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terça-feira, 22 de maio de 2012

Segura-9° Capítulo.




                             Beijos e melodias

Lola

Eu acordo no chão frio do meu quarto. Acho que as imagens foram de mais para mim, a ponto de me fazerem desmaiar. Eu olhei par o meu telefone que estava ao meu lado. Eu tentei liga-lo, mas ele não ligou. Algo estava diferente comigo.  Algo que nem mesmo eu sei o que era.
Minha cabeça estava doendo. O meu quarto estava girando. Eu me sentia enjoada. Tentei descer para a cozinha, mas acabei quase rolando escada a baixo. Olho pelo relógio circular que tem na parede cor de creme da cozinha. Meia-noite e vinte e sete. Não era para eu estar sozinha em casa a essa hora. Mamãe já devia ter voltado há muito tempo. A campainha da minha casa toca.“Quem deve ser a essa hora?” pensei eu. Eu caminho lentamente, com medo que sege alguém, que não seja amigável. Eu chego à porta ainda com a visão embaralhada. Pego a maçaneta e a faço girar devagar. Eu estava exausta demais para perguntar quem estava na porta, mas quando aporta se abriu e a minha visão estava clara, pude imaginar que eu estava sonhando.
O cabelo ruivo estava despenteado e muito alto, a pele clara escondida por camadas de sujeira assim como a unhas que eram sempre bem feitas, a maquiagem estava por todos os cantos do rosto que tinha forma de coração e os olhos verdes, loucos para chorarem desesperadamente. Lisa estava a minha frente, e eu com a boca aberta espantada com a visita inesperada:
- Me perdoa. – Começou ela soluçando. – Por favor, me perdoa. Eu não sabia o que estava fazendo, por favor, me perdoa. – ela agora chorava. Eu não sabia o que dizer.
-Entra, esta muito frio ai fora. – disse por fim. Ela entrou se encolhendo todo e tentando engolir o choro.
Eu subi ao meu quarto, peguei as imagens macabras de Valentina e Meg e as coloquei de baixo do colchão. Peguei umas roupas minhas e uma toalha e fiz Lisa ir tomar um banho.
Quando ela terminou, eu já tinha preparado um chocolate quente. Nós nos sentamos nos sofás da sala. Lisa se sentou no sofá que ficava bem a frente da lareira e eu  me sentei na poltrona de meu pai  assim poderia olhar ela nos olhos. Um silencio começou entre nos, acho que podia ouvir, a respiração dela. O nosso silencio foi quebrado quando Lisa começa a chorar de novo:
- Sabe por que eu te odeio tanto? – falou ela.
- Não. – respondi. Eu estava tão calma.
-Por que você o matou. Matou a pessoa que eu mais amava no mundo inteiro. – me assustei quando ela falou aquilo. Aquilo era uma coisa muito estranha, ela o amava.
-Lisa, você estava chorando quando ele começou a tirar as suas roupas, eu vi...
-Eu sei o que você viu. Eu era nova de mais pra entender que ele era um pedófilo. Aquele filho da puta vivia dizendo que um dia nos iriamos nos casar e sermos felizes para sempre.
-Lisa eu sinto muito. – me sentei em seu lado. – Eu não tinha a mínima ideia. E foi um acidente, eu não queria que ele caísse. Eu sinto muito mesmo.
Lisa começa a chorar de novo. Eu a abraço e ficamos assim durante alguns segundos. Eu ligo para os pais de Lisa, para avisar que ela estava em minha casa. Os pais delas não acreditam, mas eu a ponho no telefone que fala para eles que tudo estava bem. Enquanto os pais dela não chegam, Lisa me conta que ficou na casa de arvore de Otavio. Como ela comia, ela usava o cartão de credito que o pai havia lhe dado há muito tempo, roupas, usava a mesma desde que sumira. Ela se banhava no lago durante a noite.
Eu perguntei para ela como era ser bonita. Quando eu fiz essa pergunta ela ficou quase da cor do seu cabelo, ela deu uma risadinha e depois falou que tinha seu lado positivo e seu lado negativo. Eu fiz uma careta o que a fez rir mais ainda. O lado positivo era que você podia ser popular e aquele garota com quem você sempre quis, poderia até ficar do seu lado e muitas outras coisas, na qual eu achei absurdas. O lado negativo era que a maioria das meninas iriam te chamar de vaca, vadia, cadela, patricinha mimada, puta... E um monte de coisas também.
Quando ela terminou de falar vi que o seu humor desapareceu. Acho que ser bonita naquele instante para ela não importava. Eu coloquei a minha mão sobre o seu ombro e declarei que ser bonita, pode ter os seus lados positivos e negativos, mas se começarmos a dar valor a beleza interior, podia conseguir, coisas melhores e encontrar pessoas maravilhosas que podem muito bem nos completar. Quando terminei aquela frase percebi que estava pensando em Pedro o que me deixou com raiva.
Logo percebi que eu estava escutando uma sirene de carro de policia, e a campainha da minha casa foi tocada. Eu fui até a porta e a abri o pai da Lisa quase me derrubou quando abri a porta. Ele e a esposa entraram correndo em busca de Lisa. Logo a encontraram e abraçaram-se. O Sr. Green começou a me xingar, eu não havia entendido por que. O Sr. Damon logo entrou e segurou o homem para que assim conseguíssemos conversar:
-Você prendeu a minha filha aqui! – gritava o homem.
-Acalmasse Sr. Green, ou terei que prende-lo. – ameaçou o Sr. Damon. – Lola conte o que aconteceu.
-A Lisa tocou a minha campainha e eu a abri. Foi isso que aconteceu.
-Isso é verdade. – falou Lisa.

