava a cada segundo que eu estava perto dele e ainda ele continuava lindo. Em minha cabeça pensei nele como se fosse o homem mais horrível do mundo, mas minhas forças foram em vão, ele continuava lindo. Ele virou o rosto em minha direção e fiz um sinal mudo de um “oi” que parece que viu, mas ignorou. “Mais um garoto arrogante em minha lista de não querer me aproximar” e então virei-me e continuei a fingir que prestava atenção na aula de biologia.
A voz do Professor Castro era instantaneamente horrível. Tinha dias em que a sua voz parecia que ele fumara mais de duzentos cigarros de uma vez e nas outras era rouca devido a sua alergia ao ar “que deduzira Meg”. Em ter pensando em minha amigas fiquei me perguntando sobre o que elas achariam do aluno novo, se achariam do mesmo modo como eu. Arrogante, estranho, misterioso e lindo. Mas pelo o que eu conheço de ambas, diriam ao contrário. . Elas estavam do outro lado da sala, deviam estar rindo da sorte que eu tinha, mas achei que elas queriam de algum modo se comunicar comigo, pena que não seria possível até a hora da próxima aula que seria de matemática. Mas a minha cabeça também foi para um pensamento. O de Victoria. O que ela pensaria dele? O que acharia dele?... Não consegui imaginar a resposta. Eu o ouvi suspirar ao meu lado , acho que estava pensando que a aula de biologia era chata ou na língua de alguns garotos da escola, um porre. Pude notar que ele também tinha alguns músculos que não apareciam devido as camiseta larga que estava usando, mas ao descansar o rosto na mão esquerda pude sentir novamente o perfume que eu senti no ônibus ele estava mais perto de mim novamente e vi que algo de interessante começava a entrar em dentro de mim. Uma coisa que eu tentava de todo o modo esquecer. Os meus pensamentos novamente foram interrompidos com uma pergunta meio que idiota do Sr. Castro:
-Lola como fica a célula de um vegetal com muita agua dentro de si? – perguntou tossindo.
- O vegetal esta em meio hipotônico. Então o vegetal sofre desplamólise, ela fica turgida. – respondi.
Pude ver que ele ficou com raiva, porque respondi corretamente, Não sabia bem ao certo porque a maioria dos os professores me odiava. Era mais porque eu era mais inteligente do que eles? Ou porque a minha mãe era a chefe, nesse caso eles deviam era me bajular para sair daquele hospício que eu chamava de escola. O que havia de tão errado comigo, que fazia os outros se afastarem tão rapidamente e me odiarem ao mesmo tempo? Será que foi por causa da morte de meu pai, que era um diretor magnífico que sabia o que fazer nas horas certas e erradas e que brutalmente fora assassinado por um adolescente que na verdade era meu namorado Will. Will era meio que interessante em alguns aspectos e maravilhoso em outros, não tinha músculos o que não chamava muita atenção, era magro e tinha um sorriso delicioso que eu gostava de ver, cabelos escuros e rebeldes, olhos escuros e seu tom de pele era branco muito branco. Mas como poderia diferencia-lo de meu pai que conseguia tirar a minha atenção com os assuntos que eu mais gostava de conversar, era puro ciúmes que Will sentia pelo meu pai. Antes de descobrir que ele era “bissexual” e que sentia atração pelo meu pai, e então sabendo que não conseguiria nada com ele atirou nele. Três balas atravessaram o peito de meu pai, que era velho e que andava torto, que a risada que ele tinha me contagiava de um modo inexplicável, ele me entendia perfeitamente. Ele sabia quando eu estava triste quando fingia estar bem, ela sabia como secar as minhas lagrimas como a minha mãe tenta fazer até hoje, mas nunca conseguiu. Lembro-me ainda de quando era pequena e que me perdi na floresta que tinha perto da casa dos meus tios Linda e Wagner que tinham uma casa imensa no Canadá. Lembro-me de estar gritando sem cessar pelo nome de meu pai e nada e nem ninguém aparecia e quando eu começara a chorar meu pai apareceu vestido de Super-Man pra me salvar. E nós rimos juntos de um modo que só pai e filha sabiam. Pelo menos eu estava perdida, bem perto da casa.
