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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Segura - 6° Capítulo



                           
                                 Feliz Aniversário de morte papai

                 
Eu voltei para a escola, mas continuava com um gesso na perna. Eu estava em uma cadeira de rodas. Eu tentava ficar longe de escadas e mesas pequenas, e isso seria diferente quando se esta com Meg E Valentina te empurrando pra tudo que é lugar.  Elas foram as primeiras a assinarem o meu gesso, o que me deixou muito feliz. Elas eram as minhas melhores amigas desde que eu tinha sei lá, uns dez anos. Até mesmo antes de Victoria entrar em nossas vidas, até mesmo depois dela morrer.
Pra todo lugar que eu olhava, eu procurava por Pedro. Mamãe nada me dizia, nem mesmo a dele me dizia. Eu já começava a me preocupar com ele.
Semanas se passaram, e não só ele não voltava para casa. Lisa também havia sumido. Ninguém sabia do paradeiro deles. O que deixava muitos com ar de preocupação também.
E mais semanas se passaram, eu já estava sem o gesso e caminhava sempre para que eu pudesse pensar nele. Pensar que ele iria voltar e dizer tudo aquilo, que eu penso que esta em sua cabeça. Na escola tentava de todas as formas não olhar para onde ele se sentava, para que eu não tivesse que sentir a sua falta.
O último menino que me fez sentir daquele jeito, hoje estava preso em algum lugar. Este menino foi quem matou o meu pai e despedaçou o meu coração quando atirou três vezes em seu peito.
“Pedro, onde você esta?” pensei eu. Naquela noite eu não consegui dormir, devido aos pensamentos que vieram a minha cabeça. Eu pensava que ele apenas sumiu, para não me magoar com algo que ele não fez que era me proteger. Mas ele não sabe que esta me machucando por dentro, quando ele não esta aqui. Quando finalmente dormi, sonhei que eu estava em seus braços, protegendo-me de qualquer coisa. E que nada iria me ferir.
O sol entrava pela enorme janela que tinha no meu quarto, acho que havia me esquecido de fecha-la. Mas havia algo de errado. O ar tinha um cheiro de incenso barato. Levantei o rosto do travesseiro branco da minha cama, com uma interrogação estampada no meu rosto:
- Acorda preguiçosa. – uma voz bastante conhecida falou. Logo a tristeza que havia em mim se foi e um grande sorriso apareceu em meu rosto.
- Leona! – Levantei imediatamente, com o rosto inchado, de baby-doll, naturalmente, sem me arrumar.
O cabelo negro e bagunçado que ela tinha continuava o mesmo, tirando a parte em que ela não pintava mais os cabelos de cores diferentes. Da cozinha vinha um cheiro delicioso. E logo nos abraçamos e ficamos assim durante uns cinco minutos, nos apertando. A camiseta escrita “Eu amo NY” preta e a calça cinza que mostrava as curvas de Leona e o tênis vermelho caiam-lhe muito bem. Os olhos verdes que veio de papai brilhavam em seu rosto oval.
Durante a manhã e a tarde, ficamos conversando, sobre tudo: como ia a faculdade, a escola, os amigos, os amores... Quando ela falou sobre o seu namoro com Carl, meu coração acelerou de um jeito descontrolado, eu estava branca e nervosa, era hora de contar a ela sobre Carl e Victoria. Leona percebeu como eu fiquei, ela engoliu em seco e depois me perguntou:
- Lola você sabe?
-Sei sobre o que? – minha respiração se acelera, mas Leona não parece perceber.
- Que eu não vou mais à França. – Mamãe, já havia comentado comigo no hospital sobre isso. Mas o jeito como Leona falou me deixou triste também porque aquele era seu sonho e sei que ela lutou duramente para que seu sonho se realizasse, mas um dos seus professores disse que ela não era boa o suficiente. Eu digo que sim com a cabeça.
- Leona, eu t... Tenho que te  c... Contar uma coisa. – gaguejei.
- O que é? – pergunta me olhando nos olhos de um jeito que eu não soube decifrar.
- Entenda, eu só descobri isso a pouco, então não me julgue, ok? – minto – É que Victoria era amiga de Carl.
- E o quê que tem isso? – sua voz dizia que ela estava pronta para saber a verdade, mas que logo teria um ataque de raiva.
-Eles eram muito amigos, a ponto... – não consegui terminar a frase, aquilo iria fazer a minha irmã sofrer e eu não queria quilo para ela.
- A ponto... – eu estava decidida eu iria contar a ela.
- A ponto de a Victoria ter perdido a sua virgindade com ele.