Depois de toda conversa, todos foram embora e eu fiquei sozinha em casa novamente. 
Eu me sentia triste, quando a minha mãe não está em casa, principalmente sinto falta de Leona e suas maluquices. Mas sinto mais falta de meu pai. Eu olho para uma coisa que esta sendo escondido sobre um lençol. Minha mãe disse para eu nunca mais tirar, porque aquilo lhe traria más lembranças. Isso pode ser pra ela. Lembro-me de meu pai sentado na frente de seu Calda Longa. Seu piano. Tocando as mais belas melodias que um compositor poderia tocar. Meu pai me ensinou a tocar uma musica de Bob Acri. Sleep Away. Ela não era tão difícil.
Quando meu pai morreu, acho que foi o meu melhor momento para compor. Porque eu me inspirava nele, na sua morte e nas minhas dores. Vi que já era muito tarde, o sol já estava nascendo. Eu subi para o meu quarto e dormi.
De manhã quando minha mãe chegou, pude ouvir seus passos indo direto para o seu quarto. Eu senti que era a hora de perguntar o que estava acontecendo e o que estavam falando. Minha mãe era daquelas que não se interessavam pelo o que as pessoas pensassem de você, mas ela iria me escutar.
Quando levantei, com olheiras debaixo dos olhos e a barriga roncando de fome, liguei a tevê no noticiário.
Logo um homem com parecia ter uns cinquenta anos. Mostrava uma reportagem sobre o aquecimento global, outro mostrava sobre a campanha para ajudar desabrigados, levando comidas a eles e roupas. Eu me interessei nisso. Eu gostava de ajudar as pessoas, gostava mesmo. Lembro de uma vez em que eu dei quase toda a minha mesada a uma desabrigada que estava com um bebê no colo. Quase toda a minha mesada, por que naquele dia eu comprei um sorvete de casquinha.
Minha mãe estava descendo e eu gritei que iria sair. Ela não deu bola como sempre. Fui até esse lugar que estavam se reunindo para a campanha. Escrevi-me e logo peguei uma sacola com um monte de sanduiches e sai pela rua, com Estefani, uma menina um pouco gordinha com cabelos loiros que eram enrolados nas pontas, olhos verdes e usava óculos como eu. Ambas estávamos de calça jeans e com uma camiseta escrita “Salve O Mundo”. Começamos pelo centro da cidade, conheci muitas pessoas e muitas historias. Estefani se mostrou ser uma grande pessoa e amiga. Amiga. Por que eu sentia que estava me esquecendo de alguma coisa. Eu pego o meu telefone e ligo para a minha melhor amiga:
- Feliz aniversário, Valentina. – disse eu sorrindo
- Você lembrou. Por isso que eu te amo.
- Eu amo mais. Val posso te perguntar uma coisa?
- Espera, eu vou ir para o meu quarto ta. – eu espero durante um minuto. – Pronto, fala.
- Você recebeu alguma coisa estranha esses dias?
-Tipo?
- Fotos macabras de suas amigas mortas
- Não, mas eu recebi uma coisa.
- O que?
- Uma bolsa a faculdade de Frankfurt. – disse ela gritando
-Parabéns. – eu estava sorrindo novamente.
- E ai, o que anda fazendo?
- Serviço comunitário.
-De que?
- Estou dando alimentos para desabrigados.
- Hum. E o que o Sr. Mosselley anda aprontando?
-Quem?
- O Pedro, Lola. Nós o apelidamos assim, por que ele se parece com esse ator.
-Hum.
- Vou ter que desligar outra hora nós conversamos. Ou você não vai vir para a minha super grande festa no sábado.
- Mas é claro que eu vou ir, Val.
- Vem de vestido.
- Ta. Tchau. - Valentina desliga o telefone primeiro.
Chego em casa umas quatro e meia da tarde. A casa estava novamente sozinha. E eu também. Eu olho para o lençol branco em minha frente, com vontade de tira-lo dali:
-Mamãe não esta em casa. – falei eu. – Então ela não pode me escutar. - digo com um sorriso nos lábios.
O lençol é jogado longe, e a madeira do piano continua como se fosse nova. Eu me sento no banco amadeirado e levanto a trava do piano. Eu toco nas teclas relembrando de melodias maravilhosas que eu tocava com o meu pai.