Lagrimas começavam a encher meus olhos, e ainda fiz escapar um soluço, que fez o desconhecido se virar para mim novamente e suas safiras me fitaram como se ele soubesse da minha historia e estivesse com pena de mim. Queria perguntar o que ele tanto olhava. Acho que ele estava pelo menos tentando ser simpático, “mas não agora” gritei comigo mesma. O som do alarme que mostrava que o horário da aula de biologia terminara. Vi que todos os meus colegas de classe se levantaram e estavam indo, até mesmo o aluno novo se levantara e só eu fiquei sentada. Olhei para Valentina e Meg. Fiz um sinal mudo de que as encontraria na sala de matemática e me levantei.  Ao sair levei meio que um susto, Pedro estava encostado na parede ao lado da porta. Respirei o seu perfume e soltei antes de perguntar:
-Qual a sua próxima aula? – perguntei tentado ser simpática e também fazer um sorriso.
-Matemática. – respondera ele. Sua voz era melodiosa, um tanto que se minha irmã ouvisse surtaria ou vomitaria. Ele nem se quer olhou para mim quando respondeu, ele estava fitando o teto, eu olhei para cima , mas não vi nada de interessante e voltei a fita-lo. “grosso” pensei eu.
-É a minha próxima aula também. Se quiser pode me acompanhar, ou vai querer matar a aula? – Falei meio que grossa.
-Tenho cara de quem mata aula? – ele virou seu rosto de um modo sedutor e fez um sorriso malicioso.
-Quer mesmo saber a resposta?
-Não, acho que até já sabia. – disse ele se desencostando da parede. –  Você vai me dizer onde é a sala de aula, ou vai me levar até lá?
-O que você prefere? – perguntei meio que tímida. “porque sou bipolar?”.
-Queria te acompanhar. – ele disse meio como se fosse um sussurro, como se ele fosse tímido.
-Por aqui então. – disse por fim ele me acompanhando pelos grandes corredores que havia na escola.
Me senti estranha por ser tão rude com o garoto lindo que estava ao meu lado. Enquanto passávamos ele olhava pelos corredores os murais das outras turmas. Uns eram coloridos, muito coloridos, outros tinham a cor meio fraca como se estivesse pintado um quadro que em minutos vai envelhecendo. Parecia que ele entendia de arte. O seu perfume ainda exalava pelo ar, pelos corredores da escola. Eu não sabia bem ao certo que cheiro era. Se era amadeirado ou apenas o cheiro de uma flor. Só sei que queria estar todo o tempo do mundo com ele, que se fosse possível não iria a sala de matemática, eu o pararia e o beijaria ali e agora. “O que esta acontecendo comigo, acorda Lola acorda!”
A sala de matemática ficava em um dos andares da escola. Havia dois caminhos para chegar à sala de aula, o fácil e rápido, e tinha o difícil e devagar. Eu decidi ir pelo o fácil e rápido, mas depois eu me arrependi. Lisa a ruiva que todo garoto sempre quis ter passava com o seu pelotão de morenas e loiras que querem ser ela. Lisa era um pouco mais alta do que eu, tinha o rosto em formato de coração e olhos verdes e boca fina. Seu corpo era parecido com o de Valentina, só que um pouquinho mais gordinha como as outras que a segue como Alice, Renée, Savannah e Mariah. Savannah e Mariah eram gêmeas idênticas e louras, a única diferença entre as duas era que uma tinha mais cérebro que a outra. Alice era morena como Renée que é sua prima, ambas tem o mesmo tom de pele e da cor dos olhos que são cinza como um nevoeiro, Renée tinha os cabelos encaracolados e bastantes cheios, ela era chamada de leão negro  da turma. Lisa era a segunda opção, sempre foi. Enquanto Victoria sempre ganhava em tudo. Eu podia dizer que Lisa tinha esse ciúme de Victoria, porque Victoria ganhava tudo e todos enquanto Lisa ficava apenas no seu grupinho manipulável. Lembro sempre com um triste pesar que Lisa sempre me botava para baixo, sempre dizia que eu nunca conseguiria ficar no mesmo lugar que ela ou no de Victoria, porque eu era nada, porque eu era invisível. Eu a conheci no jardim de infância, nunca gostei dela, mas depois na oitava serie Victoria chegou e mudou tudo principalmente quando eu mais precisava.  Eu meio que melhorei um pouco quando ficamos amigas, não mudei quase nada, apenas achava que mudando o meu eu de fora provocaria uma tormenta dentro de mim fazendo-me mudar também por dentro.  Depois da noticia de que Victoria havia sido assassinada, acho que Lisa deve estar muito feliz, principalmente agora que ela é realmente a numero um da lista das meninas mais bonitas da escola.
