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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Segura - 7° Capítulo


                               

                            Memorias De Pedro (parte 1)

Pedro

Eu não sabia o que estava fazendo, Eu não sabia que iria ser assim. Quando Eu a vi pela primeira vez, tudo que havia de ruim dentro de mim, desapareceu. E deu no lugar um sentimento que eu não conhecia muito bem. EU o apenas sentia pelas as minhas irmãs.
Meu pai, nunca ficou ao meu lado, quando precisei, ele nunca tinha tempo para mim. Não sei como um dia eu o chamei de herói, uma coisa que ele nunca foi. Meu pai era do exercito e eu o chamava assim, porque mamãe vivia dizendo que ele salvava  pessoas, como nos desenhos animados que via sábado pela manhã. Mas depois do acidente, meu pai mudou muito.
Mamãe sempre dava mais atenção a Francisco, meu irmão gêmeo. Todos me excluíam, quando era pequeno, e até hoje fazem isso. Eu lembro que tinha sido ideia de Francisco pegar o carro de nosso pai para começar a brincar de policial como ele.
Nossos pais estavam dormindo pela tarde e nós sempre ficávamos brincando. Estávamos brincando de policia e ladrão típico na nossa idade, Francisco era o policial e eu o ladrão. Mas eu não havia visto que Francisco tinha pegado as chaves do carro.
Morávamos numa grande casa, que tinha um lago ao lado. Azul e límpido.  Quando Francisco ligou o carro e o fez andar, eu comecei a gritar pra que ele parasse, mas tarde de mais o carro já estava descontrolado.
O carro foi a toda velocidade, batendo num muro que protegia as pessoas de caírem no lago, que foi o que acordou meus pais que foram correndo ver o que havia acontecido.
O carro começava a se encher de agua, eu consegui sair, mas Francisco não. Eu sabia nadar e então voltei à procura de meu irmão. Quando o encontrei, seus olhos não tinham mais vidas. Eu consegui retira-lo de dentro do carro. Meu pai quando nos viu, se atirou na água enquanto a minha mãe chorava. Quando em terra firme estávamos, meu pai tentou de todas as formas, salvar a vida de Francisco, mas não conseguiu.
Lembro-me que naquele dia, meu pai olhou-me com raiva e ficou gritando pra quem quisesse ouvir que eu era o culpado pela morte de meu irmão.
Eu fiquei isolado por muito tempo, quando completei doze anos, mamãe falara que estava gravida novamente, o que a deixou feliz e eu nem tanto. Meu disse que não era para me aproximar muito de minhas irmãs, porque eu as colocaria em perigo como fiz com o meu irmão. Eu não acreditava que ele ainda colocava a culpa em mim.
Quando nos mudamos para Frankfurt, senti algo estranho e maravilhoso ao mesmo tempo. Eu havia feito uma promessa a mim mesmo que iria recomeçar a minha vida do zero, a fim de esquecer a morte de meu irmão.
O meu quarto pelo menos estava arrumado naquele dia. Uma cama, um violão, um guarda-roupa e a minha escrivaninha era o que eu precisava, e claro das minhas roupas.
Minha mãe grita para mim ajudar minhas irmãs, que não conseguiam colocar as coisas no alto dos armários. Quando cheguei a cozinha, Círia tentava colocar um pote de vidro que minha mãe ganhara de aniversário no alto do armário da cozinha. Eu sorri e a levantei afim dela mesma colocar ele lá:
-Obrigado, maninho. – disse ela sorrindo.
-de nada, pequena. – Francine, estava me olhando, com cara de querer amor também. – Porque você e a minha flor não me dão os potes, que eu os coloco no alto. – Ambas sorriem e começamos a arrumar  cozinha.
Logo meu pai apareceu, dizendo que tinha um mistério já nas mãos. Minhas irmãs se estremeceram quando ele disse que uma garota havia sido morta. Eu fiquei mudo, eu não podia falar nada a ele, porque ele depois ficava dizendo coisas que não me deixariam muito bem mentalmente. Minha mãe perguntou como ele havia chegado tão rápido em casa. Ele respondeu que ele ver falar com uma das suspeitas que era nossa nova vizinha.
Mamãe avisou-me que eu chegaria atrasado ao meu primeiro dia de aula na escola nova. Eu comi o mais rápido que pude e fui à procura do ônibus escolar. Eu travei quando a vi.  Ela tinha a pele não tão clara, o cabelo castanho escuro amarrado em um rabo de cavalo mal feito.
A garota parou quando viu a viatura de meu pai. Eu percebi que o meu pai estava dentro do carro, que foi o que a fez ficar parada ali o encarando. Ouvi o motorista do ônibus falar com ela, que subiu rapidamente. Eu saio correndo com medo de perde o ônibus, onde o motorista me viu e o fez parar. Eu pedi desculpa por me atrasar e o motorista falou ríspido comigo, mas eu já era acostumado com pessoas desse tipo. Os olhos castanhos se escondiam atrás de um par de óculos que não a deixava bonita, ela desviou o olhar o que me fez ir até o ultimo assento do ônibus.

