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domingo, 6 de maio de 2012

Segura-4° Capitulo

                                                               Humilhada

Eram dez horas quando resolvi me levantar. Meu cabelo estava todo despenteado, e a minha cara amassada. Eu estava procurando os meus óculos na cabeceira, quando senti um papel. Esse papel tinha perfume de lilás. Minha flor favorita. Eu encontrei os meus óculos ao lado do papel. Quando terminei de ler, um frio na barriga se expandiu em mim, minha garganta estava pegando fogo e eu estava pálida por causa do susto:

Eu sei o que você fez com Demétrius, Sei que ele nunca mais pode jogar futebol, por causa de você.

Ninguém sabia o que acontecera com Demétrius, ninguém. Apenas Eu e Victoria. Mas não fui eu a culpada e sim Victoria ela me mandou fazer aquilo. Mas eu bem que podia me impedir se soubesse das consequências que levariam.

Demétrius era o capitão do time de futebol da escola. Era um negro espetacular. Seu corpo era uma cachoeira de músculos e quanto a Victoria, que queria ter uma vingança porque ele havia terminado o seu namoro com ela. Me mandou empurra-lo da guarita que tinha na casa de Stefan. Mas Lá em baixo tinha uma piscina e nada podia acontecer. Mas quando o garoto caiu ele bateu as costas em uns dos cantos da piscina, fazendo-o ficar inconsciente e deixa-lo paralitico da cintura para baixo. Ninguém viu alguém empurrando ele, todos pensaram que ele se atirou de tão bêbado que ele estava. E esse caso nunca foi solucionado pela policia, porque quando chegou lá nos já havíamos saído.
Meu estomago se revirava todo, quando se lembrava das coisas obscuras que Victoria nos mandava fazer com os outros. Valentina teve que fingir que era tatuadora para desenhar um coração com um V dentro, nas costas de Margaret a gótica do colégio e que odiava Victoria. Não sei bem se ela a descobriu, mas quando o viu ela quebrou dois dentes do tatuador verdadeiro de tanta raiva. Quando Margaret foi ao a escola com uma blusa que aparecia o coração com V, Victoria começou a dizer sarcasticamente a ela que também amava, mas como amiga. Ai sim a garota ficou com mais raiva ainda e tirou no mesmo dia aquela tatuagem. A Meg teve que sair correndo nua na casa dos primos de Victoria, porque ela queria que seu Avô tivesse um infarto. E isso ela conseguiu, no outro dia o velho estava durinho, mas com um sorriso no rosto. Os primos de Victoria adoraram ver Meg sem roupa.
Quem estava me mandando essas coisas. Duas mensagens de telefone e uma carta. Todos os meus segredos com certeza essa pessoa sabia, mas a única que os sabia era a Victoria. Será que Victoria contou para alguém, eu não sei, eu só sei que quero enterrar tudo com ela, mas tem alguém que esta fazendo tudo virar de cabeça para baixo. Alguém sabe das coisa obscuras que ela nos mandava fazer, então porque simplesmente não falaram para a policia e fizeram tudo isso acabar. Meus olhos estavam cheios de lagrimas e eu tinha ainda que ir para a escola.

Meu rosto estava inchado devido a crise de choro que comecei pela manhã. As mensagens e a carta ainda estavam na minha cabeça. Quem sabia dos meus segredos? Victoria. Mas ela morreu.
Valentina vinha em minha direção com uma expressão aflita. Eu não intendi bem, mas ela veio até mim e me puxou pelo braço até a biblioteca. Ela me levou ate os fundos da imensa biblioteca, sempre me puxando. Até que ela me parou e Meg estava lá nos esperando:
- O que esta acontecendo? -  perguntei confusa.
- Lola você sabe de alguns segredos nossos? – Perguntou Meg
- Claro que sei... Aqueles que a Victoria nos mandava fazer são os piores que eu...
-não esses Lola, mas sim uns que só Victoria sabia. – diz Valentina me interrompendo
-Vocês não foram as únicas não é? – perguntei já sabendo da resposta.
-você também Lola? – diz Meg aflita.
-Eu recebi duas mensagens e uma carta.
- Eu também. – responderam Meg e Valentina ao mesmo tempo.
- Quem deve ser essa pessoa? Alguém que nos odeia?
- Margareth, Edmundo, Lisa... – responde Valentina
- temos que ir com calma, não sabemos de nada e muito menos a policia. Temos que pensar em alguma coisa para nos livrar dele ou dela. – diz Meg
-Eu fiquei tão preocupada, eu até achei que fosse uma brincadeira de vocês. – disse eu.
- Vamos fazer um pacto. – falou em fim Valentina
-o que? – perguntamos juntas, Meg e eu
- Vamos fazer um pacto, onde nos temos que sempre, sempre falar a verdade uma com a outra e tentar desvendar essa pessoa que fica falando essas merdas pra nos.
- Eu concordo – Diz Meg
- eu também – respondo enfim
- Valentina Tira de sua mochila um alfinete em que fura o seu dedo anular onde sai poucas gotas de sangue. Ela faz o mesmo em mim e Meg. Juntamos os nossos dedos fazendo cada gota de sangue se juntar e juntas falamos que prometemos falar somente  a verdade e que juntas tentaremos desvendar o maníaco que que nos ameaça todos os dias.