Logo meus dedos começaram a tocar, umas musicas de minhas bandas favoritas, passando de Avril Lavigne, a Evanescence e entre muitos outros, até chegar ao funeral de Victoria. Lembrei das melodias que as minhas lagrimas faziam enquanto caiam nas minhas pernas. Eu comecei tocando para ver se me lembrava, até sair de lá, uma canção melódica. Essa canção parecia meio obscura, enquanto eu formava as palavras na minha boca e os meus dedos formarem os sons. Eu fechei os meus olhos sentido a dor que me penetrava. Lembrando-me da dor de perder o meu pai e a minha amiga, da dor das palavras de Lisa e me enchendo com o carinho que eu tive com as minhas amigas e minha irmã, e um sentimento desconhecido que começava a florescer dentro de mim, uma coisa que uma pessoa trouxe não sei de onde, mas sei que essa pessoa era o Pedro e esse sentimento se chamava amor.
Quando abro os meus olhos levo um susto. Parado a minha frente estava Pedro com um sorriso entre os lábios finos. Eu fiquei nervosa e não sabia o que fazer, acabei caindo no chão.
Ele Logo veio e me ajudou a levantar, eu me afastei de seus braços, parando na frente do piano com as bochechas quentes e vermelhas. Nunca cantei pra ninguém, ou nunca ninguém me ouviu cantar. Me viro para ele com cara de poucos amigos:
- O que você esta fazendo aqui? – pergunto
-Eu ouvi o piano, e então eu bati na porta, mas como não tive resposta eu entrei. – respondeu ele ainda sorrindo. – Alias, você canta bem.
-Obrigada. – respondi não o olhando. – Bom, o show já acabou. – disse ríspida.
-Por que você é assim?- Perguntou ele se aproximando
-Assim? – perguntei de volta. Eu ficava mais ruborizada cada passo que ele dava em direção a mim.
-Um dia você esta bem e no outro não.
-Conhece a palavra bipolar. – respondi grossa
- Por que é assim comigo? – ele estava praticamente a três passos de mim.
-Por que e... – não consegui terminar a frase. Por que ele calou a minha boca com a dele.
Os lábios dele tinha gosto de frutas vermelhas. Minhas favoritas, morango, cereja e amora. Eu deixei que meus lábios se abrirem para que eu sentisse novamente a sua língua quente e macia. Ele me levantou me sentou no piano. Eu enrolei as minhas pernas em volta de sua cintura. Ele começou a beijar o meu pescoço, eu não consegui segurar, mas deixei escapar um gemido baixo. Ele voltou para os meus lábios. Ele beijava-me como se fosse daquilo que ele precisasse para sobreviver, ele agora passava a mão por sobre a minha camiseta, que eu logo retirei. Paramos quando estávamos sem folego para continuar. Estávamos com as nossas testas encostadas uma na outra, ambos estávamos sorrindo. Mas ele logo desapareceu.
Minha mãe ficou nos encarando por um bom tempo, eu e Pedro estávamos sentados no sofá que ficava de frente para a lareira e minha mãe caminhando de um lado para o outro nos encarando:
-Sra. MaCleyn, se eu puder explicar... – Começou Pedro que logo foi interrompido pela minha mãe.
-Eu não sei o que vocês estavam fazendo, mas se forem fazer, fazem bem longe daqui. Estamos entendidos? – Eu e Pedro fizemos que sim com a cabeça. – Ótimo. Pedro pode ir para a sua casa. – Ele se levantou e beijou o topo da minha cabeça, que me confortou muito.
- Boa noite, Sra. MaCleyn. – minha mãe virou o rosto para o menino.
Quando ele saiu, eu olhei para a minha mãe com cara de o-que-foi-que-você-fez para ela, que agora seu olhar dizia que estava muito feliz. Mamãe começou a falar um monte de coisas para mim, de quando ela e papai namoravam, e de como se usava uma camisinha. Eu sabia que aquela noite seria longa.

By: Paola Araújo

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