Um suspiro pairou no ar quando passamos pelas cinco, senti-me constrangida porque eu estava do lado de Pedro que poderia bem ser um príncipe encantado:
-Lola. – chamou-me Lisa que tinha uma voz de princesa, desde pequena ela falava assim para que os outros notassem que ela era de classe alta. Virei-me para ela, para ver o que queria. – Meus pêsames, querida. Eu sei que deve ser duro para ser você neste momento. – disse ironicamente.
-Obrigada, mas tenho que ir.
-Não vai me apresentar seu amigo. –disse por fim interessada.
-Não somos amigos. – disse irritada. Lisa estava se aproximando com um sorriso.
-Olá, eu sou Lisa Green.
-Desculpe, mas não estou interessado. – disse Pedro arrogante, mas foi isso que me assustou. Ninguém nunca disse não a Lisa, ou no caso dele, não disse seu nome. Ninguém nunca a ignorou.
Viramo-nos e fomos direto para a sala de matemática.

A aula da Srta. Strong era fantástico porque a própria professora era maravilhosa. Mas tudo ocorreu bem na aula, menos quando Lisa me mandava uns olhares de tipo vou-matar-você-por-ter-feito-o-que-fez. Não intendi bem mas Valentina e Meg olhavam para mim e riam, acho que era porque Pedro estava sempre me fitando. Ele me perguntava algo referente a aula mas eu não respondia. Eu peguei o capuz do meu casaco e coloquei, para que tivesse uma parede onde eu pudesse pensar.
Depois no almoço fiquei numa mesa esperando Meg e Valentina, acho que elas com certeza queriam saber tudo que havia acontecido comigo durante a manhã. Logo vi as duas manobrando tudo e todos para que chegassem rapidamente ate mim:
-conta, conta, conta. - Pediu Valentina ansiosa
-bom... por onde começar. – Falei eu timidamente
-Desde o aluno novo que por minha experiência, você ficou encantada. – falou Meg de um jeito doce que quase me fez vomitar.
-Ele pega o mesmo ônibus que eu. - Eu estava sorrindo
-continua. – Pediu Valentina e eu continuei a falar tudo o que aconteceu, ate mesmo a parte de Lisa que ambas como eu ficaram boquiabertas com o que Pedro fizera. E a aula iria começar tudo de novo e então eu me levantei , me despedi das duas e fui para a aula de geografia.
 A aula foi a pior de todas, principalmente porque o assunto era Pedro o aluno novo, e comentários soavam pela escola inteira de que a “fera” que era como me chamavam tinha engolido o garoto. Fiquei de cabeça baixa o tempo todo como se eu não quisesse nem ao menos olhar para Pedro. Ele me perguntava às coisas e eu o ignorava completamente, acho que o meu dia acabou.

Quando cheguei em casa, minha mãe estava preparando biscoitos. O cheiro era formidável, a casa estava limpa, havia flores no vaso que tinha na mesa que estava no centro da casa. Isso só significava uma coisa... Visitas:
-Quem vai vir aqui, mãe? – perguntei eu gritando da sala para minha mãe que estava na cozinha.
