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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Segura - 5° Capitulo



                             Malditas  Lembranças




Eu ainda estava em estado de choque, depois do que havia ocorrido entre eu e Pedro. Ainda sentia o gosto de seus lábios nos meus. Durante a noite inteira eu fiquei lambendo os lábios para que pudesse sentir o gosto dele. Meu dia mudou de um jeito que eu não sabia como definir. Mas já sabia que o outro dia começaria como um inferno.
Sai de casa como sempre em busca do ônibus escolar, mas resolvi ir a pé, para colocar algumas coisas no lugar e como eu reagiria ao ver a ovelha negra da Lisa. Meus óculos estavam já meio tortos, porque Pedro os derrubara no chão enquanto me abraçava, para melhor me beijar. 
A neve parara de cair naquele monótono dia, em que eu agradeci por isso acontecer. Eu não gostava nem um pouco da neve, devido ao numero recorde em que eu cai durante muito tempo. Hoje eu estava com um pressentimento ruim sobre mim, algo que eu não iria gostar nem um pouco.
Enquanto eu estava caminhando por uma rua que eu sabia bem qual era, me lembrava como foi o dia em que passei lá com a Victoria. Foi nesse dia em que eu revelei o meu maior segredo a ela.
Victoria estava com um vestido vermelho que ia até um palmo da mão do joelho, sandália de salto preta e ela estava maquiada. Era o seu encontro com Carl. Eu a estava acompanhando até o local. Carl não sabia quem eu era então não tinha a mínima ideia do que aconteceria se eu abrisse a boca para Leona. Aquele dia não tinha sido bom para mim. Lisa havia feito a mesma coisa de sempre comigo. Humilhando. Victoria chegou bem na hora em que ela estava dizendo que eu era uma vadia gorda que gostava do seu namorado. Bem Thomaz era um menino bastante atraente, mas não fazia o meu tipo. Victoria a interrompeu, falando bem alto, que Lisa, gostava de espionar o vizinho dela pelado. Todos começaram a rir, porque o vizinho da Lisa tinha sessenta e três anos. Mas Victoria sabia que eu não estava bem:
-Olha, eu sei que aquela garota acha que machucando você ira me ferir. Mas ela não pensa que fazer isso será fácil. – Falou Victoria.
-Como assim? – perguntei eu  confusa.
-Lola, você é a garota mais forte que eu conheço. Não abaixe a cabeça para aquela cadela azeda da Lisa, você sabe que é muito melhor do que ela. – Respondeu ela segurando nos meus ombros.
-OK.
-Olhe, um dia você vai ver, um dia ela vai te magoar tanto  que ira mudar, não por dentro mas por fora. E eu sei que você tem um segredo. -  disse ela fazendo cara de decepcionada.
-Sabe? – eu estava arregalando os olhos. Ela não estava segurando mais os meus ombros, agora os meus ombros estavam com o perfume sensual que Lisa deixará no ar.
-Sim, e eu pensando que éramos amigas. –disse ela com ar de decepcionada. – Por que você não me conta essas coisas?
-É complicado Victoria, eu prometi não contar para ninguém.
-Eu sei guardar segredos, ok.
Às vezes Victoria era insuportável, mas as vezes era a melhor amiga de alguém que estaria precisando de um bom conselho e guardar segredos. Eu assumo que quando ela morreu eu também fiquei aliviada, por que o meu segredo estava seguro novamente. E se esse dia chegar em que eu teria que mudar, eu estaria pronta para o que viesse.

Na escola as coisas não começaram bem. Eu tinha mostrado para a minha mãe as fotos que tirei da Lisa, que a fez limpar é claro. Quando cheguei ao meu armário e o abri, uma carta caiu dele, um perfume de jasmim pairou por sobre ela. Eu abri e estremeci quando terminei de lê-la.

Hoje é o dia em que você vai mudar Lola. Se isso não acontecer é porque Lisa venceu você. E você não vai dar esse gosto a ela não é, já que ela sabe sobre o que você fez quando era pequena.

“Puta merda” pensei eu.

