Total de visualizações de página

domingo, 6 de maio de 2012

Segura-3° Capitulo


                                                                  O Funeral

Alô. – disse eu sonolenta.
-Lola, acorda. Hoje eu recebi uma ligação da mãe da Victoria que disse que vai fazer o funeral dela essa tarde. – diz Valentina. Ela sempre acordava cedo pra fazer alguns exercícios. Eu olhei para o relógio em formato de coração que havia na minha cabeceira.
-Valentina é oito e meia da manha de terça-feira. – disse eu com uma voz meio que de raiva. Odiava acordar cedo. – Me disseram que hoje não tinha aula, mas pelo visto você não sabia.
-Eu sei disso sua bobinha. – Respondeu ela rindo. – Olha eu vou passar na casa da Meg Depois eu passo na sua. Ok.
-Que horas? – perguntei me sentando na cama.
-Tipo umas três e meia. Pode ser?
-Sim. Só mais uma coisinha, Valentina. – disse eu fazendo uma cara de malvada.
-O que?
-Não me ligue mais nessa hora.
-Tudo bem, tudo bem. Tchau. – ela desliga o telefone e eu volto a dormir.

Eu estava sonhando, eu via Victoria com o seu vestido da noite em que ela morreu. Eu via Valentina e Meg vestidas com os mesmos vestidos da festa também, ambas estavam ao seu lado. Eu gritei por elas, mas elas estavam se afastando de mim, eu corri atrás delas, mas não encontrava nada além de mim mesma me refletindo em um espelho. Aquela não era eu, eu estava com um vestido que eu nunca imaginaria. Um vestido vermelho com rendas que ia mais ou menos até um palmo do joelho nas pontas eram cheias devido a armação que o vestido tinha, meus lábios estavam pintados de vermelho café, minha pele parecia mais clara do que era, eu estava sem os meus óculos e vi que era mais bonita do que imaginava ser, apenas vivia me escondendo atrás de um óculos e uma aparelho. Mas me lembrei que era apenas um sonho e eu suspirei de  decepção. Atrás de mim apareceu alguém. Pedro. Ele estava com um tipo de Smoking preto e seus olhos brilhavam, Ele segurou os meus ombros e o beijou o meu pescoço. Aquilo me deixou elétrica, uma chama ardia em mim eu fechei os olhos para sentir tudo aquilo, mas quando abri os meus olhos, ele não estava mais lá.  Eu escuto alguém gritar, e mais outra. Eu corri em direção aos gritos e vi Valentina e Meg no chão gritando e apontando para um lado. Lá havia uma cortina, eu caminhava devagar até lá e quando a abri eu acordei.
Eram quase meio dia e meia quando resolvi sair da cama. Mas o sonho me incomodara muito. Atrás daquelas cortinas aprecia Victoria, Com as mãos e os pés amarados e a boca com uma mordaça, ela estava toda cortada, havia muito sangue nela e em uma poça que havia no chão. Quando cheguei mais perto pude ver o corte que a matara. Um corte fundo em seu pescoço. Mas o que Pedro estava fazendo no meu sonho. Porque eu iria materializa-lo na minha cabeça para que eu pudesse sonhar com ele. E ainda como pude sentir o calor quando ele beijou o meu pescoço. Eu desço com essa ideia na cabeça. Minha mãe não estava em casa então comi os restos que havia da janta importante que teve em casa na noite passada. Lembro-me vagamente de Callie contar as travessuras de Pedro quando era mais novo e do quanto ele é importante para as gêmeas Círia e Francine que quando era mais nova quebrara o braço e o irmão ficou ao seu lado o tempo todo com medo de perde-la. Ela também falou desse medo de perder pessoas que ele tinha, mas não me lembro muito bem porquê. Ele sempre fora um grande aluno, sabe tocar violão, guitarra e piano. Adora esportes, principalmente basquete. A mãe dele falou que ele nunca fala sobre garotas, mas quando ele chegou em casa naquela tarde, ele só sabia falar de uma garota que ele conheceu na aula de biologia. Fiquei boquiaberta com o que ela disse, porque simplesmente não era eu.
Meus pensamentos se voltaram na conversa que o Sr. Damon havia tido comigo. Eu fiquei assustada na hora em que o conheci, não sabia raciocinar o que ele estava falando quando estávamos na mesa, porque eu estava nervosa demais. Pelo menos quando era de manhã e o assunto era Victoria. Mas na hora do jantar eles meio que conversaram sobre ela e o Sr. Damon falou apenas que estão em buscas de pistas e ou de testemunhas. Nesse momento ele olhou para mim e eu fiquei mais vermelha do que já estava, porque Pedro se sentara bem a meu lado, e puxava assunto de vez em quando sobre como era a sua vida antes de se mudar para cá. Pelo menos ele tentava ser simpático e eu continuava com uma cara de não ter muitos amigos. Depois do jantar as gêmeas começaram a brigar uma com a outra e Pedro chamou a atenção das duas e se abaixou de modo que ficasse na mesma altura que ambas. Eles conversaram, eu vi que Pedro tinha muito amor e respeito por elas e elas por ele. Eu subi para o meu quarto e peguei as duas bonecas minhas, que eram da minha infância. Eu desci e estendi para ambas que olharam para mim com os seus olhos grandes brilhando e eu disse que eram para as duas, cada uma pegou uma, e ficaram lá na sala brincando. A minha mãe estava contando as suas aventuras que teve com papai para os pais de Pedro e então eu resolvi sair para rua e me sentei no banco que havia na área da casa, logo depois veio Pedro que se sentou ao meu lado. Ficamos em silencio por muito tempo. Até que eu mesma o quebrei:
-Gosta da noite? – perguntei
-Um pouco. – respondeu ele rouco. – E você?
-Quando eu era pequena meu pai fazia umas camas no chão para mim e para minha irmã. Assim podíamos ver as estrelas durante a noite, fazíamos desenhos e fazíamos coisas tipo contar estrelas também.
-Ele foi muito importante para você não é? – perguntou ele enrolando os dedos.
-Até demais. – eu dei um meio sorriso e ele sorriu.
-O que foi? – perguntei.
 -É a primeira vez que a vejo sorrir. – diz ele com a voz melódica que ele tem.