Na escola tive que ir direto para a diretoria para ver qual era minha sala. Uma mulher muito feia veio se apresentando como vice-diretora. Ao pronunciar essa palavra ela fez uma careta, que até mesmo me deixou com medo. Ela logo foi me puxando levando-me a uma sala pequena com muitos alunos. Até que a vi novamente, nossos olhos se encontraram e eu pude perceber que ela seria uma parte do meu quebra-cabeça, que seria uma parte do meu recomeço.
A gorda ao meu lado Falou com ela, e eu desviei os olhos a fim de prestar atenção ao seu nome:
- Lola, querida poderia ser a ajudante de Pedro, durante um mês, ou até ele se adaptar na nossa escola. – Eu a ouvi murmurar algo, mas não dei muita bola. Queria dar a impressão de ser difícil.
Eu logo me sentei ao seu lado, ela colocou o cabelo sobre o seu rosto. “Droga”pensei eu. Eu queria tanto prestar atenção no rosto da pessoa que iria me mostrar à escola. Eu a vi levantar a mão em modo de um “oi” mudo, na qual nem prestei atenção. E a aula continuou ate um sinal, mas parecido com o sinal de uma prisão tocou.
Eu vi todos se levantarem e eu fiz o mesmo, mas a garota não, ela ficou no mesmo lugar do mesmo jeito que ela estava. Eu parei ao lado da porta, coloquei uma perna na parede e comecei a fitar o teto, que por nada, não tinha nada, tirando as teias de aranha.
Ela saiu da sala e quando me viu, percebi que ela havia se assustado. Assim como eu, ela também parecia ser difícil. Ela perguntou com era a minha próxima matéria, eu respondi e assim fomos até um corredor que logo nos levaria a aula de matemática. Quando passávamos percebi muitos desenhos pintados à tinta a óleo e em quadros brancos. Eu gostava disso.
Percebi que não éramos apenas nos que estávamos naquele corredor, havia uma garota ruiva e outras que se pareciam muito, tirando as gêmeas. Todas se pareciam com a ruiva, ou tentavam parecer como ela.
Mamãe sempre me dizia para ficar longe de garotas que falavam como rainhas, e aquela falava. Eu logo fui rude com ela respondendo que não estava interessado. A garota até que era bonita, mas por algum motivo eu achava que a garota ao meu lado era mais do que as outras.
Durante o almoço, vi que ela estava com duas amigas, uma era parecida com uma modelo e a outra tinha rosto de uma princesinha. Eu me sentei com um garoto chamado Victor que conheci na aula de matemática. Ele não era nem esportista e nem nerd, ele tinha mais cara de um preguiçoso que ao invés de vir para a escola, preferiria uma tevê, um vídeo game e muitos salgadinhos:
-Eu venho à escola pelas garotas. – disse ele.
-Mas garota não é o que falta não é? – perguntei eu.
- É cara, isso é o que não falta, mas assumo que Victoria me tirava suspiros.
-Quem é Victoria?
-É a garota que foi encontrada morta. Cara ela era linda, se você a conhecesse iria se apaixonar logo.