Pedro estava radiante quando entrou na sala de aula. Seu sorriso ia de orelha a orelha e seus olhos brilharam quando me viu. Sentou-se em seu lugar, mas ficou me fitando o que me fez corar. Eu dei um oi mudo a ele que o retribuiu com uma piscadinha com o olho, o que me fez corar ainda mais. Mas o que acabou o meu dia foi quando Lisa começou a me provocar novamente. Os meus óculos começou a embaçar devido à respiração forte que eu estava fazendo e os meus punhos estavam serrados loucos para acabar com a raça daquela garota. Valentina e nem Meg Estavam na sala de aula uma coisa que não me deixou nada confortável. Lisa começou a falar das minhas roupas e depois foi para a minha família. Eu não estava dando bola, achei que se ela percebesse isso ela pararia, mas não foi o que fez. Ela continuou e eu pensei que alguém a mandaria calar a boca, mas ninguém fez nada, só a viam me humilhar:
-eu nem cheguei à parte em que ela, matou uma pessoa. – disse Lisa que me fez olhar para ela perplexa. – Bom, disseram que foi acidente, mas eu penso bem ao contrario.
-Lisa, será que você não tem outra coisa, a não ser o jornal da escola? – perguntei sarcástica e fiz a turma rir, a garota me fulminou com o olhar.
O professor entrou na sala de aula com um sorriso, porque ele conseguiu nos levar ao parque onde tinha um belo lago e lá fomos nós.
Eu caminhava lentamente, com medo de tropeçar e cair no lago que estava maravilhoso. Pedro andava ao meu lado, quando tropecei ele me segurou e sorriu eu fiz o mesmo.  “ Acho que estou me apaixonando” pensei eu. Eu ficava feliz quando ele estava por perto, eu ria das piadas sem graça dele, eu o achava o garoto mais lindo e idiota da escola, mas era isso que chamava a minha atenção nele. Lisa  estava atrás de nós e me fulminava com seus olhos verdes, Meg e Valentina estavam na nossa frente rindo dos meus pequenos tropeços. Eu corei quando Pedro entrelaçou a sua mão com a minha, pois eu pensava que não tinha nada de mais entre nós. Quando o Sr. Castro parara para deixar todos descansarem, eu fiquei no mesmo lugar observando a todos. Eu estava de costas para o lago, em min há frente eu via, Meg e Valentina com outras garotas rindo das piadas umas das outras. Pedro estava com Victor um garota da sala, de vez em quando ele olhava para mim e dava aquele sorriso torto que me animava. Pedro tinha dado acho que uns trinta olhares para mim quando ele me olhou pelo a ultima vez, vi que seu rosto mostrava desespero:
-NÃO. – Gritou ele.
Mas já era tarde de mais, Lisa me empurrou para o lago o que me fez cair e bater a cabeça durante a queda, a minha respiração parou e tudo o que eu via era pura escuridão.
Antes de tudo estar escuro, eu me lembro de ter olhado para um dos arbustos que havia ali. E tinha certeza que eu vi Victoria.