-Oi, pra você também. – disse ela irônica. – Os novos vizinhos, acho que devíamos ser simpáticas com eles. Principalmente porque o novo vizinho é o novo chefe da delegacia de policia. – disse ela rindo. Pensei só em uma coisa. “ O policial Bonitão, só podia ser pai de Pedro”.  Lembrei-me dos traços idênticos que havia nos dois. - O filho mais velho esta estudando na mesma turma que você, não é querida?
-E vai oferecer biscoitos a eles. Cadê a champanha e o vinho, ah! não se esqueça dos refrigerantes também. – disse eu ironicamente.
-Filha, está tudo bem? – minha mãe saiu da cozinha para me ver.
- Hoje na escola eu estava me lembrando do papai. e o pior de tudo é que eu tenho que cuidar desse aluno novo. – Lagrimas começaram a cair, mas eram lagrimas de raiva.
-O quê que tem você ter que cuidar desse garoto, Lola?
- Mãe, olha pra mim, eu sou a fera dos contos de fadas e todo mundo começou a me zoar ou ficar me tirando por causa dele. Eu ouvia comentários que faziam uns aos outros, dizendo que estavam com pena dele, porque estava comigo. – eu estava furiosa, e ainda tudo era verdade.
-mas, filha...
-eu não quero ouvir. -  subi pelas escadas e fechei-me em meu quarto, e fiquei no escuro até a hora do jantar.


-Eu sinto muito pelo que aconteceu com a sua amiga, Lola. – Diz Leona pelo telefone - Tem certeza que esta tudo bem? – pergunta a voz grave de Leona. – E esses garoto novo na escola. Pelo que você me descreveu ele é um gato, mas por que você não gosta dele? – “Pelo simples fato que ele faz chamar muita atenção pra mim”.
-você não me entende. – disse eu com os olhos inchados de tanto chorar. – Ele chama muita atenção.
- a sei, Lola você nunca quis ter atenção. Tem um monte de meninas que colocaria fogo em si mesma para querer chamar a atenção e talvez ser... muito popular.
-Mas isso não vem ao caso. – Quando era menor adorava ver Leona com os cabelos curtos e rebeldes pintados de cores diferentes todos os dias. – eu não sou como você.
-Mas um dia a de ser. – diz ela gargalhando do outro lado do telefone.
-Leona, não tem como eu pintar o meu cabelo de um rosa choque e no outro dia tudo ficar melhor. Se um dia eu for popular, que eu peço que nunca chegue, quero que seja por quem eu sou e não porque eu agora ando com o garoto mais bonito da escola e ou por outras coisas. – disse séria, mas a única coisa que ouvi do outro lado da linha era Leona rindo.
- O menino mais lindo da escola... – murmurou ela.
-você me entendeu, era um exemplo.
-Tudo bem, mas quando chegar as férias vou querer conhece-lo. – diz ela ainda rindo. – e outra coisa, se ele der mole pra você, fique com ele. – revirei os olhos quando ela diz isso.
-Leona... Eu sinto a sua falta, sinto falta dos dias maravilhosos que passávamos juntas, e das nossas conversas. – sussurrei
-eu também. – a voz dela agora fica tranquila e calma. – Se ver o Carl diga que eu ainda o amo, ok.
-Quem é Carl?  - fico espantada com a mudança de assunto.
- O meu namorado sua boba, ah tenho que desligar. Tchau. – ela desliga.
Carl era o moreno que Victoria ficou na festa, o namorado da minha irmã. Eu não podia contar a ela o que eles fizeram, acho que ela nunca me perdoaria se eu não contasse, mas tenho que defende-la da dor e é o que eu faria.   Na minha cabeça, estavam passando as imagens de quando eu era pequena e via Leona que era adolescente. O jeito dela se vestir naquela época era muito diferente do que ela se veste hoje em dia. Antes ela era uma gótica muito maneira que escutava altos rocks e o cabelo sempre pintado de uma cor diferente todos os dias, e hoje ela se veste como uma grande chef de cozinha, mas ainda escuta os seus altos rocks.