As outras aulas não foram muito boas, para a Lola. A garota ruiva lhe mandava alguns olhares que eu não sabia o que era. Eu tentei falar com ela, mas sem muito sucesso. Ela resolveu colocar o capuz de seu casaco, pelo menos para esquecer tudo que estava a sua volta.

Eu chego em casa com vontade de dormir, mas mamãe mandou-me  tomar banho, porque nossa vizinha nos convidou para jantar. Eu não sabia qual era casa, e muito menos quem morava nela. Mas eu comecei a enrolar minha mãe, contado que eu conheci uma garota incrível, só para eu não ter que tomar banho, mas nada adiantou.

A casa era grande, tinha uma área com bancos para aproveitar a brisa do verão. Por dentro percebi um pano cobrindo algo enorme, mas não sabia o que era, Tinha uma lareira... Bom era muito bem decorado. Mas quando a vi descendo as escadas, meus olhos brilharam. Eu não me lembrava muito bem seu nome, mas sua mãe a apresentou aos meu pais. Percebi que ela ficou assustada quando viu meu pai. Foi ai que descobri que ela era suspeita de ter matado a melhor amiga.
Quando muita coisa se passou. O jantar , a conversa com o meu pai. Eu a vi indo para frente se sentar nos bancos. Eu me sentei ao seu lado. Eu fiquei imaginado como era o seu beijo, como era o seu perfume, como era a sua personalidade, se eu um dia teria chance com el...
-Gosta da noite? – Ela perguntou.
- Um pouco. – respondi rouco. Aquela noite foi a primeira vez que a vi sorrir.


Na terça feira pela manhã eu havia ido a escola, mas descobri que não tinha aula. Eu fui furioso para casa. Percebi que papai não estava mamãe disse que ele tinha ido a um enterro, que quase toda cidade havia ido nesse enterro. Sei que quando ela disse aquelas palavras eu fui correndo pegar um ônibus, para que eu pudesse estar lá.  Mas eu peguei três ônibus, os dois primeiros eu peguei os errado e quando peguei informação com o motorista do ônibus que tinha um sorriso horrível, peguei o ônibus certo.
 Antes que eu descesse do ônibus um carro muito velho passou a mil por hora deixando apenas um cheiro desagradável. Meu pai estava sentado com a sua farda de chefe de policia, eu me sentei ao seu lado, e rezei para que ele não me tirasse de lá como se fosse um criminoso.
Naquela hora eu me lembrei do dia, do enterro de Francisco. Acho que meu pai veio apenas para isso. Eu apenas abaixei a minha cabeça a fim de ninguém perceber que lagrimas queriam cair, mas não conseguiram. Senti a mão pesada de meu pai sobre o meu ombro, eu sabia que era hora de voltar para casa.
Um garoto que estava lá começou a fazer uma gritaria onde eu não pude entender nem se quer uma palavra. Meu pai foi diretamente para lá e prendeu o garoto. Ele nos levou ate a delegacia e me deu as chaves do seu Porche prateado e me mandou voltar para casa. Quando cheguei fui direto ao meu quarto e quando eu caio na cama eu durmo direto.
Não sei como, mas havia um sonho entre as minhas memórias. Nele eu estava debaixo d’água, eu estava me afogando, eu não conseguia ir para cima, só que havia algo preso a minha perna, algo segurando. Eu olhei para baixo e me assusto. É meu irmão puxando-me para ficar com ele, eu quase cedi, mas eu tinha que continuar a minha vida, continuar com o passado no passado. Então começo a puxa-lo junto comigo para cima, e quando isso acontece eu acordo, com o som do meu telefone. É uma mensagem:

Preciso de sua ajuda, é uma mera vingança. Uma vingança que será gravada na cabeça de todas aquelas que me feriram. Pedro se não me ajudar, vou contar uma pequena mentirinha ao seu pai e sei que ele não vai gostar nada disso.

Eu tento ver de quem é a mensagem, mas o numero é desconhecido. E se fosse a pessoa que eu estou pensando. Ela não teria coragem de fazer isso, muito menos contar mentiras. A única pessoa que sabe o que aconteceu comigo depois que o meu irmão morreu, só uma pessoa sabia e ela estava morta. 

By: Paola Araújo

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