Quando saímos da biblioteca fomos ao meu armário, que na verdade ficava do lado do armário de Lisa. Valentina estava chupando o dedo que furara para poder fazer o pacto, Meg ficava fitando o chão e eu estava usando o capuz do meu casaco. Quando chegamos no corredor que Meg chamava de “Corredor dos armários” podíamos ouvir vozes que soavam como risadas. Era Lisa e sua tripulação, eu pedi a Deus para que elas já tivessem ido quando chegássemos lá. Mas tudo foi em vão. Lisa estava usando um vestido negro que ia ate os seus joelhos, usava bijuterias em seu pescoço branco e os cabelos ruivos caiam em ondas sedutoras em seus ombros. Ela estava pichando o meu armário, ela estava escrevendo Vadia nele. A primeira coisa que pensei era que ela era o maníaco que estava nos assombrando. Meg se segurou em mim para não ter que pegar Lisa e deixar seu rosto deformado. Valentina estava fazendo o mesmo. Eu... bem, não podia fazer nada, diante da questão estávamos em desvantagem. A única coisa que eu fiz foi pegar o meu telefone e começar a tirar fotos do que elas estavam fazendo, quando havia tirado fotos o suficiente e o guardei no bolço do meu casaco e então avancei ate o meu armário. Quando todas ouviram os nossos passos, elas se viraram e então começaram a nos encarar. Eu fui bem calma até o meu armário e peguei os livros em que eu iria precisar nas aulas de hoje. Fechei o meu armário e vi a arte que Lisa havia feito. Murmurei ironicamente algo tipo “que bela arte a sua Lisa, talvez começasse a fazer as aulas de artes da escola”. Apenas percebi que ela me encarara com uma expressão de o-que-foi-que-você-disse, eu me virei e fui direto a aula de biologia.
Meg, Valentina e eu chegamos primeiro que todos na aula de hoje e então o Sr. Castro começou um discurso de como devimos continuar a nossa vida depois de uma morte de alguém que amamos. Bem eu já sabia como eu poderia, mas Meg e Valentina acho que não sabia como dizer em relação a elas. Acho até que era a primeira morte delas. Então o sinal bateu e todos os alunos começaram a entrar na sala.
Como sempre  a aula de biologia estava horrível. O Sr. Castro estava pior do que imaginava e infelizmente descobri que ele fumava antes de começar as aulas devido a morte de sua esposa em uma acidente de carro a dois anos a trás. Ele começou a fumar desde então. Pedro não havia vindo a aula hoje. E eu pensei que seria ótimo, mas um dos meus lados começou a sentir falta dele. Durante a aula Lisa ficava me fitando acho que ela queria fazer algo que me deixasse para baixo, mas ela não estava conseguindo, porque até agora eu sempre sai por cima, sem mesmo ter levando uma só pancada de suas palavras. Meu pai dizia que “palavras que nos ofendem são aquelas que começam a nos fortalecer de pessoas ignorantes que dizem as tais.” Agora percebi o que ele queria dizer.
 A aula de matemática havia sido algo horrível também, porque a senhorita Shells não havia vindo a aula também. E então ficamos sem professor e sem nada a fazer. Eu peguei o livro didático de matemática e comecei a ler a parte em que estávamos. Meg e Valentina haviam ido ao banheiro, e quase a metade da turma estava na sala. Lisa veio até a mim e começou a alisar a minha mesa, uma coisa que eu pressenti que ela estava tramando alguma coisa. Ela murmurou algo que não entendi, mas eu fiz cara de saia-daqui-agora-antes-que-eu-enfie-este-livro-na-sua-garganta. e então ela murmurou novamente e pude escutar uma “eu te desejo”, eu fiz sinal que não estava escutando e então ela falou  mais alto que ela pudesse. Ela me chamou de Vadia lésbica:
-O que? – eu falei alarmada
-Vadia lésbica – respondeu ela com ar superior
- Eu não sou vadia e nem lésbica.
-Não foi o que me disse a sua ex-namorada Danielly