Eram três horas da manhã, eu estava acordada ainda esperando Leona voltar. Depois que eu disse a verdade, ela saiu feito um furacão a procura de Carl. Sabia que eles iriam romper.
Eu me sentei a frente da tevê a fim de não ficar olhando o relógio enquanto Leona não voltava. Mamãe havia ido para mais uns das suas reuniões fora da cidade o que sempre me deixava, insegura em relação a ela.
Eu nunca fui muito com a cara da minha mãe, sempre soube que tinha algo errado, mas eu a amo de todo o coração. Meus segredos ela nem tem a mínima ideia do que sejam, as únicas que sabem sou eu e Victoria e mais um engraçadinho que tirava onda comigo por cartas e mensagens de texto.
 Meus pensamentos foram interferidos, pelo noticiário que falava sobre o desaparecimento de Lisa:

- Nem a policia sabe mais onde procurar Lisa Stephany Green, Uma menina de dezessete anos de idade que estuda na grande escola Bonfim da cidade de Frankfurt. – dizia a repórter loira. – Aparentemente, ninguém mais a viu depois de um passeio que teve com seus colegas e seu professor. Alguns colegas dizem tê-la visto correndo depois que empurrou uma colega de turma lago a baixo. A aluna que Lisa empurrou se machucou muito, mas sobreviveu. – Desliguei a tevê.
  Não aguentei mais esperar por Leona e então subi para dormir. Quando entrei em meu quarto vi que tinha algo errado, a foto que tinha meu pai e eu, não estava mais lá.

A algumas quadras da rua da casa de Lola.
As mãos finas que seguravam, a moldura com a fotografia de Lola MaCleyn e seu pai, estavam tremulas. Invadir uma casa não era muito a sua praia, mas todas tinham que pagar pelo o que lhe fizeram no passado. Assim sendo As mãos retiraram a foto que a colocou do lado das outras. As fotografias eram de Valentina e Meg. Valentina estava com sua mãe a Sra. González. Valentina odiava seu sobrenome. E Meg estava abraçada a seu avô materno o Sr. Lauren. Logo o dono das mãos começou a trabalhar, recortando cada foto, e colando cada uma em uma folha branca e a escrever, algo que mais parecia uma ameaça do que uma ajuda.
O seu telefone vibra, ele esta indicando um horário. Ele sorri, e começa a digitar no telefone.


Eu estava como uma louca, revirando o quarto de cabeça para baixo a procura de uma fotografia. Mas aquilo era a única coisa que me lembrava de papai, a única coisa que me fazia lembrar tudo que tinha nele. Era a minha única recordação dele. Logo começo a chorar porque não a encontro o meu telefone toca novamente. Eu o pego limpando as lagrimas com a manga da minha camiseta. Outra mensagem de texto:

Finalmente começou a ser sincera, minha pequena mentirosa?

Eu atiro o meu telefone na parede, que se transforma em pedaços com o pacto. Escuto a porta da frente abrir e fechar e então saio correndo até a cozinha esperando que fosse Leona. Quando chego à cozinha não tinha ninguém. A luz estava desligada e eu tinha que ir até a metade dela para ligar. Quando escuto o click do interruptor da  luz, meus olhos se arregalam.
Na minha frente estava a foto minha e de meu pai e estava recortada. O sorriso de meu pai estava apagado, seus olhos estavam com um x em cada um e em seu peito três marcas. Eu chego perto da foto e encosto bem aonde tem as marcas que em seguida eu retiro. “esta quente” eu caio de joelhos a minha frente estava uma replica de como meu pai ficou depois de ter sido morto. Mais lágrimas agora caiam em meu rosto e mais uma vez o meu telefone toca é outra mensagem de texto:

Que vergonha, nem se lembra do dia em que o próprio pai morreu. Dê a ele os meus parabéns.

 Mais lagrimas caiam. Eu fui me refugiar em meu quarto, que na manhã seguinte teria que arrumar de uma forma ou outra. Eu pego o meu telefone e o arrumo, graças a Deus ele ainda funcionava. Foi nessa hora que pensei em Pedro. Ele com certeza estaria aqui tentando aliviar toda a minha dor, toda a minha angustia que eu esta sentindo agora. Ele mudou-me completamente, mas não sei se foi para melhor ou para pior.
Eu não consigo parar de chorar, e o meu telefone toca novamente, mas não é uma mensagem. Eu atendo o telefone:
-Alô – falo com a voz chorosa.
-Lola o que aconteceu? – a voz melodiosa que saiu do meu telefone fez o meu coração acelerar. – Oi Lola, você está ai?
-P... Pedro?
-Oi – esqueci de tudo que estava acontecendo, depois de escutar a sua voz. A única coisa que eu ouvia era o som do meu coração acelerado.
-Onde você estava?
- Meu pai me mandou para St. Petersburgo, para pegar umas coisas.
- Senti a sua falta. – falei rouca
-Não mais do que eu.
-Pedro...
-Lola quando eu chegar e te abraçar, saiba que eu nunca mais vou te larg... – Ele não conseguiu terminar a frase. Eu caio no chão inconsciente.