Parei de pensar quando olhei para o relógio que dizia ser duas e meia da tarde, e me voltei para ir ao meu quarto para me arrumar para o enterro de Victoria.

Os trajes que usavam, normalmente não eram para um enterro. Eu, Meg e Valentina foram chamadas para arrumar Victoria. Pegamos um vestido negro e bonito que ela tinha no armário e colocamos nela, com um pouco de dificuldade. Depois a pintamos e passamos esmalte em suas unhas, Arrumamos o seu belo cabelo que caia em ondas em seus ombros. Mesmo morta ela continuava linda. Quando toquei nela, o frio de sua pele me fez me arrepiar, Meg e Valentina se entreolharam. A pele branca estava mais pálida e os lábios inchados, demonstravam algo, como se nada tivesse acontecido com ela.
A cerimonia começou. Eu estava de cabeça baixa assim como Meg e Valentina, ambas usando vestido preto e eu de calça jeans e camiseta preta. A mãe de Victoria estava com um pano imaculadamente branco, ou pelo menos era porque com o choro e a maquiagem, o simples pano se tornou sujo e preto e o vestido enorme e negro que usava se manchava devido as suas lagrimas. O pai dela estava ereto, como se não acreditasse que aquilo estava acontecendo com sua família.
O dia em que Victoria havia ido a minha casa dizendo que o Tio estava dormindo que nem um morto... Na verdade ele estava morto mesmo. Por causa da quantidade de álcool e drogas em seu organismo.
Lagrimas começaram a encher meus olhos e então eu as deixei cair. Cada uma fazia um som diferente como se tocasse uma melodia inexistente, uma melodia que não se conhecia, uma melodia que só eu conhecia. Há quase quatro anos eu estive numa situação dessas em que eu era da família em que alguém fora brutalmente assassinado, por quem você achava estar apaixonada. Quando tudo que se passava por sua cabeça era “por quê?”. Eu sabia o que os Pais de Victoria estavam sentindo nesse dia, porque eu passei por causa do meu pai.
Na fileira que tinha ao meu lado. Vi o Sr. Damon com seu fardo de trabalho se sentando ao lado de Edmundo, Um nerd que tinha dentro da sala, ele não era de se chamar de feio, ele tinha lá as suas qualidades. Ele era apaixonado por Victoria. Um dia Victoria falou umas dúzias de coisas sobre ele, contou seus segredos na frente de todos. O garoto não quis mais ir para a escola e se matriculou numa particular, “mas o que ele está fazendo aqui” pensei eu novamente.  Não dei muita bola e me voltei para o chão, fiquei em silencio até que o padre terminou de falar. Eu me levantei, fui dar aos pêsames aos pais de Victoria e fui direto ao carro de minha mãe. E não parei até que eu chegasse em casa.