Ainda vaga na minha memoria as coisas loucas que ela fazia. Lembro dela distraindo mamãe para que um amigo dela pudesse sair do quarto dela e  ir embora, eu era muito jovem mas pude ver e ouvir o que ela e ele fizeram na noite em que ela deveria cuidar de mim. Ela só ligo a tevê e fiquei lá  e depois de tanta tevê, fui pedi pra ela fazer um copo de leite pra mim, fui para seu quarto e vi ela de baixo do garoto, mas não quero pensar nessas coisas. Eu nunca pensei, mesmo quando Victoria vivia me enchendo o saco por causa disso, eu nunca pensei. Eu tinha dezessete anos assim como as outras e Victoria me disse que perdeu a virgindade com dezesseis. Eu sei que isso é um assunto para ser debatido todos os dias quando o papo é só de garotas. Tipo mamãe-e-filha. Mas eu sempre estou informada sobre isso e sei muito bem como me cuidar e como usar uma camisinha.
É nesses momentos que me lembro de Victoria vindo pra minha casa, numa noite bem quente. Como sempre ela estava bonita, ela usava robe na cor lavanda que ia até seus joelhos e que mostrava muito as suas pernas que por Estefan eram deslumbrantes. Eu me sentia inferior a ela de calça moletom e uma camiseta que era de meu pai, os cabelos todos desgrenhados, e minhas roupas estavam sujas devido a batida de banana que tentei fazer no liquidificador.  Ela vinha sorrindo, um sorriso que eu conhecia bem. Um sorriso que dizia que conseguiu algo que sempre quis. Victoria morava a uns dois quarteirões da minha casa, que seria bem fácil ela vir e fazer o que quisesse, e ela conhecia a minha mãe melhor do que eu. Ela entrou e se sentou no sofá branco com as madeiras pretas que minha mãe tinha e que era seu maior orgulho. Depois de mim. Ela fez sinal para que me sentasse ao seu lado. Eu me sentei meio que desconfiada e o sorriso dela não saiu do seu rosto nem por um segundo:
-O... O que aconteceu? – gaguejei
-Eu tive a melhor noite da minha vida. – disse ela se espreguiçando
-Victoria seus pais não estão em casa, e o seu tio é quem está cuidando de você e como esta foi a melhor noite da sua vida?
-Porque, meu tio ficou bêbado, e dormiu que nem um morto e enquanto isso eu liguei pro namorado da sua irmã e ele foi lá em casa, sabia? – o sorriso não saia do seu rosto, e eu, eu estava horrorizada.
-O que foi que vocês fizeram? – Eu estava horroriza e a vozinha que tinha na minha cabeça me mandava estapear a garota que estava na minha frente.
-Nada de mais... Só que eu perdi a minha virgindade. – o sorriso continuava e eu fiquei parada e sem reação. Ela se levantou me mandou um beijo pelo ar e se foi noite adentro rumo a sua casa  e a sua cama com o cheiro de Carl e eu constrangida pelo o que a minha amiga inimiga havia feito, não conseguia contar a minha irmã.

O meu telefone toca, é uma mensagem de texto.

Eu sei tudo sobre você e sobre as suas amiguinhas. Se não quer perder mais uma, então não conte nada. Se não. Ira perder tudo aquilo que você mais ama e sonha.
                                                                                             
O numero era confidencial. Eu pensei com os meus botões que era apenas uma brincadeira sem graça de alguém, ou uma das brincadeiras de sangue de Valentina. Eu desligo o meu telefone e a minha mãe me chama dizendo que as visitas haviam chegado. Eu respiro fundo e desço as escadas para poder conhecer os novos vizinhos, ou não tão novos.