Eu acordo com uma dor atrás da cabeça, bem aonde levei a pancada. Mas havia algo de estranho novamente, meu quarto esta arrumado, O meu telefone ao meu lado na escrivaninha velha que minha mãe guarda a não sei quantos anos. O cheiro de incenso desapareceu e logo a minha mãe apareceu. Com uma bandeja em suas mãos com o café da manhã. Ela me olhava confusa e triste, ela sabia que dia era hoje e eu também.

A quatro anos, meu pai foi enterrado próximo a uma figueira que tinha no meio do cemitério. Meu pai gostava dela e por isso pedi para que o colocasse perto dela e assim  foi feito.
O vestido preto que eu usava, deixava-me bonita, horas depois do enterro do papai Leona havia me falado que a morte me deixava bem, eu ri naquela ocasião, mas agora tudo que eu queria era pagar as coisas erradas que eu fiz na minha vida inteira e tentar vive-la máximo possível longe de confusões e de assassinatos. Ajoelhei-me diante da sepultura de meu pai, meu rosto já estava inchado de tanto chorar e mais nenhuma lagrima caia dos meus olhos. Percebo uma mão descansando em meu ombro. O toque me deixa quente, eu já sabia quem era. Pedro.
Eu me levanto e me viro para ele, mas não era ele. Era o seu pai, Vestindo a farda e tudo. Eu olhei para ele confusa. Ele apenas me vira de costas, pega as minhas mãos e escuto um click:
- Lola MaCleyn Halyn, Você esta presa. Você esta sendo culpada pelo o desaparecimento de Lisa Stephany Green. Você tem o direito de permanecer calada. - Eu presa, pelo desaparecimento da Lisa. Mas como eu poderia ter feito isso.
-S... Sr. Damon, Como posso ser culpada pelo desaparecimento da Lisa, s... se eu estava inconsciente durante isso?
- Foram encontradas provas sobre isso em sua casa, Lola. Eu sinto muito, mas eu tenho que te levar  a delegacia.
E lá fui eu, culpada por uma coisa que não fiz. Talvez fosse uma brincadeira de mal gosto, mas pelo o que vi no olhar do Sr. Damon, não tinha nada de brincadeira nisso. Espera:
-Quem disse pro senhor que tinha provas na minha casa?
- Anônimo. – pronto era tudo o que eu precisava.

Relatei tudo que sabia sobre o dia em que eu cai no lago, e depois de quando acordei. Até mesmo da noite anterior, até sobre que eu havia levado uma pancada na cabeça.
Eu falei ao Sr. Damon que alguém pode ter invadido a minha casa ter me dado a pancada na cabeça e ter colocado as provas lá, para que eu pudesse ser presa e ser culpada pelo desaparecimento de Lisa. O Sr. Damon ficou me olhando e ficou pensando se eu estaria mentindo, mas eu jurei pela a minha mãe mortinha que era verdade tudo aquilo que eu disse.

Pelas onze da noite eu cheguei em casa, não tinha ninguém e mais uma vez me senti insegura. Leona deixara um aviso na geladeira, dizendo que voltara a Nova York Para terminar os estudos e tentar novamente entrar para o restaurante de seus sonhos. Eu subi no meu quarto afim de dormir até chegar o outro dia.
Eu deixo o meu telefone no criado mudo e mais outra carta tem sobre ela. Eu tenho medo de abri-la com medo de ver o seu conteúdo, mas a curiosidade é maior e então eu a abro, mas não fico nem um pouco com medo do que esta escrito:

Como é ser presa?
 Não se preocupe com isso minha pequena mentirosa. Eu sei de tudo e vejo tudo. Sei mesmo que agora você não esta com medo de mim, mas deveria começar a ficar.

Dentro do envelope onde a carta estava tinha outra imagem, eu a deixo cair. As imagens me assustaram muito. Meg estava sem a cabeça e a foto de Valentina estava colada em um desenho. Valentina estava sendo afogada.
Eu grito, mas nenhum som sai da minha boca. Eu estava me sentindo sufocada, até que eu caio novamente no chão e fecho os meus olhos novamente. 

By: Paola Araújo

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