- Onde você foi? – perguntou Valentina ao telefone.
- Eu não estava me sentindo bem... Então eu fui embora. – respondi fazendo cara de doente. Eu estava falando a verdade. Mesmo antes de chegar à igreja, eu não estava bem.
- É pra eu acreditar?
-Estou falando a verdade.
-tudo bem eu acredito. - disse ela rindo. -  você perdeu a melhor parte.
 -O que aconteceu?
-Lembra aquele garoto que era apaixonado pela Victoria.
-Edmundo?
-Ele mesmo. Começou a chorar alto e a fazer um escândalo. Estava dizendo que aquilo não poderia ter acontecido com ela. – senti pena do garoto. A pessoa que você gosta morrer, de repente e você não saber fazer mais nada. Isso é vida injusta. –sabe quem mais apareceu lá?
-Quem?
-Danielly. – fiquei muda. – Não sabia que Victoria era amiga dela.
-Muito menos eu. – Engoli em seco.
Ta tudo bem Lola? – perguntou Valentina
-Sim.
-Tem certeza?
- sim.
-Bom, até mesmo a Lisa apareceu com a sua tripulação. Até mesmo o garoto novo, mas eu acho que foi por causa do pai dele que estava lá. – engulo em seco de novo.
- Eu tenho que desligar. Tchau.  – falei eu
-Tchau.

O que Danielly estava fazendo no funeral de Victoria?
Danielly era a única que me entendia e a única em quem eu confiava de um jeito mais como se ela fosse a minha irmã. Mas as coisas saíram do controle uma noite em que eu e ela estávamos sozinhas. Era meio que uma festa do pijama, entre duas pessoas. Minha mãe tinha um trabalho para fazer em outra cidade e eu fiquei sozinha em casa. Eu queria ter convidado Valentina que mostrara ser uma grande amiga enquanto estávamos no ensino fundamental e Danielly chegou havia três meses em Frankfurt e de alguma forma, minha mãe gostou dela e então me fez prometer ser amiga dela. Naquela noite ela estava com um vestido que mostrava mais do que devia e eu estava com uma bermuda larga e uma blusa que ficava colada ao meu corpo. Danielly era uma garota punk, que gostava de jogos. Ela tinha o cabelo liso escuro que chegava à altura dos olhos que eram avelãs, seu sorriso torto me arrepiava. Eu não sabia por que, mas sabia que era um sinal de perigo.
Danielly havia tirado de dentro da mochila um uísque e começava a beber freneticamente. O liquido descia pelo canto esquerdo de sua boca fazendo um movimento sensual desconhecido, ela o estendeu para mim eu fiz que não com a cabeça, mas ela insistiu que acabei cedendo. Quando senti a minha garganta queimar, não coloquei o liquido para fora, mas algo fazia querer mais.
Quando descobri estava bêbada pela primeira vez. Eu liguei o parelho de som no ultimo volume que instantaneamente parou quando Danielly veio para cima de mim. Seus lábios se encontraram com os meus e eu a empurrei para a estante que acabou quebrando uns copos caros de minha mãe. Danielly estava me olhando com um olhar de por-que-você-fez-isso-era-só-um-beijo. Mas a minha cabeça pensou ao contrario, começava por um beijo e depois chamava minha mãe de sogra. Eu disse para ela que garotas não era a minha praia, ela entendeu e pegou as suas coisas e foi embora. Eu estava tonta devido ao numero incontroladamente de uísque que eu bebi. Mas me lembro que no outro dia, na escola ela nem mesmo falava comigo.
Na hora do almoço daquele dia Victoria me perguntou sobre como foi a minha noite eu fiquei muda. E então ela começou a gargalhar de um modo sombrio. Quando ela parou ela perguntou como a noite foi com a Danielly. E então eu percebi que era uma armadilha de Victoria. Ela falara com Danielly naquele dia e mentiu dizendo que eu sentia uma grande atração por ela. Victoria fez a sua cabeça de um modo que nem esmo eu poderia entender, foi por isso que naquela noite ela apareceu sabendo que eu ficaria sozinha em casa. E pensou que naquela noite eu seria dela.
Meu telefone vibra no meu bolso, é uma mensagem:

Está com saudade de beijar alguém Lola. Um menino quem sabe, ou aquela sua amiguinha Danielly.

Um suspiro de terror eu dou.


By: Paola Araújo

Nenhum comentário:

Postar um comentário