“NÃO” pensei eu. Eu estava em casa, mas havia algo de errado, eu estava com dez anos de idade. Eu estava com o pijama listrado que ganhei de minha vó, quando tinha nove anos. O Quarto estava decorado com muitos ursos de pelúcia, na cama um grande colchão que taparia até o Shrek. Um urso eu segurava quando ia até a cozinha. A claridade cegava-me, cosei os olhos o que fez a minha mãe vir bastante preocupada. Mas no fim eu disse que faltava chocolate no meu organismo e a Sr. MaCleyn deu uma daquelas risadas que faz todos quererem tapar os ouvidos. Enquanto eu comia cereal de chocolate a minha mãe falava ao telefone com Katherine. Quando eu não estava olhando alguém atrás de mim se aproximou e tapou os meus olhos. As mãos estavam frias e ossudas, eu pude perceber quem era, era alguém que eu sempre quis poder ver de novo, alguém que ainda nos sonhos me alegrava:
-Papai. – disse eu
-Como esta o seu cereal, princesa? – perguntou ele, meus olhos brilhavam quando o olhava.
-Delicioso... Velho. - respondi rindo. Leona me ensinava às gírias dela.
-Desde quando você fica repetindo o que a sua irmã diz, Lola MaCleyn? – perguntou sorrindo, depois que terminei de comer ele veio e começou a fazer-me cócegas.
Depois de muito bagunça com o meu pai, resolvi sair para brincar com a minha vizinha... Lisa. Exatamente, ela morava ao lado da minha casa. Quando a porta atrás de mim bateu, pude ouvir alguém chorando, enquanto eu caminhava a procura de quem estava chorando, um frio na barriga começou a subir em mim. Eu não sabia o que estava acontecendo.
Lisa estava como sempre de vestido, esse era amarelo com bolinhas brancas, usava sapatilhas preta com laços pequenos na pontas, seu cabelo ruivo estava preso num rabo de cavalo e o nosso vizinho o de dezoito anos Otavio estava ao lado dela, tirando a sua calcinha bem devagar. Quando vi os dois me deu ânsia de vômito, não sabia o que eles estavam fazendo ( claro eu era uma criança). Otavio estava erguendo o vestido de Lisa eu não sabia por que Lisa chorava, ela sempre me dizia que as meninas mais velhas não choravam. Isso que ela era um ano mais velha do que eu. Agora Otavio estava baixando a própria calça. Eu senti algo que me dizia para parar com aquilo e foi o que eu fiz, eu me afastei um pouco e comecei a gritar chamando  pelo o nome de Lisa. Que em dois minutos estava lá com o rosto inchado de chorar:
-Quer brincar comigo? – perguntei eu, ela fez que sim com a cabeça. Eu sorri, o que a fez sorrir também.
Durante a tarde toda, brincamos de chá, de supermercado e de até caçadoras de tesouros. Até que a minha mãe me chamou para conversar. Já era tarde quando resolvi sair de casa de novo. E novamente eu ouvi alguém chorar. O choro vinha da casa na arvore de Otavio eu subi até lá sem a permissão dele, o que o assustou. Ele estava em cima de Lisa, ele parou quando escutou eu subindo e fez uma cara para mim, como se quisesse fazer a mesma coisa comigo e recuei, mas ele me agarrou, eu não sei donde eu tirei força e o empurrei da porta da casa que o fez cair e bater a cabeça e em poucos segundos os seus olhos fecharem para sempre.
A policia estava em todo o lugar, os paramédicos pegaram o corpo de Otavio que disseram que estava morto. Eu estava em estado de choque, porque quem o empurrou havia sido eu e ele cairá e morrerá. A policia estava falando com os meus pais, que estavam atordoados com o que acontecerá. Os pais de Otavio queriam se mudar a Sra. Shells estava chorando e falando coisas que eu não entendia. Lisa estava com os pais vendo toda a cena. Depois que Otavio cairá da casa na arvore ela correra e foi para casa eu não sei o que tinha entre eles, mas sei que era algo muito errado. Quando sai do meu estado de choque, eu fiquei olhando para Lisa do outro lado da rua. Éramos amigas quando pequenas antes do que ela havia dito a mim naquela noite:
-Assassina. – Ela gritou apontando para mim. A policia toda veio para cima de mim me fazendo perguntas, meus pais estavam boquiabertos com o que Lisa falara. O Pai de Lisa a mandou para dentro e ela sem para gritava. – Eu vi pai, eu a vi o empurrando lá de cima. – Depois daquele dia eu fiquei me perguntando o que eu havia feito para ela me odiar tanto. E finalmente eu abri os lhos.

-Querida você está bem? – Pergunta a minha mãe que estava ao meu lado, na cama do hospital.
-O que aconteceu?- perguntei eu
-Você caiu e bateu a cabeça. – disse ela suspirando. – você ficou dois dias desacordada, estava me deixando nos nervos ver-te aqui querida. -  A minha cabeça estava enfaixada, a minha perna esquerda estava com gesso e os meus braços estavam enfaixados.
-Mãe, eu acho que não cai, acho que fui atropelada. Pra que eu estou todo enfaixada. – minha mãe ri.
-Quando você caiu, você... Digamos que começou a rolar até cair na água.
-ah!
-Lola. Por que o Pedro, ficou aqui com você durante trinta e seis horas? – eu corei
-O que?
-Ele ficou aqui do seu lado, não saia pra nada. – lembrei-me como ficou antes que eu caísse.
-eu não sei. – respondi rapidamente
-Tudo bem então, mas vou fingir que acredito.

Duas semanas se passaram, e eu cansada de ficar sentada na cama do hospital. Valentina e Meg vinham me ver sempre com alguns presentes, ursos, flores, chocolates e etc. Depois que eu acordei não tive noticias sobre Lisa ou sobre Pedro que desaparecera do mapa dois dias depois que acordei. Minha mãe sempre estava do meu lado, até mesmo Leona ligava de duas em duas horas para ver como eu estava. Eu não estava gostando nem um pouco da preocupação que estavam comigo, sei que havia algo de errado, mas eu não sabia bem ao certo o que era. Talvez Lisa deva ter contado o que acontecerá anos atrás, ou simplesmente alguém contou o meu maior segredo.
Quando acordei pedi a minha mãe que trouxesse o meu telefone, que no outro dia já o trousse como havia dito. Havia uma semana que o desconhecido não me mandava nenhuma mensagem ou carta ou algo diferente. Eu respirava aliviada, toda vez que ia dormir, já que ele ou ela não me mandava nada, nem um sinal de vida. E mais uma vez eu estava errada. O meu telefone vibra no cabeçalho que tem ao lado da cama, eu tremo ao pegar o telefone e ver a mensagem que tem nele:

Não fique com medo, Ninguém vai te machucar, a não ser eu.

A primeira coisa que eu pensei, foi em Lisa. O que será que aconteceu com ela?

By: Paola Araújo

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