A mãe de Pedro, Callie, era morena com os cabelos curtos e levemente ondulados, ela usava uma saia branca com meia-calça do tom de sua pele e a blusa em decote V  verde realçava as esmeraldas em seus olhos, era um doce de pessoa. As irmãs gêmeas, mas não idênticas, usavam a mesma roupa, calça jeans e blusa de manga comprida branca. Uma era Círia morena como a mãe e com os olhos do pai. A outra era Francine Loira  com os mesmos olhos da mãe. “estranho” pensei eu. O Pai de Pedro o policial novo, era o Sr. Damon, que usava roupas formais. Minha mãe não tirava o sorriso do rosto, vi que ela estava feliz então tentei fazer um sorriso e ainda senti que os ferros que chamavam de aparelho não estavam mais entre os meus dentes. Minha mãe se voltou para mim, seus olhos pediam para que eu não fizesse nem uma loucura. Eu assenti com a cabeça e ela me apresentou:
- Essa é a minha filha mais nova, Lola. – o sorriso continuava e eu dei um rápido sorriso, que parecia que eu ainda estava fraca pelas coisas que andavam acontecendo.
-Muito prazer. – Esticou o braço Callie com um sorriso, eu apertei apenas por educação e o larguei a mão ossuda que ela tinha.
-Como vai? – Saiu da minha boca. Eu estava nervosa porque o homem que estava em minha frente me cuidava como uma criminosa quando na verdade eu nem sabia da metade das coisas.
-Muito bem, obrigada.  – respondeu ela, eu estava de cabeça baixa, não queria encara-lo. Pedro saiu por entre os dois e sorriu como se fosse uma criança quando visse muitos presentes debaixo da arvore de natal. Ele estava maravilhosamente lindo com uma camiseta que mostrava seus músculos que não eram muitos e o cabelo molhado que fazia dos seus olhos azuis duas grandes piscinas.
-Oi Lola. Lembra de mim? – Perguntou ele
Como eu poderia. – disse ironicamente, mas por que eu fiquei vermelha ao dizer tais palavras.

Depois do jantar eu me sentei na frente da lareira que ficava no meio da sala da casa. Meus pensamentos voltaram para a festa que eu estive com Victoria. Ela estava linda com um vestido branco que mostrava bem as suas curvas, Meg e Valentina resolveram usar o mesmo vestido só que de cores diferentes e eu... Eu decidi ir sempre de calça jeans e camiseta com um casaco com capuz. A festa tinha muitas bebidas e um cheiro que eu podia imaginar que era maconha. Algumas pessoas que provavelmente devem estar internadas hoje estavam lá. Lembro-me de Victória nos chamando para ir embora. Naquele momento percebi que ela estava nervosa e que seus olhos seguravam lagrimas. Eu não sabia bem ao certo, mas acho que Carl falou algo para ela que não gostou. Entramos rapidamente no carro e fomos e depois houve toda aquela discussão dentro do carro que acabou com uma tragédia para nos quatro, uma morreu e três ficaram.
Meus pensamentos foram atraídos para o homem que estava se sentando do meu lado, Seu olhar mostrava que ele queria uma coisa e eu sei bem o que era. Saber se eu tinha matado Victoria. Ele respirou fundo e começou:
-Lola eu sei que não foi você quem fez aquilo com sua amiga. – “mas você pensa que eu mandei alguém fazer por mim” – Sei que não foi nenhuma das suas amigas, mas a única coisa que eu quero saber é se Victoria tinha alguma inimiga? – Eu respirei fundo.
- A única inimiga dela, eram todos. – disse por fim
-Não intendi.
-A maioria das pessoas no mundo tem segredos, principalmente aqui em Frankfurt. Ela sabe cada segredo, de todos aqui. Provavelmente alguém a matou por saber demais. - Eu disse mais do que devia, mas era a verdade.
-Quer dizer que todos a odiavam. – Disse ele coçando do queixo e se endireitando no sofá. Eu estava de cabeça baixa com o capuz do meu casaco.
-Eu não a odiava. Ela sabia alguns segredos meus, mas eu não a odiava.
- O que quer dizer então?
-Ela era uma das minhas melhores amigas, mas era pior inimiga que alguém podia ter. – disse eu com os meus olhos enchendo-se de agua.
-Pai, você não esta no seu escritório. – disse Pedro saindo da cozinha e se sentando na poltrona que havia na direita. -  pode deixar ela em paz. Pelo menos nessa noite.

By: Paola Araújo

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