-O que? Danielly era a minha amiga não namorada. E sim, ela é lésbica, mas não queira dizer que eu sou.
-Ela me disse que te beijou. – agora ela fazia cara de assustada com o que eu havia dito
- isso é mentira.
-Olhe querida – começava a dizer com o seu tom de rainha que sempre teve. – Sei como é perder um pai e uma melhor amiga. Sei que ter um pai fracassado e uma mãe que não consegue pagar a própria conta do carro é difícil.
-Não fale da minha família. – eu estava com raiva. Savannah e Renée estavam atrás de Lisa enquanto Mariah e Alice estavam atrás de mim.
- Desculpe se a verdade dói, Lola. Sei que ser a fracassada da turma dói também. – Todos que estavam na sala gora estavam olhando para nós.
-Eu não sou nenhuma fracassada. – respondi entre os dentes
-Sinto muito querida, mas você é. – EU comecei a chorar. – Sei era o que? Ah me lembrei, um compositor que nem conseguir ajudar a família conseguia. Ele teve que fazer uma escola, para ter com o que sustentar a família.
-Pare. – pedi
-e sua mãe, sabia que nas horas vagas ela fica com outros homens para ter com o que pagar as contas...
-pare – pedi novamente, a raiva crescia em dentro de mim. Mariah e Alice agora estavam mais próximas do que antes.
- E você que nunca beijou alguém, a não ser a sua amiguinha lésbica...
-Chega! – Eu levantei a mão, mas Alice era mais rápida e consegui me parar bem a tempo de eu acabar com essa vadia chamada Lisa.
Sei que depois que Alice largou a minha mão eu peguei as minhas coisas e sai da escola. Por que tudo aquilo estava acontecendo comigo, as mensagens e Lisa sempre me botando para baixo e acabando com o meu dia, as lagrimas continuavam a cair e o pior de tudo é que Lisa conseguiu me atingir. Voltei sozinha e a pé da escola até a minha casa. Pedi a Deus para que não tivesse ninguém em casa para que eu pudesse subir os degraus da escada que havia em casa e subir ate o meu quarto, me trancar na escuridão e cair chorando em meus travesseiros e em minha cama.
 E mais uma vez eu estava errada. Pedro estava sentado na minha varando enrolando um fiapo de alguma planta que retirara do chão. Ela estava muito lindo, a camiseta branca combina com ele, assim como o jeans que mostravam a musculatura de suas pernas. Quando parei em sua frente com o rosto inchado ele levantou a cabeça e me olhou nos meus olhos e viu que algo estava errado. Ele se levantou, seus olhos mostravam que estava com pena de mim. Pena é a ultima coisa que eu pediria para alguém ter de mim:
-Desculpa eu vir te incomodar, mas como eu não fui a aula... Queria saber se poderia me emprestar os cadernos de hoje. – disse ele me fitando.
Eu tirei a mochila das minhas costas e retirei o meu fichário de dentro e entreguei a ele. Quando fiz isso eu passei por ele sem olha-lo e fui para a porta da imensa casa onde eu morava:
-Lola está tudo bem com você? – perguntou ele
- Sabe quantas vezes eu tive que responder essa pergunta? – me virei para ele.
-Não.
-dezessete vezes.
-o que aconteceu? – perguntou se aproximando
-Eu fui humilhada, a minha família foi humilhada. Só por ser de classe inferior. – lagrimas continuavam a cair teimosamente.
-eu sinto muito. – ele se aproximou e me abraçou.
E por incrível que pareça era daquilo que eu precisava. Um abraço. Deixei que as lagrimas molhassem a sua camiseta branca e pude definir que seu perfume era amadeirado. Nossos corpos se uniram como se fossem um só e isso era maravilhoso. Ele distanciou o meu rosto de seu peito e então secou a minhas lagrimas com seus beijos. Primeiro ele beijou as maçãs do meu rosto e depois ele tirou os meus óculos e beijou os meus olhos onde eu estava fechando-os e por fim pude sentir seus lábios de encontro com os meus.

By: Paola Araújo

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